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Empréstimo

Computador e eletrodomésticos vão parar na folha de pagamento

Bancos e fabricantes usam crédito consignado para vender produtos sem risco

Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando | Reprodução/Globo Online
Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando (Foto: Reprodução/Globo Online)

As grandes varejistas que se cuidem. Os bancos e os fabricantes de eletrodomésticos e computadores começam a oferecer ao consumidor a possibilidade de comprar os produtos direto da fábrica, com preço abaixo do praticado pelo mercado, parcelas a perder de vista e juro baixo. A façanha é possível graças à modalidade de crédito consignado, com desconto na folha de pagamento – e que de quebra ainda elimina, para quem vende, a possibilidade de inadimplência por parte do comprador.

"A mecânica do consignado é de extremo sucesso pelo número de parcelas e pelo baixo custo do empréstimo", diz André Malucelli, diretor do Paraná Banco, instituição especializada na concessão de crédito consignado. Recentemente, o banco lançou o programa EletroJá, com parcerias com as fabricantes Electrolux, Philips e Positivo Informática, para vender, na modalidade do consignado, computadores, máquinas de lavar roupa, aparelhos de som e televisão, secadoras, microondas e outros.

Os dados do Paraná Banco mostram que aproximadamente 50% dos funcionários públicos no país usam o empréstimo consignado para suprir necessidades pessoais, por falta de outras opções de crédito. Outros 50%, diz Malucelli, têm acesso ao sistema bancário e cheque especial. "Eles não usam o empréstimo pessoal para compensar a falta de dinheiro, mas se propõem a usar o consignado para adquirir um bem", destaca o executivo. "Essa mecânica é um sucesso no Brasil, não só para funcionários públicos, mas também para os de empresas privadas, aposentados e pensionistas."

Foi o caso do casal Rosi e Eliseu de Oliveira, que, na última sexta-feira, procurou uma franquia do Paraná Banco para comprar uma nova máquina de lavar. Ela, dona-de-casa, passou a lavar à mão as roupas do filho de 4 anos depois que a máquina que eles tinham estragou. "A outra estava velha e eu fazia quase tudo na mão", conta. De quebra, comprou também um aparelho de som para a casa.

As prestações, de R$ 79,90, serão descontadas da aposentadoria do marido, durante 24 meses, com juros de cerca de 2%. Para Rosi, o longo prazo de pagamento e a taxa de juros não são tão importantes quanto o fato de que a prestação cabe no orçamento.

Malucelli conta que as vendas de eletrodomésticos – cuja parceria foi firmada há 90 dias – têm crescido na ordem de 40% ao mês. "A modalidade é nova, e o público alvo também é novo. A gente está tendo que utilizar a melhor forma de abordagem para vender." Para comprar os produtos, o cliente pode acessar o site www.eletroja. com.br ou visitar uma das franquias do banco.

Desde 2005, quando a Positivo Informática, líder nacional na fabricação de computadores pessoais, firmou parcerias com financeiras e começou a vender computadores com desconto da parcela na folha de pagamento dos compradores, já foram mais de 3 mil unidades. Idel Bacal, diretor comercial corporativo da Positivo Informática, conta que as vendas devem crescer bastante nos próximos dois meses. "Tipicamente as vendas aumentam muito no final do ano, pois nessa época a população recebe o 13.º salário e as empresas executam planos de benefícios para funcionários." Além do Paraná Banco, a Positivo Informática já firmou parcerias com o Banco do Brasil, BESC, HSBC e o Banco VR.

Outra fabricante de computadores vem ao Paraná com a modalidade do consignado. Trata-se da First International Computer (FIC), multinacional de Taiwan que chegou ao Brasil em 1997 para fabricar para a Compaq e Toshiba, mas que no início deste ano lançou sua marca própria de computadores pessoais: a Imagine PC. Além de vender no varejo e atuar em licitações, a FIC aposta na venda com desconto na folha de pagamento.

Uma máquina de configuração básica, pela modalidade, pode sair a partir de R$ 29,55 por mês, em 48 vezes. "É uma prestação que cabe no bolso do consumidor. Um de nossos principais alvos é o público de baixa renda. É a pessoa que já comprou a televisão, e agora vai comprar o PC", conta André Salles, gerente comercial da FIC.

Para levar a idéia adiante, a empresa procura parceiros no Paraná para intermediar a venda. "No Paraná a gente está em conversa, mas ainda não há nada oficializado. Precisamos antes estabelecer parcerias com quem já conhece o mercado", diz Salles. No Brasil, a FIC negocia seus produtos por meio do Banco do Brasil, Banco Rural, Caixa, Intermedium (do grupo MRV) e BMC (do Bradesco), entre outros.

As parcerias resultaram no financiamento, este ano, de 30 mil computadores pessoais. Com a utilização de toda a capacidade produtiva da fábrica instalada no Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, (MG), a empresa espera vender, até o fim do ano, 100 mil máquinas na modalidade do crédito consignado.

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