Veja uma simulação de seguro para duas situações |
Veja uma simulação de seguro para duas situações| Foto:

Mercado brasileiro ainda é pequeno

No ano passado, o mercado brasileiro de seguros movimentou R$ 67,8 bilhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados, do Ministério da Fazenda – o que corresponde a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Pouco, se comparado a mercados como Estados Unidos (9% do PIB), Japão (10%) e Reino Unido (15%).

O principal segmento no país é o de seguro de carros (R$ 20 bilhões em 2008). Ainda assim, entre os donos de automóveis, apenas três em cada dez estão segurados. No caso das residências, o porcentual de seguros não passa de 5%. Já a parcela da população que tem seguro de vida é de 16% e de seguros de saúde, 25%. "Temos no Brasil ainda uma grande oportunidade de crescimento no mercado de seguros. Apesar de ter preços acessíveis, a prática ainda está muito restrita às classes mais altas", diz o diretor regional da Allianz na Região Sul, Eduardo Grillo.

O presidente da Previsul, Ernesto Pedroso, também acredita que o mercado brasileiro de seguros tem muito a evoluir. "Nos Estados Unidos e na Europa, o seguro é visto como um investimento. O que ainda não acontece no Brasil. Precisamos de mais educação financeira", defende.

Tempos de crise

Especializada em seguro de pessoas, a Previsul espera crescer 10% neste ano, superando a marca de R$ 130 milhões de faturamento. Isso porque Pedroso aposta que, em tempos de crise, as pessoas buscam mais segurança. A empresa foi criada em 1906, em Porto Alegre (RS), e em 2005 foi vendida para o grupo paranaense Consulfac. Com o novo controle, os gastos passaram de 23% para 18% do orçamento, e o número de corretores saltou de 230 para 1,6 mil. (CS)

Benefícios

Tranquilidade atrai os segurados

O consultor Eraldo Luiz Constanski gasta cerca de R$ 1 mil por mês com seus nove seguros: da casa, dois carros, três de vida, dois seguros de saúde e uma previdência privada. "Acho importante ter seguros, para o caso de um problema que me impossibilite de continuar com as atividades, minha família fique amparada", diz. Ele conta que, por um tempo, chegou a fazer por conta própria uma reserva financeira, em vez de pagar os seguros de saúde. "Os demais seguros ficam mais difíceis, pois não temos o controle sobre acidentes e assaltos."

Constanski diz que nunca precisou usar os seguros, mas sabe que o processo, em geral, é bastante burocrático e o preço, em especial para veículos e vida, são muito caros. "Nos seguros de vida paga-se pela assistência em caso de uma ausência. Mas, se parar de pagar hoje, por exemplo, não recupero nada do que investi", reclama. "Acho que esses tipos de seguros deveriam ser mais flexíveis no caso de parar com os pagamentos."

Solteiro, com 31 anos, o médico radiologista Simon Bardoe também reclama do alto valor que paga pelo seguro do seu carro: R$ 130 todos os meses. "Sendo homem e jovem, estou no grupo de maior risco. E acabo pagando caro por isso, já que eles não levam em conta a história do próprio motorista." Mesmo assim, ele não tem dúvidas de que o gasto é indispensável. "Não dá para ficar sem."

Bardoe também paga R$ 170 menais por um seguro de vida. "Acho importante porque sou o filho mais velho e meu irmão também está em começo de carreira. Se acontecer algo, minha família tem uma garantia."

É justamente este o argumento de venda do diretor superintendente da Bergus Corretora, Vladimir Sipoli. "É uma garantia de continuidade que você dá aos seus filhos e à sua família", argumenta. "Você está comprando a herança deles."

Planejamento

Para o economista José Pio Martins, professor da Universidade Positivo, o valor dos seguros no Brasil pode ser considerado alto, se comparado ao padrão médio de renda da sua população. "Precisamos pensar que somos um país pobre, e que as famílias têm pouca renda disponível porque têm que arcar com altos tributos e serviços que o próprio governo não fornece com qualidade, como saúde e educação."

Por outro lado, Pio Martins não tem dúvidas de que o brasileiro precisa encontrar espaço no seu orçamento para pagar pelo menos dois seguros básicos: de saúde e do automóvel. "É claro que as pessoas pagam torcendo para não usar. Mas é preciso entrar no orçamento familiar." (CS)

  • Eraldo Constanski tem nove seguros, que custam R$ 1 mil por mês

Gastos com seguros se tornaram um item relevante na organização do orçamento doméstico. Uma família de classe média curitibana – com dois filhos, carro e apartamento próprios – gasta cerca de R$ 8 mil por ano se fizer seguros de vida, de saúde, do carro e da casa. Já um jovem solteiro que vive na mesma cidade precisa desembolsar a metade, cerca de R$ 4 mil anualmente.

O peso maior nessa lista de seguros, de acordo com a simulação feita pela Bergus Corretora de Seguros a pedido da Gazeta do Povo, está na garantia de assistência médica e hospitalar e a proteção do automóvel. Para cada um dos casos, porém, há uma lista enorme de variáveis que influenciam o preço. A lógica desse mercado é simples: quanto mais exposição ao risco, maior o custo. E para dimensionar essa exposição, as seguradoras têm uma enorme quantidade de estatísticas.

É pela diferença de exposição ao risco, por exemplo, que o casal da família em questão pagaria R$ 942,10 por ano para segurar seu carro, e o jovem, o dobro: R$ 1.898,32. "O seguro de carro, entre as várias categorias, é o que está mais conectado ao perfil de cada cliente", explica o diretor superintendente da Bergus, Vladimir Sipoli.

Estatisticamente, um jovem solteiro se arrisca mais que uma mulher ou um homem mais velho. Por isso, além do próprio modelo e ano do carro, a idade, o estado civil e o histórico do motorista influenciam diretamente no preço final do seguro. Até alguns comportamentos podem reduzir a fatura: quem sempre deixa o carro no estacionamento paga menos, enquanto quem trabalha e mora em cidades diferentes geralmente paga mais.

Lar

Se comparado ao seguro residencial, no entanto, o preço das apólices para automóveis é bastante elevado. "O risco para o carro é muito grande, enquanto a massa de segurados é pequena", explica o diretor regional da Allianz na Região Sul, Eduardo Grillo. "Para uma residência, a relação de risco é bem diferente."

Para uma casa de R$ 100 mil, o proprietário vai pagar cerca de R$ 180, segundo a simulação da Bergus. Para esse tipo de seguro, também há uma lista de variáveis que influenciam no valor: tipo de construção (alvenaria ou madeira) e localização, por exemplo. Além de outra enorme lista de opções de cobertura. "Você pode incluir no contrato o socorro em caso de encanamento furado ou a garantia para os eletrodomésticos da linha branca", explica o diretor da Protecta Seguros, Rodrigo Fatuch. "Ou ainda a troca de lâmpadas em locais muito altos, ou de difícil acesso."

Fatuch acredita que, pela lista de benefícios que podem ser incluídos, os seguros residenciais ainda são pouco explorados pelos brasileiros. "Muita gente, quando vai procurar um, se espanta com a possibilidade de itens que podem ser incluídos."

Quem tem animais em casa, por exemplo, pode ter assistência ao cão no seu contrato – você pode viajar, que o seguro paga o hotel para ele durante um determinado tempo. Quem mantém um escritório em casa pode ter garantia gratuita para seu computador. "Se souber aproveitar, o seguro residencial é bastante barato", defende Fatuch.

Outro item que pode estar incluso em um seguro residencial, mas pouca gente sabe, é a responsabilidade civil – ou seja, os danos causados a terceiros pelas pessoas que moram na casa. E isso inclui inclusive o cachorro da família: se ele morder alguém, o seguro cobre os gastos com hospital, ou mesmo com eventuais processos.

Vida

No caso dos seguros de vida, o preço está diretamente ligado à idade do contratante – os mais jovens têm maior expectativa de vida, mais tempo para contribuir e, teoricamente, um risco menor de morrer e, por isso, pagam menos mensalmente.

Grillo explica ainda que para as mulheres, em geral, o custo é menor, e a profissão também pode influenciar no valor. "O preço está diretamente ligado à pessoa e aos seus hábitos. E em alguns casos, as atividades de risco podem estar fora do contrato", explica. "Como um mergulhador, por exemplo. Para esta atividade, ele não está coberto."

Saúde

Os seguros de saúde são os que, segundo Sipoli, da Bergus, têm regras e padrões mais rigorosos – determinados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). "Há uma série de garantias que foram inseridas ao longo do tempo para evitar que não se entregue o que foi contratado", diz. "É uma conquista do consumidor." Na simulação feita pela corretora, a família precisa desembolsar R$ 6.113,20 por ano para fazer um seguro para os quatro integrantes.

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