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Curitiba – Nada menos do que 743 lojas atravessarão a madrugada de portas abertas em quatro grandes shopping centers de Curitiba, na véspera do Natal. Elas mobilizam uma brigada de 7,8 mil vendedores – número que equivale, por exemplo, à metade do efetivo que a Polícia Militar emprega no policiamento em todo o Paraná. Toda essa gente estará em um dos turnos da inédita maratona de 32 horas de vendas. A jornada noite adentro vai testar o fôlego do consumidor local, como fez em São Paulo no ano passado. Os paulistanos passaram com louvor e os lojistas comemoraram faturamento equivalente ao de três natais, segundo avaliação do Multiplan, administrador em Curitiba do Park Shopping Barigüi, que lançou a moda na cidade.

Na capital do Paraná, a adesão do consumidor aos shoppings madrugueiros ainda é uma incógnita e o bate-boca está aberto. Embora o horário esticado tenha sido decidido em assembléias pelos lojistas, é difícil achar um comerciante de pequeno porte que esteja animado com a decisão. Entre os consumidores, as opiniões se dividem, mas céticos como a psicóloga Shani Falchetti, que ontem à tarde fazia suas compras no shopping Mueller, trazem argumentos como o medo da violência para sair de casa de madrugada. Os empregados, por sua vez, preferem não se expor, mas usam a voz do sindicato da categoria para pôr mais lenha na fogueira. O caso pode parar na Delegacia Regional do Trabalho, na semana que vem.

Boa parte dos pequenos lojistas ouvidos ontem diz estar encontrando dificuldades para escalar os trabalhadores, que por lei não poderão exceder as oito horas normais e mais duas extras. Preocupada com a segurança e a qualidade do atendimento, a gerente da Bergerson Joalheiros do shopping Mueller, Irene Bizinelli, não sabe como montar a escala. "Nós estamos em dúvida sobre como fazer a divisão de turno, pois temos nessa loja apenas 12 colaboradores. Neste período também não fazemos novas contratações, pois nosso setor exige muito cuidado", informa Irene, que trabalha há 14 anos na loja. Segundo ela, a abertura do shopping de madrugada é uma nova experiência, mas o consumidor curitibano não tem perfil para sair às compras de madrugada. "Na ocasião em que ficamos abertos até a meia-noite, por volta das 23 horas o movimento já era pequeno", ressalta.

No shopping Estação, a gerente da Schooner, Marli Aparecida Corrêa, não vê necessidade de abrir até as 2 horas da madrugada, mas terá de acompanhar o horário do shopping. Na Back-wash do shopping Mueller, que também vende moda jovem, Clarice Ferreira dos Santos não acha vantagem na abertura das lojas durante 32 horas. "É uma perda de tempo. Espero estar enganada, mas acredito que não vai ter movimento suficiente. As pessoas compram mais durante o dia." Ela terá que contratar mais funcionários para a véspera do Natal – o que acaba sendo uma boa notícia para quem está procurando um trabalho temporário –, pois os dez fixos não darão conta de um período tão extenso de atendimento.

Nem todo mundo está descontente. Já há consumidor marcando horário para depois da meia-noite nos salões de beleza Lady & Lord, segundo a gerente do salão do Curitiba, Cristiane Buzzi, que está começando a elaborar a escala de trabalho. Das 60 manicures, 10 esticarão o horário, e dois cabeleireiros vão dar plantão. Quem trabalhar de madrugada estará dispensado do expediente no dia 24.

O gerente da Lee do shopping Curitiba, Rogério Lopes, acredita em bons resultados. "Tudo é teste. Reforçamos a equipe para garantir ao consumidor o melhor atendimento possível", diz. A loja oferecerá transporte e alimentação aos funcionários, além do pagamento obrigatório de hora extra.

Raul Rafael Rocha Soto, da Trends do shopping Crystal, espera aumentar as vendas de brinquedos e artigos esportivos durante a maratona. "Ninguém vai poder reclamar que não teve tempo de fazer compras. No nosso caso, a abertura da loja de madrugada pode trazer pais que não poderiam vir durante o dia por não ter onde deixar as crianças."

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