Saldo de empregos poderia ser maior se não fossem as demissões ocorridas principalmente na indústria automotiva e construção civil| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O Paraná gerou 19.359 empregos formais nos últimos 12 meses até março, mas o saldo positivo poderia ser maior se não fossem as 6,6 mil demissões em Curitiba e região metropolitana, ocorridas principalmente na indústria automotiva e na construção civil. O desempenho deixa evidente as desigualdades regionais, mas também entre os setores, já que a variação positiva é segurada basicamente por serviços e comércio.

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Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que só a indústria do material de transporte, que engloba as montadoras de veículos e autopeças, cortou 5.162 postos de trabalho no Paraná. Isso representa uma queda de 11,5% na comparação com o mesmo período anterior.

“A Região Metropolitana de Curitiba concentra justamente essas indústrias e vem sofrendo mais porque não tem produção agrícola. Essas companhias, de forma geral, dependem mais de crédito, que está mais caro, e por isso estão demitindo”, analisa o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

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Quando o setor automotivo entra em crise, as demissões não se restringem às montadoras de veículos. Elas se multiplicam pela cadeia de fornecedores de autopeças e fabricantes de equipamentos auxiliares, como os implementos rodoviários, incluindo a indústria metalúrgica e mecânica.

Outro setor que puxou para baixo a evolução do emprego na Grande Curitiba, a construção civil vinha de um ritmo alto de contratações nos últimos anos, mas sentiu os sinais mais fortes de desaceleração em 2015. O setor foi responsável pelo corte de 3.577 postos de trabalho no Paraná nos últimos 12 meses.

Setor têxtil

Isoladamente, o interior do estado tem saldo positivo de admissões e demissões de aproximadamente 26 mil vagas no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o Caged. A única região do interior que cortou mais postos de trabalho do que contratou foi o Noroeste, polo de indústrias do vestuário e têxtil. E foi justamente este o segmento que mais demitiu no estado no período, com o corte de 6.505 trabalhadores.

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“No Noroeste, essa questão não vem de hoje. Em função da concorrência internacional dos produtos chineses, o setor tem enfrentado dificuldades há algum tempo e já demonstrava uma constante eliminação de postos de trabalho”, afirma o economista Fabiano Camargo da Silva, do Dieese-PR.

Setor de alimentos e bebidas é exceção positiva na indústria de transformação

A indústria de transformação, que produz bens de consumo e máquinas, amarga um saldo negativo de 13.663 vagas, entre admissões e demissões, nos últimos 12 meses. A única exceção nesse setor foi a fabricação de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, que gerou 5.709 empregos.

O segmento, fortemente ligado ao desempenho da agropecuária, é o quarto que mais criou empregos no estado, atrás dos serviços (6,9 mil vagas), do setor imobiliário (6,5 mil) e do comércio varejista (6,5 mil).

“O setor de alimentos é uma vocação do Paraná, porque temos uma terra muito produtiva. Então, se o agronegócio vai bem, esse resultado se multiplica. Não fica restrito apenas à produção agrícola, mas a toda a rede que vem depois”, explica o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

“Todos os setores e regiões que possuem produção ligada ao agronegócio tem evolução na geração de empregos”, completa.

Câmbio ajuda

O economista do Dieese-PR, Fabiano Camargo da Silva, aponta a influência positiva do dólar mais caro.

“Assim como comércio e serviços, alimentação continua puxando para cima os índices do estado. O setor de carnes acaba tendo um grande peso no interior e foi favorecido nos últimos meses pelo câmbio mais alto”, diz. (TBV)