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"É possível dobrar o número de empregos"

O principal objetivo de Rodrigo da Rocha Loures, em seu segundo mandato à frente da Fiep, é dobrar o porte da indústria no estado. "É perfeitamente possível dobrar o número de empregados de 500 mil para 1 milhão de pessoas", diz. Em seu planejamento, pretende elevar os investimentos produtivos, que foram de R$ 71 milhões de 2004 a 2007, para R$ 88 milhões até 2011.

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Com 56 votos de um total de 93, Rodrigo da Rocha Loures foi reeleito presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e segue no cargo pelos próximos quatro anos. Fundador da fabricante de alimentos Nutrimental, de São José dos Pinhais, o empresário curitibano derrotou o ponta-grossense Álvaro Luiz Scheffer, que recebeu 36 votos. O segundo mandato de Rocha Loures começa em 1.º de outubro e vai até outubro de 2011. A votação foi realizada ontem na sede da Fiep, no centro de Curitiba. A contagem dos votos começou por volta das 18h30 e durou pouco menos de dez minutos.

A vitória do atual presidente representou uma derrota para o governo estadual. O governador Roberto Requião, que havia apoiado Rocha Loures em 2003, passou a apoiar a oposição depois que o empresário curitibano criticou a administração do Porto de Paranaguá. Ao menos duas pessoas ligadas ao governo faziam parte da chapa oposicionista: o ex-secretário de estado Luís Mussi foi o coordenador da campanha de Álvaro Scheffer, e o atual secretário de Indústria e Comércio, Virgílio Moreira Filho, era um dos vice-presidentes da chapa. Curiosamente, Scheffer também teve o apoio dos senadores Alvaro e Osmar Dias, adversários políticos de Requião.

Depois da vitória, Rocha Loures disse que, apesar de não ter sido apoiado pelo governo, "seguirá defendendo os interesses da indústria paranaense, trabalhando em parceria com o estado naquilo que for necessário". "A partir de agora, vamos passar nosso plano de governo para equipes profissionais, que vão elaborar projetos a partir do que planejamos", disse o presidente reeleito. "Nem o Paraná nem qualquer estado brasileiro tem uma verdadeira política industrial, com visão estratégica, em que haja um alinhamento entre o setor público e o privado. Como presidente do Conselho de Política Industrial da CNI [Confederação Nacional da Indústria], já estou conduzindo um processo nesse sentido. Vamos apresentar nossas propostas ao presidente Lula nas próximas semanas."

Na primeira eleição com duas chapas concorrentes em 24 anos, o comparecimento às urnas foi de quase 100%: apenas um dos 94 sindicatos patronais com direito a voto não enviou representante, e houve somente um voto em branco. A outra única vez em que houve "bate-chapa" na eleição da Fiep foi em 1983, quando o então presidente Altanir Zaniollo reelegeu-se ao derrotar o empresário Martinho Faust. Na eleição de 2003, o então presidente José Carlos Gomes de Carvalho desistiu de disputar seu terceiro mandato pouco antes do pleito, e Rocha Loures foi eleito com mais de 90% dos votos.

Apesar do acirramento da campanha nas últimas semanas, o clima da votação foi bastante tranqüilo. Depois da contagem dos votos, os dois candidatos pregaram que "o momento é de união". Scheffer defendeu que, passada a eleição, a Fiep deve "quebrar o retrovisor e olhar só para a frente". "Continuarei participando da Fiep e do Sindicato da Madeira de Ponta Grossa, onde sou vice-presidente.Vamos cobrar para que as promessas feitas durante a eleição sejam cumpridas."

Enquanto Rocha Loures praticamente acertou o número de votos que receberia – ele esperava cerca de 60 votos –, Scheffer mostrou-se surpresou pela larga diferença. No domingo, ele disse contar com o voto de pelo menos 54 sindicalistas. "Muitas pessoas que se comprometeram conosco não efetivaram isso. Mas, se essa foi a opção dos eleitores, vejo como um mérito da democracia."

Apenas dois fatos quebraram o clima de tranqüilidade da votação. O primeiro foi uma nota publicada pelo presidente da Fiep nos principais jornais do estado, em que acusava o governo do estado de pressionar eleitores. Scheffer considerou a nota "um desrespeito a todos os sindicatos", e negou que tenha havido pressão sobre os votantes.

Outro motivo de controvérsia foi o pedido de impugnação de uma pequena parte dos votos. Nove representantes de sindicatos patronais tiveram que votar em separado, fora da urna, por conta de problemas com o cadastro de suas empresas na Junta Comercial do Paraná. Na maioria dos casos, os documentos apontavam que eles supostamente dirigiam empresas do comércio, e não da indústria – o que os impediria de votar. Mas, antes da contagem dos votos, as duas chapas entraram em acordo e decidiram que todos os nove votos seriam contados normalmente.

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