
A oferta de soja em grãos no mercado interno está ficando escassa neste segundo semestre. O salto na exportação do produto para a China, a quebra de 30% nas lavouras argentinas devido à estiagem e o período de entressafra estão levando a indústria moageira a frear a produção.
Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, onde está o maior polo produtor de soja do estado, a indústria está sofrendo o impacto da redução de oferta da matéria-prima. Apesar de a região ter produzido 1,4 milhão de toneladas na safra passada, as moageiras instaladas na cidade paralisaram o setor de esmagamento. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Soja e Óleos Alimentícios de Ponta Grossa, Jorge Luiz Pitela, a Cargill suspendeu a moagem em agosto enquanto que a Insol só vai normalizar a produção em fevereiro do ano que vem. A Cargill nega a informação e a gerência da Insol não foi localizada. A Bunge, que é a maior moageira do país, fechou a unidade em Ponta Grossa na semana passada.
O clima de incertezas levou o presidente do sindicato a reunir-se com membros do governo do estado para buscar uma solução para o setor. Segundo Pitela, essa indústria emprega 1,5 mil trabalhadores na cidade. Para o gerente da Agência do Trabalhador em Ponta Grossa, Antônio Laroca, será preciso requalificar os funcionários da Bunge para inseri-los no mercado. O mesmo ocorreria com eventuais dispensas nas outras moageiras. "Num primeiro momento não teremos vagas para todos", afirma. O fechamento da Bunge causou o corte de 150 vagas.
China
O salto nas exportações para o mercado chinês também mexeu com o mercado nacional. Das 27,6 milhões de toneladas de soja vendidas para o mercado externo na última safra, pelo menos 48% desembarcaram na China. "O comprador vende para quem oferece o melhor preço", comenta o secretário da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, Fábio Trigueirinho. Embora o preço da soja seja regulado por Chicago, como lembra a analista de mercado, Daniele Siqueira, as oscilações regionais modificam o valor final do produto, como acrescenta o economista e diretor da Safras & Mercado, Flávio Roberto de França Júnior.
Outros setores ainda não temem mudanças. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, lembra que os estoques de soja e milho, principais insumos para a atividade avícola, não sofrem riscos de desabastecimento. A expectativa é que a oferta no mercado interno se normalize a partir da próxima safra, que começa a ser colhida em janeiro do ano que vem. "Estamos trabalhando com uma estimativa de safra recorde de 63,4 milhões de toneladas", complementa Trigueirinho.







