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| Foto: Antonio Cruz/ABr

Enquanto o Congresso avalia o pedido de impeachment de Dilma Rousseff e o vice Michel Temer ensaia o discurso de posse, economistas projetam o que seria da economia brasileira sem a presidente.

A expectativa predominante é de que os indicadores devem melhorar, não só porque o vice-presidente Michel Temer – sucessor no caso de impeachment – acena com reformas para recolocar nos eixos as contas públicas, mas também porque a mera saída da petista tende a elevar os índices de confiança de empresários e consumidores, o que ajudaria a desemperrar algumas decisões de investimento e consumo.

No momento, é mais fácil acreditar no efeito econômico da melhora dos ânimos do que na questão do ajuste fiscal e das reformas estruturais. As mudanças de cunho liberal propostas por Temer são bastante impopulares, conforme revelou a Gazeta do Povo no fim de semana, e no momento é difícil saber qual seria o empenho do pemedebista em tentar implantá-las e do Congresso em aprová-las.

O próprio vice-presidente avisou, na gravação que enviou a parlamentares do PMDB, que “vamos ter muitos sacrifícios pela frente” e que não se pode pensar que “em três ou quatro meses tudo estará resolvido”. “Em três ou quatro meses pode começar a ser encaminhado, para resolvermos a matéria ao longo do tempo”, avisou.

Por que o mercado quer o impeachment?

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Dólar e câmbio

Projeções de 14 bancos e corretoras consultados pelo jornal Valor Econômico sugerem que, caso Dilma deixe a presidência, o dólar, hoje em R$ 3,49, poderia cair para perto de R$ 3,40.

A Bovespa, que fechou a sessão de terça-feira (12) na casa dos 52 mil pontos, chegaria a quase 57 mil pontos, segundo as medianas dos palpites das instituições.

Dólar e Bolsa não devem ir muito longe de onde estão porque o mercado já vem, há várias semanas, “antecipando” a queda da presidente.

Se Dilma permanecer no poder, o preço do câmbio e das ações devem tomar direção oposta, de volta aos patamares onde estavam antes de as coisas complicarem para a presidente. Na mediana das apostas dos bancos e corretoras, o dólar voltaria à casa dos R$ 4 e o Ibovespa cairia para perto de 40 mil pontos.

Indicadores econômicos

A consultoria paulista Rosenberg Associados foi além e estimou qual seria o desempenho de oito indicadores econômicos em 2016, 2017 e 2018 com a saída de Dilma, e também com a permanência dela no poder.

O exercício de futurologia indica que, sem Dilma, a economia voltaria a crescer já em 2017, a inflação e os juros cairiam mais rapidamente, o dólar ficaria mais barato e o investimento estrangeiro no país cresceria. O saldo da balança comercial seria menor por causa do real valorizado, mas o resultado de todas as transações correntes com o exterior ficaria menos negativo.

O que mais demoraria a melhorar seriam as contas públicas. Mesmo com a saída de Dilma, o resultado primário (antes do pagamento dos juros da dívida), hoje deficitário, voltaria a zero apenas em 2018. Confira abaixo as estimativas da consultoria:

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