Quem comprou um televisor de plasma nos últimos meses, impulsionado principalmente pelo apelo do comércio em relação à Copa do Mundo, pode não estar tão satisfeito quanto esperava. De acordo com diversas entidades de defesa do consumidor no país, estes aparelhos não possuem uma qualidade de imagem satisfatória na TV aberta e a cabo e, pior ainda, estragam se forem utilizados por muito tempo com a tela no formato padrão (quadrado) da TV e de videogames.

No Rio de Janeiro, as empresas Samsung, Phillips, Panasonic, Gradiente e Sony já foram obrigadas pela Justiça a informar os consumidores sobre os defeitos, através de uma liminar ganha pela Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do estado, enquanto um cliente da LG e das lojas Ponto Frio ganhou uma ação por reparação de danos morais porque seu aparelho estragou por problemas decorrentes da falta de informação.

Insatisfatório

Os televisores de plasma exibem uma imagem mais nítida no sistema digital, que deve chegar à TV aberta e a cabo somente no ano que vem. Porém, nas transmissões de TV fechada por satélite e em reproduções de DVD – usadas pelas lojas para expor o produto – a imagem fica boa.

Outro defeito apontado é que o televisor de plasma pode sofrer danos irreversíveis se ficar muito tempo sintonizado na TV aberta no formato padrão de 4:3 (quadrado). O tamanho da tela de plasma é ideal para exibir imagens no formato 16:9 (retangular), chamado de widescreen, semelhante ao tamanho da tela de cinema e disponível em DVDs e TVs por satélite. Quando este formato não é utilizado por mais de duas horas, podem surgir manchas onde não há imagem, como se a tela "queimasse" nessas áreas – o que é chamado de efeito "burn-in". O consumidor pode assistir à TV aberta no formato 16:9, mas a imagem fica "achatada". Fabricantes ou comerciantes, no entanto, não informam esse detalhe.

No Paraná, a Promotoria de Defesa do Consumidor de Curitiba, vinculada ao Ministério Público (MP), abriu investigação sobre a questão após receber uma denúncia. "O fabricante e o comerciante têm de informar o consumidor, porque ninguém quer adquirir um produto que venha a apresentar problemas depois", explica o promotor João Henrique Vilela da Silveira. "A principal preocupação é que o manual esclareça sobre os problemas", continua. O promotor acrescenta que os fabricantes Samsumg e LG devem responder ao MP até a semana que vem.

Fabricantes

A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), em nota distribuída à imprensa, reconhece que há falhas na exibição de imagens no formato 4:3, mas que os aparelhos foram "desenvolvidos tendo em vista a evolução da televisão e as novas tecnologias, seja da televisão paga quanto da digital". Quanto ao efeito "burn-in", a Eletros esclarece que é "um fenômeno remoto e de difícil percepção que não afeta significativamente a utilização normal do aparelho e que pode ocorrer tanto em TVs de plasma quanto de tubo (CRT), já que, em ambos os casos, é utilizado material fosforescente na composição da tela. Os televisores de plasma possuem recursos que minimizam esse efeito".

Serviço: Ministério Público: (41) 3250-4000.

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