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Para entender

Congresso decide hoje futuro da isenção para compras internacionais de até 50 dólares

Marketplaces como Shein estão entre principais beneficiadas com fim da taxa das blusinhas (Foto: EFE/EPA/MAY JAMES)

Deputados e senadores votam nesta quinta-feira (3) a medida provisória que encerra definitivamente o imposto de 20% sobre compras internacionais de baixo valor. Conhecida como taxa das blusinhas, a cobrança está suspensa desde maio por decisão do governo federal. A votação ocorre em meio ao período eleitoral e divide opiniões entre o setor produtivo nacional e as plataformas de comércio eletrônico.

Quais são os principais grupos beneficiados pela manutenção da isenção?

Os maiores beneficiados com o fim do imposto são os consumidores finais e as plataformas de vendas estrangeiras, conhecidas como marketplaces. Com a isenção de 20% para produtos de até 50 dólares, o preço final para quem compra itens de sites chineses, por exemplo, cai consideravelmente. Isso aumenta o poder de compra de milhões de brasileiros, especialmente da classe média, que utiliza esses canais para adquirir roupas e acessórios baratos. Além disso, as empresas internacionais ganham mais força e competitividade para disputar o mercado brasileiro contra as lojas locais.

Por que a indústria e o varejo brasileiro criticam a aprovação dessa medida?

Empresas brasileiras argumentam que a falta de imposto para importados gera uma concorrência desleal. Enquanto os produtos que vêm de fora pagam taxas menores, as empresas que fabricam ou vendem no Brasil enfrentam uma carga tributária média de 76,48%. Entidades como a CNI e a CNC alertam que essa diferença prejudica o faturamento nacional e coloca em risco milhares de empregos. Segundo essas organizações, a manutenção da taxa ajudava a equilibrar o jogo, e o fim dela pode causar uma queda bilionária na produção doméstica e afetar a sobrevivência de pequenos lojistas brasileiros.

Qual é o impacto real dessa mudança no mercado de trabalho nacional?

Existe uma divergência de dados sobre o tema. De um lado, entidades do setor produtivo afirmam que o fim do imposto coloca em risco mais de 100 mil empregos formais na indústria e no comércio. De outro, estudos de consultorias econômicas indicam que a queda de postos de trabalho após a suspensão da taxa foi considerada marginal, representando menos de 1% do total de empregos desses setores. Especialistas apontam que a contratação no Brasil depende de fatores econômicos muito maiores do que apenas a tributação de encomendas de baixo valor feitas por pessoas físicas pela internet.

Qual é o interesse político por trás da votação desta medida provisória?

A aprovação da MP é vista como um movimento estratégico do governo em pleno ano eleitoral. Embora a própria gestão atual tenha criado a taxa em 2024 para atender pedidos da indústria nacional, o recuo agora serve como um aceno aos eleitores de classe média que ficaram insatisfeitos com o novo tributo. Ao zerar o imposto de importação para compras pequenas, o governo busca reduzir o desgaste político e melhorar sua imagem popular. No entanto, essa escolha implica em abrir mão de uma parte da arrecadação federal em troca de um possível ganho de popularidade nas urnas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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