Segmentos como o comércio continuam gerando empregos, mas em ritmo mais lento. Se a criação de vagas não acompanhar a entrada de profissionais no mercado, o desemprego tende a subir| Foto: Josué Teixeira/ Gazeta do Povo

Paraná

Na contramão, taxa de desocupação em Curitiba e região cai para 3,5%

Em Curitiba e região metropolitana, o desemprego recuou de 3,9% para 3,5% no mês passado, segundo o Ipardes, atingindo o menor nível para meses de junho desde o início da série histórica, em 2003.

A estimativa é que 59 mil pessoas economicamente ativas estejam fora do mercado de trabalho na região. A elevação do emprego foi registrada principalmente no setor de serviços, com destaque para a construção civil, que cresceu 16,8%, e para o comércio, com alta de 7,3%.

Daniel Nojima, responsável pela pesquisa do Ipardes, avalia que o mercado de trabalho local deve se manter estável também no segundo semestre. "Importante citar a resistência do setor industrial, que tem boa participação no estoque de emprego da população ocupada. Só em junho, respondeu por 323 mil empregos na região metropolitana", diz Nojima.

Os rendimentos do trabalhador de Curitiba e região cresceram 2,9% em junho, chegando a R$ 2.086,30, em média – valor superior ao da média nacional, de R$ 1.869,20.

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Pior para os jovens

Em junho, a taxa de desocupação dos jovens entre 16 e 24 anos chegou a 15,3%, bem superior à média geral (6%). Em relação a junho de 2012, a alta foi de 1,4 ponto, bem superior ao avanço do desemprego total (0,1 ponto)

A taxa média de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país subiu de 5,8% em maio para 6% em junho, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice também ficou acima do registrado em junho do ano passado (5,9%), no primeiro aumento nesse tipo de comparação em 46 meses.

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INFOGRÁFICO: Em Curitiba, índice de desemprego baixou

Para alguns economistas, a alta pode indicar a reversão de um longo ciclo positivo do mercado de trabalho. Os números do emprego formal, divulgados anteontem pelo governo, mostraram que, embora ainda ocorra, a criação de vagas está no ritmo mais lento dos últimos quatro anos.

Não incluída no cálculo da média nacional feito pelo IBGE, a Região Metropolitana de Curitiba registrou movimento oposto – o desemprego registrado no mês passado, de 3,5%, foi o menor para meses de junho desde o início da série histórica do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), em 2003 (leia mais nesta página).

Entre os motivos para o aumento do desemprego na média nacional estão a freada do consumo e do PIB neste ano, que já se traduzem em um desempenho pior do comércio (um dos setores que mais emprega) e em outras áreas da economia.

"[A taxa de desemprego] não é alarmante, mas é um indicador de que o baixo crescimento da economia já está afetando o emprego. E o governo não está sinalizando, efetivamente, com nenhuma medida, o que aumenta o pessimismo por parte dos empresários. Os prognósticos não são dos melhores", avalia Angela Welters, professora de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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Reversão

Na avaliação de Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o aumento da desocupação marca o início de um processo de reversão da situação de pleno emprego no país. "Neste ano, a situação, que já estava ruim, ficou ainda pior por causa da minicrise de junho", disse.

Em texto enviado a seus clientes, a Nobel Planejamento afirmou que o estado do emprego no Brasil segue favorável, mas que sua evolução recente "em breve começará a afetar os índices de desocupação e a própria formalização do trabalho".

Para a economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, "a reversão desse ciclo só não se deu no ano passado porque as empresas represaram as demissões na expectativa de que a economia fosse melhorar".

Questionada se o processo de concessões para obras de infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos não ajudariam a conter o aumento de desemprego, Zeina disse que sim, mas apenas em uma segunda fase, quando as obras começarem a impactar o setor de serviços, que é o que mais absorve mão de obra.

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Rendimento

O rendimento médio real dos ocupados, estimado em R$ 1.869,20, não apresentou variação na comparação mensal, mas subiu 0,8% em relação a junho de 2012.