Sergey Brin, um dos fundadores do Google, no lançamento do Buz: agregando conteúdo de diversas redes sociais| Foto: Robert Galbraith/Reuters

Todos querem tirar uma casquinha do crescimento das redes sociais. Nessa briga, vale copiar descaradamente o concorrente e transferir uma base de clientes já existente para um outro produto. É algo assim que o Google está tentando como Buzz, lançado na terça-feira. Não chega a ser mais uma aplicação, mas um "aditivo" que a empresa implantou no popularíssimo Gmail. O Buzz funciona como um agregador das atividades do usuário em algumas redes sociais – Twitter, Flickr, Picasa (do próprio Google) já estão incluídos no pacote.Ao contrário de outras novidades do Google, não é preciso inscrever-se para o Buzz, nem ser convidado. Todos os usuários do Gmail terão o ícone colorido do Buzz acrescentado na barra lateral. Mesmo que o usuário não esteja muito preocupado com isso, ele vai aparecer.

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E, quando chegar, não estará sozinho. O Buzz gera automaticamente para o usuário uma lista de seguidores, à moda do Twitter. O sujeito abre a aplicação pela primeira vez e descobre que já está "seguindo" 10 ou 12 pessoas. A lista surge a partir dos contatos mais frequentes do Gmail e o Gtalk (a aplicação de bate-papo do Google, que nunca rivalizou com o MSN, mas ganhou alguma popularidade depois que foi embutida na página de entrada do correio eletrônico).

Esse é um problema do Buzz, que pode gerar alguma dor de cabeça para o usuário. Se a pessoa tem um perfil público de usuário, a lista de seguidores e de "seguidos" aparece para qualquer um que o acessar – o su chefe, por exemplo. E, se você andou trocando recentemente e-mails um concorrente, é possível que ele apareça na sua lista. A falha foi apontada pelo site americano Business Insider. Nada, no entanto, que um pouco de cautela não possa resolver, com alterações no perfil.

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Na primeiras horas depois do lançamento, as opiniões foram divididas. Houve quem apontasse grandes virtudes na aplicação e um número apreciável de pessoas que não viram nada além de mais uma tentativa de emular produtos bem sucedidos, como o Twitter e o Facebook – blogueiro Ryan Singel, em sua coluna no website da revista Wired, chegou a dizer que o objetivo do lançamento era "murchar" o Fa­­cebook.

Uma versão do Buzz para ser usada em smartphones foi lançada simultaneamente. A facilidade para postar a partir de telefones móveis foi uma vantagem do Twitter desde seu nascimento, e é uma das razões de sua popularidade. O Buzz tenta acompanhar isso. As versões para iPhone e Android – outro produto do universo Google – já podem ser baixadas nas respectivas lojas de aplicativos.

"Se você pensar a respeito, verá que sempre houve uma grande rede social subjacente ao Gmail", observou Todd Jackson, gerente de produto do Gmail, numa apresentação do Buzz publicada no site corporativo do Google. "O Buzz traz essa rede para a superfície, ao programar-se para que você siga automaticamente as pessoas com quem tem mais contato por e-mail e chat."

Essa rede já inclui outros produtos da família Google, como os documentos do Google Docs e as notícias do Reader – isso sem contar com o já citado Picasa. Todos esses podem sincronizar-se com o Gmail, sem que o usuário precise mexer em nenhuma configuração.

Não é a primeira vez que o Google lança uma ferramenta que se propõe a integrar diversas formas de comunicação. No ano passado, a empresa criou muita agitação na internet com o Wave, uma ferramenta que permita bate-papo e compartilhamento de arqui­­vos em tempo real. Passados seis meses, no entanto, pouca gente se lembra do Wave.

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