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Pagamentos instantâneos

Revolução de hábitos e impulso à economia: como a moeda digital avança no mundo

  • PorAndrea Torrente, especial para a Gazeta do Povo
  • 06/09/2020 14:41
pagamentos celular
Pagamentos via smartphone vão se popularizar cada vez mais: uma ferramenta é o QR Code.| Foto: Bigstock.

O dinheiro físico está desaparecendo em muitos países do mundo e alguns já estão em etapas mais avançadas dessa transição: exemplos vêm da China, Suécia, Índia e México. O Brasil ainda está na fase inicial dessa revolução: está implantando agora um sistema de pagamentos instantâneos e algumas políticas do governo parecem ir na contramão, como a hipótese de um imposto sobre transações financeiras e o lançamento da cédula de R$ 200.

De qualquer forma, o dado foi lançado e já não tem mais volta. "O Brasil está hoje como a Índia estava em 2017", afirma João Bragança, executivo da consultoria Roland Berger. Naquele ano, o país asiático implementou a UPI (Unified Payments Interface), plataforma equivalente o PIX brasileiro e três anos depois, 25% de todas as transações foram realizadas pelo sistema. "Daqui a três anos teremos no Brasil a mesma porcentagem de transações que na Índia? Eu diria que é um cenário conservador", avalia Bragança.

A Índia é um dos países que mais rapidamente vem se adaptando aos novos tempos com o objetivo de combater a falsificação de notas e a sonegação. Para isso, o Banco Central indiano criou a UPI, interface que integra todos os atores financeiros e seus respectivos recursos num único lugar. Por meio de um só aplicativo, o cliente pode acessar diversas contas bancárias, efetuar transações 24 horas por dia, sete dias na semana, fazer pagamentos de qualquer tipo. Atualmente 164 bancos participam da plataforma.

É suficiente ter um smartphone para poder controlar todos os aspectos da sua vida financeira num único aplicativo. Para fomentar a moeda digital e as transações instantâneas, o governo fixou o teto dos pagamentos em espécie a R$ 689 por dia. Para atender a população mais carente, que não dispõe de smartphone ou conexão à internet, desde 2007 existe um sistema que permite pagamentos e transferências via SMS. Uma ferramenta essencial para dezenas de milhões de pessoas.

No ano passado, o México lançou uma ferramenta semelhante ao PIX. Desenvolvido pelo Banco Central mexicano, o aplicativo CoDi permite transferências instantâneas entre pessoas físicas e jurídicas. A diferença com o Brasil é que o PIX não será um aplicativo único, mas apenas uma interface comum que vai integrar a miríade de apps desenvolvidos por bancos, fintechs e outros players do mercado.

Em dezembro de 2019, o CoDi contava com 1,8 milhão de usuários, de acordo com o BC mexicano. A estimativa para setembro deste ano é alcançar 18 milhões. Até o fim de julho foram realizadas operações por um valor total de 549 milhões de pesos, o equivalente a R$ 129 milhões.

A tendência é mundial e cada país desenvolve as ferramentas mais adequadas para atender a sua população. Suécia, Coreia do Sul e China estão entre os países cada vez mais próximos da sociedade “cashless”, sem dinheiro em espécie circulando. No país escandinavo, quatro em cada cinco compras já são feitas eletronicamente, de acordo com o governo. O resultado foi uma queda drástica nas fraudes e na economia informal, além de uma disparada do comércio eletrônico.

Os efeitos da digitalização se refletem na economia de um país como um todo. Economias que usam mais o dinheiro vivo tendem a crescer mais devagar e a perder significativos benefícios financeiros, segundo uma análise do Boston Consulting Group. Ao contrário, economias que substituíram o analógico pelo digital têm mais sucesso: a troca pode impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) até 3%.

A transformação que a moeda digital provocou na China

A China é talvez o exemplo mais emblemático de transformação da sociedade provocada pela moeda digital. Em 2019, 633 milhões de chineses – quase metade da população – usaram os meios eletrônicos de pagamentos. Ao longo dos anos, diversas tecnologias têm sido aproveitadas para fazer as transferências: bluetooth, biometria, comando vocal e até realidade virtual.

Aplicativos extremamente populares lideram a revolução digital, como o Alipay, da gigante do e-commerce Alibaba, e o WeChat, desenvolvido pela Tencent. Esses dois apps são verdadeiros canivetes suíços tecnológicos que disponibilizam inúmeros serviços numa única plataforma: pagamentos por QR Code, transferências entre usuários, cartão de crédito e gestão da conta bancária, além de chat, jogos eletrônicos e videoconferências.

Em algumas cidades, até o reconhecimento facial foi introduzido como meio de validação dos pagamentos em lojas, restaurantes e transporte público. A solução, controversa porque usada pelo governo chinês para monitorar a população, permite do ponto de vista prático pagamentos mesmo tendo esquecido a carteira ou o celular em casa. O nome da tecnologia, Smile to Pay, já diz tudo: basta sorrir na frente da câmera para liberar o dinheiro que é descontado da carteira digital associada ao rosto.

“Essa é uma lição que a China ensinou: aplicativos com muita recorrência que promovem o serviço de pagamentos ajudam a ‘pegar’ porque o serviço fica num aplicativo que todo mundo tem”, afirma Felipe Zmoginski, CEO da Inovasia e colunista do Gazz Conecta, da Gazeta do Povo, ao avaliar a entrada do WhatsApp Pay no mercado de pagamentos.

Segundo ele, porém, a taxa de 3,99% cobrada sobre as transações pelo aplicativo de Mark Zuckerberge pode ser um entrave para a disseminação do serviço. “Na China, na fase inicial de popularização dos apps, foi o contrário. Não só não tinha taxa, mas tinha até cashback”, explica o empresário.

Atualmente o WhatsApp Pay está em fase de testes e aguarda aval do Banco Central para começar a operar. As autoridades avaliam que o app tem potencial para concentrar grande poder nas mãos de apenas uma empresa.

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Comentários [ 9 ]

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    Ricardo Amaral

    ± 0 minutos

    Pode vir a "revolução" que quiserem, mas nunca vou deixar de ter numerário sempre a mão, a não ser que me proíbam de tê-lo. Estão vendendo o PIx como uma panaceia e não é bem assim. Duvido que os bancos vão deixar os clientes transacionarem à vontade. Com certeza vão liberar apenas uma certa quantidade de Pixes por dia, semana ou mês, e vão cobrar o excedente. E pros hackers vai ser uma festa de copiar interface de meio de pagamento e banco pra tirar dinheiro dos incautos. Muito me admira este diário fazer esta matéria sem dar o contraponto....fica parecendo propaganda.

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    VALDIR RIBATSKI

    ± 5 dias

    A coisa tem que acontecer naturalmente e não porque a China usa nos temos que usar...

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    Pedro Zanoni

    ± 5 dias

    TEM QUE MOSTRAR SEGURANCA PARA TER COFIABILIDADE E ACEITAÇÃO

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    Pedro Zanoni

    ± 5 dias

    A CAPACIDADE DE ADAPTACAO DO BRASILEIRO È SEM PREVISAO....DAQUI ! ANO VOLTAMOS FALAR....E QUE NEM CELULAR ...AH VAI DEMORAR A ADAPTAR ?? DEMOROU ?? QUANTOS TEM HOJE... ASSIM VAI SER O PAGAMENTO INSTANTANEO

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    André

    ± 5 dias

    O problema é alguma dessas empresas que intermedeiam pagamentos resolver bloquear alguém por motivos políticos., como foi no caso do 0lavo de Carvalho. Eles se arvoram no direito de se meter na relação voluntária entre cliente e prestador do serviço.

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  • M

    Maquiavel

    ± 6 dias

    Os hackers vão fazer a festa

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  • F

    FB

    ± 6 dias

    Se bem planejado, com todas as salva guardas para privacidade e contra abusos do estado, pode ser bom. Em grandes cidades do Brasil, o uso de dinheiro físico já é bem raro entre a classe média para cima. Faz mais de 8 meses que nem vou sacar dinheiro, ato muito raro até antes da pandemia. O problema disso no Brasil é que pode causar a população mais idosa, que tem bem menos escolaridade e conhecimento técnico quase nulo, ser relegada ao ostracismo total.

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    Celito Medeiros

    ± 6 dias

    Não quero saber de moeda digital, de papéis e sinto saudade da história dos tempos das trocas. O Brasil é o país que pode alimentar o Mundo, então atacam com mentiras sobre a Amazônia, cenários de efeito estufa e aquecimento global, quando quem proporciona isto são os países de grande economia e na área ambiental são meras porcarias. Querem Florestas, vão fazer reflorestamento de verdade já que o que era natural devastaram tudo. O Brasil pode e deve ter comércio com todos, mas também se impor em algumas medidas que pensam só eles terem o Coringa! Temos um Povo maravilhoso, de todas as Origens!

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    Roberto Garcia

    ± 6 dias

    Perturbador porque tem consequências sociais e políticas muito sérias no longo prazo. Controle total sobre a população. Nem Orwel sonhou com isso.

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