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O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, fechou nesta segunda-feira (11) em alta de 0,19%, aos 58.544 pontos. O índice passou a maior parte do dia no campo negativo, puxado pela forte queda das ações da OGX, mas se recuperou no final das negociações por conta da alta de 3% dos papéis da Petrobras. A empresa do ramo de petróleo do grupo EBX, de Eike Batista, divulgou nesta manhã um relatório mostrando que teve em fevereiro o seu menor volume de produção médio por poço desde que começou a produzir petróleo, no começo do ano passado. De acordo com a empresa, a média por poço foi de 3,8 mil bpd (barris de óleo equivalente por dia) em fevereiro. Este foi o segundo mês de produção comercial do poço TBAZ-1HP, no Campo de Tubarão Azul.

A empresa produz também, desde o ano passado, nos poços OGX-26HP e OGX-68HP, no Complexo de Waimea, também no campo de Tubarão Azul. Entre setembro e dezembro de 2012, ainda apenas com dois poços operando, a OGX manteve a média entre 5,2 e 5,1 mil barris diários por poço. Em janeiro, com a entrada em operação do TBAZ-1HP, a média por poço caiu para 4,9 mil barris por dia, vindo a cair ainda mais em fevereiro.

Na semana passada, os papéis da OGX e de outras companhias do grupo EBX chegaram a disparar até 17% após o anúncio de uma parceria com o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. No entanto, hoje, a ação da OGX caiu 14,79%, para R$ 2,65. O papel possui representatividade de cerca de 3% no Ibovespa, ou seja, seu desempenho pode influenciar a tendência do índice. Ao longo do dia, as ações da companhia chegaram a cair 19,5%, para R$ 2,49 cada -menor valor desde que estrearam na Bolsa brasileira, em 2008.

O desempenho das ações da OGX acaba refletindo sobre os demais papéis do grupo EBX, especialmente aqueles do Ibovespa. Depois de terem registrado queda em boa parte do dia, as ações da MMX Mineração e da LLX Logística mudaram a tendência e fecharam o dia em altas de 1,66% e 0,41%, respectivamente.

Corte em estimativas

O analista Luiz Caetano, da Planner Corretora, reduziu seu preço justo para as ações da companhia de R$ 9,60 para R$ 4,80. Caetano explica que o preço justo anterior refletia a perspectiva de que a OGX manteria uma vazão média para seus poços de 5 mil bpd (barris de óleo equivalente por dia). "Porém, como a empresa agora não consegue manter uma média de 5 mil bpd de vazão no terceiro poço, não podemos manter este nível para todos os outros, como fizemos na projeção inicial".

A nova estimativa da Planner é que a plataforma OSX-1 irá produzir uma média de 3,8 mil bpd por poço e nas outras duas plataformas uma produção de 4 mil bdp por poço, em "meados de 2016". Além disso, a estimativa de Caetano para a taxa de depleção (queda na produção pela exaustão) dos poços da OGX foi aumentada de 6% para 8% ao ano.

Perspectivas

"Acredito que, enquanto a empresa não mostrar um nível estável de produção em seus poços, as ações vão ser bastante penalizadas", disse o analista da Planner. "No entanto, a OGX ainda tem muitas perspectivas que, se concretizadas, podem mudar a visão dos investidores no longo prazo", completou. Entre estas perspectivas, segundo Caetano, está a prospecção em outras Bacias que não foram adequadamente pesquisadas, como a Bacia de Santos, Espírito Santo e Pará-Maranhão.

"No entanto, o fato que teria maior impacto na ação no curto prazo (este ano) seria a venda de uma participação na própria OGX ou em algum campo de petróleo, preferencialmente para uma empresa petrolífera internacional", disse o analista da Planner.

Para Caetano, além de uma entrada de recursos substancial, esta operação iria significar um "carimbo" de qualidade na empresa e em suas reservas de petróleo.

Frente a queda na produção de fevereiro, o analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, disse que "está fortemente reiterada a recomendação de venda" das ações da OGX. Segundo Sequeira, o números divulgados pela companhia hoje aumentaram ainda mais algumas questões cruciais sobre as operações da empresa.

Entre elas, destaca o analista, está a dificuldade geológica para a extração do petróleo, evidenciada pela baixa na taxa de produção, especialmente após a conexão do terceiro poço produtivo da companhia. "Isso deve atrasar ainda mais a conexão do quarto poço", avalia.

Sequeira recomenda que o investidor venda a ação que possui da OGX também baseando-se na perspectiva de que é improvável que aconteça uma venda de parte da empresa, ao menos em breve.

Uma alternativa para quem quer investir no setor de petróleo e gás, mas fugindo das oscilações recentes das ações de OGX e Petrobras, segundo Luiz Otavio Broad, da Ágora Corretora, seria aplicar em papéis da Queiroz Galvão.

"Acho que essas ações estão subavaliadas e há espaço para crescimento", disse Broad. Com recomendação de compra para os papéis da Queiroz Galvão, o analista da Ágora possui um preço-alvo de R$ 17,40 ao final de 2013 -nessa segunda, a ação fechou em R$ 11,99. O economista-chefe da Souza Barros, Clodoir Vieira, avalia, porém, que o investidor com foco no longo prazo (acima de três anos) pode continuar aplicando no setor de petróleo, mas em ações da Petrobras.

"Entre as empresas de petróleo na Bolsa, a única que considero como um investimento sólido e que possui dados plausíveis para fazermos projeções é a Petrobras", disse Vieira. Para o economista, a Petrobras está passando por uma turbulência, especialmente pela intervenção do governo, seu principal acionista, mas no longo prazo deve voltar a expandir lucros. "As empresas de Eike são voláteis e suas cotações tendem a oscilar de acordo com o que o empresário promete, mas nem sempre entrega. Ainda não vejo dados concretos para que eu possa avaliar essas ações", concluiu Vieira.

Agenda

A agenda econômica desta segunda também alimentou o sentimento de aversão ao risco entre os investidores. Na Europa, a economia da Itália contraiu 0,9% no quarto trimestre de 2012, em linha com uma estimativa preliminar. O PIB (Produto Interno Bruto) do país recuou 2,8% na comparação anual, de acordo com dados divulgados nesta segunda.

Em meio ao clima de incertezas que ronda o velho continente, especialmente na Itália, a agência de classificação de risco Fitch reduziu seu rating (nota de classificação de risco) italiano de "A-" para "BBB+".

Na Ásia, indicadores econômicos chineses divulgados no fim de semana sinalizaram um dilema para as autoridades, uma vez que a inflação atingiu uma máxima de 10 meses em fevereiro, enquanto a produção industrial e os gastos do consumidor foram mais fracos do que o previsto.

Por aqui, analistas ouvidos no relatório Focus do Banco Central agora esperam que a taxa básica de juros nacional -a Selic- termine 2013 em 8% ao ano, depois de 16 semanas seguidas de estabilidade nas previsões, que se mantinha em 7,25% ao ano. Além disso, os analistas consultados no Focus voltaram a elevar a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) -indicador oficial da inflação no país-- em 2013, a 5,82%, ante 5,70% na semana anterior.

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