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O engenheiro civil Mauro Roberto de Athayde foi imediatamente contratado pela empresa em que fez estágio nos últimos dois anos de faculdade, e considera que a área oferece boas perspectivas de crescimento profissional | Henry Milleo/ Gazeta do Povo
O engenheiro civil Mauro Roberto de Athayde foi imediatamente contratado pela empresa em que fez estágio nos últimos dois anos de faculdade, e considera que a área oferece boas perspectivas de crescimento profissional| Foto: Henry Milleo/ Gazeta do Povo
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O Ministério da Fazenda divulgou ontem um estudo em que prevê um crescimento médio de 5,9% da economia brasileira no governo Dilma Rousseff. Se a previsão for confirmada, e se o ritmo se mantiver até 2020, o Brasil corre o risco de um "apagão de engenheiros". Outro estudo divulgado ontem, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, se o país crescer em torno de 6% ao ano, demandará 1,16 milhão de engenheiros – e as faculdades não serão capazes de formar tantos profissionais.Nos outros dois cenários, com crescimento médio de 2,5% ou 4% do PIB, o mercado daria conta da demanda por profissionais, passando dos atuais 323 mil para no máximo 765 mil graduados. No entanto, a pesquisa leva em conta que "há diversos engenheiros trabalhando em funções que não são de engenharia, principalmente (em áreas) ligadas à administração e economia", o que seria um problema de difícil resolução no curto prazo. "A situação parece mais crítica no caso (...) das engenharias (...) nos setores de extração mineral (gás e petróleo), construção e infraestrutura", segundo a análise.

No setor da construção civil, a prática mostra que a escassez de mão de obra já existe, com importação de engenheiros de outros países, disputa por profissionais do ramo, valorização salarial crescente e empregabilidade plena dos egressos dos cursos de Engenharia. "Dos alunos que se formam aqui em Enge­nharia Civil, 60% deles permanecem como profissionais nas empresas que estagiaram e praticamente 100% têm emprego garantido. Acredito que o número seja um pouco menor nas outras engenharias, mas o mercado está aquecido e em crescimento", afirma o vice-reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e engenheiro civil Carlos Luciano Santana Vargas.

Valorização

Um desses exemplos é o engenheiro civil Mauro Roberto de Athayde, 23 anos. Nos últimos dois anos de faculdade, ele fez estágio na empresa de construção civil Unisul, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e quando se graduou foi imediatamente contratado. Segundo ele, a área oferece boa estabilidade para os novos profissionais, com salários atrativos e compensadores e com boa perspectiva de crescimento.

"O piso salarial da categoria varia entre 6 e 8 salários mínimos. Hoje há falta de profissionais e isso acaba elevando os salários oferecidos para engenheiros. Além disso, com uma pós-graduação é possível dobrar esse valor em pouco tempo; em média uns cinco anos, dependendo da especialização", diz Athayde.

De acordo com a pesquisa, essa valorização dos salários pode ser uma tendência. Mas há uma ressalva no que diz respeito à estagnação dos rendimentos da categoria nas décadas de 1980 e 1990. "É arriscado fazer tal assertiva [de que os salários estariam crescendo por conta da demanda] porque uma eventual evolução salarial crescente pode indicar uma recuperação da remuneração relativa dos engenheiros", diz o estudo.

Desafio é melhorar universidades

Em relação à formação dos engenheiros, as recomendações do relatório emitido pelo Ipea apontam para a melhoria do sistema educacional não apenas nas universidades, mas também no ensino médio. "As políticas públicas devem estar centradas não apenas na expansão das vagas nas universidades, mas na melhoria da qualidade dos ingressantes no ensino superior", diz o texto.

Ainda assim, aumentar as vagas nas faculdades se apresenta como um verdadeiro desafio. "Creio que seria viável dobrar o número de vagas, mas isso demandaria uma série de requisitos que hoje inexistem, como por exemplo a disponibilidade de professores. Com o mercado aquecido, os profissionais optam menos pela carreira acadêmica, que não acompanha a valorização salarial", diz o vice-reitor da UEPG, Carlos Vargas.

Além disso, seriam necessários grandes investimentos na melhoria da infraestrutura dos cursos. "Atualmente temos condições de formar até 45 alunos por ano. Caso tivéssemos de aumentar a oferta de vagas, seria preciso mais espaço físico, equipamentos e recursos", avalia o professor, que salienta que seria possível expandir o ensino superior na área, mas isso exigiria um plano de investimentos.

A evasão dos cursos de Engenharia também preocupa. Segundo Vargas, na UEPG o índice é de cerca de 20%. "Muitos iniciam o curso e depois se arrependem por vários motivos", descreve. Na opinião do engenheiro civil recém-formado Mauro de Athayde, alguns de seus colegas de faculdade desistiram porque os cursos não são atrativos nos primeiros anos. "No início é só cálculo e muitos desanimam. No meu caso, que consegui estágio desde o primeiro ano, foi diferente, pude ter contato com a profissão mais cedo e talvez isso tenha sido um diferencial", avalia.

Segundo a pesquisa do Ipea, "a expansão das vagas e dos diplomados em engenharias impõe desafios em relação à qualidade dos cursos, tanto nos sistemas públicos quanto nos sistemas privados de educação superior".

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