Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Câmbio

Descolado do exterior, dólar sobe pela 5ª sessão seguida

Divisa fechou com alta de 0,21%, cotado a R$ 2,0521; expectativa é de que a moeda norte-americana ainda se mantenha entre R$ 2,03 e R$ 2,05 nesta semana

Após inverter tendência de queda à tarde, o dólar subiu ante o real nesta segunda-feira (4), chegando à quinta sessão consecutiva de alta e descolando do movimento no cenário externo.

De acordo com operadores, a perspectiva de baixo crescimento do país e de queda da Selic traz dúvidas para investidores, sendo que o mercado ainda está atento se o Banco Central voltará a atuar no câmbio.

A expectativa é de que a moeda norte-americana ainda se mantenha entre R$ 2,03 e R$ 2,05 nesta semana, que pode, no entanto, ter um volume de operações reduzido em função do feriado na quinta-feira.

O dólar fechou com alta de 0,21%, cotado a R$ 2,0521. Durante o dia, a moeda oscilou entre R$ 2,0325, quando chegou a cair 0,75%, e R$ 2,0568, atingindo alta de 0,44% na ocasião.

"Lá fora, o dólar perdeu força e houve alguma perspectiva de melhora, à espera de medidas para capitalizar bancos, mas isso não está refletindo aqui", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

"O mercado continua passando por momentos de incerteza e investidores continuam preocupados com os destinos da nossa economia", completou.

No cenário externo, a moeda comum europeia mostrou recuperação com especulações de uma melhor integração fiscal na zona do euro. Às 17h15 (horário de Brasília), o euro subia 0,52%. O dólar também se desvalorizava e caía 0,41% ante uma cesta de divisas no horário.

Galhardo destacou que a alta da divisa norte-americana pode ter refletido questões locais, como os esforços do governo para estimular a economia, mostrando receio de um baixo crescimento, além da expectativa de queda da taxa básica de juros e as frequentes intervenções do Banco Central no mercado de câmbio podendo estar atrapalhando a entrada de investimentos no Brasil.

Nesta segunda-feira, o relatório Focus mostrou que o mercado reduziu sua expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 para 2,72%, ante 2,99% na semana anterior.

Para estimular o crescimento, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta segunda-feira com ministros da área econômica, como o da Fazenda, Guido Mantega, e cobrou ações para aumentar os investimentos no país. Dilma volta a se reunir ainda com Mantega no início da noite.

Para o gerente de câmbio, no entanto, o dólar subiu aos poucos ante o real e essa oscilação não foi suficiente para o BC voltar a atuar no mercado. Ele lembrou ainda que o feriado desta semana pode fazer com que o dólar tenha pouca oscilação.

"A moeda pode ficar nesse patamar. É uma semana ruim, porque investidores não querem abrir posições, já que teriam que liquidar já na quarta-feira. Isso inibe o mercado e não devemos ver grandes operações. Acho que (o dólar) pode ficar entre R$ 2,03 a R$ 2,05", afirmou.

Outro operador de câmbio, e que prefere não ser identificado, afirmou, por sua vez, que ainda houve alguma especulação no mercado, que voltou a testar se a autoridade monetária interviria. "Tive a impressão de que o mercado quis subir para chamar o BC", avaliou.

Nesta segunda-feira o BC completou seis sessões consecutivas sem atuação no mercado de câmbio, depois ter intensificado leilões de swap cambial tradicional.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.