
Ouça este conteúdo
A primeira pesquisa eleitoral divulgada após o vazamento do áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro mostra o impacto nas intenções de voto no pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O levantamento da AtlasIntel foi divulgado nesta terça-feira (19).
Flávio desenhou uma trajetória ascendente nas pesquisas da AtlasIntel a partir do lançamento da pré-candidatura em dezembro de 2025. Nos cenários de primeiro turno, ele se aproximou de Lula (PT) e chegou a passar o petista, numericamente, nas simulações de segundo turno, apesar do empate técnico entre os dois principais nomes da polarização no país.
Entre fevereiro e abril houve uma acomodação nas intenções de voto de ambos, especialmente no segundo turno, com pequenas oscilações dentro da margem de erro. Uma tendência que foi quebrada no levantamento deste mês de maio.
O desempenho do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu nos dois cenários estimulados. No primeiro turno, perdeu 5,4 pontos percentuais de abril para maio — 39,7% para 34,3% — ao mesmo tempo em que Lula manteve o patamar — de 46,6% para 47%.
Na simulação de segundo turno contra Lula, o impacto foi mais significativo: saiu de uma vantagem de 0,3 pontos percentuais para uma desvantagem de 7,1 pontos percentuais, fazendo com que as linhas que estavam próximas se descolassem e voltassem ao nível do início do ano, logo após Flávio ser anunciado como pré-candidato.

Flávio Bolsonaro oscila na disposição de voto do eleitorado
A queda de Flávio Bolsonaro na pesquisa AtlasIntel é atribuída ao caso que veio à tona na última semana, quando o áudio do senador ao dono do Banco Master foi divulgado pelo Intercept Brasil. Na mensagem vazada, ele pede o financiamento de parte do filme “Dark Horse”, uma produção internacional sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo o levantamento, 95,6% dos entrevistados tomaram conhecimento do áudio vazado e, desses, 65,2% afirmaram que as informações na conversa entre Flávio e Vorcaro não surpreenderam.
Quando perguntados especificamente sobre as consequências eleitorais, 45,1% consideraram que a pré-candidatura do senador "enfraqueceu muito" e outros 19% avaliaram que "enfraqueceu um pouco". Para 15%, o caso não prejudica Flávio e 13,4% afirmaram que a pré-candidatura saiu fortalecida.
Em relação ao voto em si, 9,4% afirmaram ter ficado "muito menos disposto a votar nele" e 3,6% "menos disposto a votar nele". Por outro lado, 21% afirmaram que não mudariam a disposição de voto por causa desse caso.
Além disso, houve uma mudança na percepção do eleitorado sobre a participação de políticos no esquema de fraudes financeiras do Banco Master. Se antes era um assunto ligado ao grupo político de Lula, passou a ser ligado aos aliados da família Bolsonaro.
Em março, 39,5% responderam que o esquema estava ligado aos aliados de Lula, contra 28,3% dos entrevistados que apontavam os aliados de Bolsonaro como principais envolvidos. Após o vazamento, a pesquisa aponta que o grupo político do ex-presidente passou a ser ligado ao caso do Banco Master para 43,3% das pessoas que responderam à pesquisa. A percepção de ligação com Lula e o PT diminuiu para 32,8% dos entrevistados.
VEJA TAMBÉM:
Equipe de Flávio Bolsonaro questiona pesquisa no TSE
Após a divulgação da pesquisa, a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro informou que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o instituto. Segundo a equipe do senador, a pesquisa é "fraudulenta".
"A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados", argumentou a pré-campanha de Flávio.
Além das perguntas feitas aos entrevistados, a AtlasIntel apresentou um vídeo com as conversas entre Flávio e Vorcaro e pediu a avaliação das pessoas a respeito da gravidade do que era falado.
O diretor-executivo da AtlasIntel, Andrei Roman, descartou interferência do vídeo nas respostas, visto que ele foi mostrado apenas ao final da pesquisa. "O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e, portanto, não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica”, declarou.
Metodologia das pesquisas citadas
- AtlasIntel 19/5/2026: A AtlasIntel ouviu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.
- AtlasIntel 28/4/2026: A AtlasIntel ouviu 5.008 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 22 e 27 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-07992/2026.
- AtlasIntel 25/3/2026: A AtlasIntel entrevistou 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março. A pesquisa foi contratada pelo AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-04227/2026.












