Moedas de um dólar: segundo analistas, a moeda continuará a se valorizar no longo prazo| Foto: US Mint

Futurologia

Para ex-diretores, BC vai manter cotação entre R$ 2,35 e R$ 2,40

A mínima atingida pelo dólar nesta sexta-feira, 23, após o anúncio do encerramento de um leilão de linha pela autoridade monetária, sinaliza uma faixa de flutuação da divisa de R$ 2,35 a R$ 2,40. A avaliação é de ex-diretores do Banco Central (BC) Luís Eduardo Assis e Carlos Thadeu de Freitas. Depois dos leilões da manhã de ontem, a cotação no balcão bateu a mínima de R$ 2,3790, com queda de 2,42%. Assis, ex-diretor de Política Monetária, estima que é o nível do dólar daqui para frente. "Mesmo porque, acredito, não é a intenção do BC mudar o patamar do câmbio", disse. Ele endossa a tática defendida pelo BC, que é evitar exageros e nervosismos no mercado de câmbio.

A mesma faixa informal de flutuação é apontada pelo economista Carlos Thadeu de Freitas, também ex-diretor de Política Monetária. Até porque, segundo ele, "se olharmos para dentro do país, não estamos vendo uma fuga de divisas". "O fluxo está até positivo", ressaltou. "Tivemos algumas saídas pelo financeiro, mas foram poucas." Freitas comemorou a decisão da autoridade monetária: "Até que enfim o BC resolveu tomar esta medida".

Ele ponderou, contudo, que agora o BC passou a dar liquidez e previsibilidade ao mercado. "Não estávamos sob um ataque especulativo como está a Índia, até porque temos reservas internacionais, mas a nossa moeda estava se desvalorizando até mais que a rupia", citou Freitas. Perguntado se o quadro poderá piorar com o anúncio de retirada de estímulos para a economia norte-americana, ele respondeu que em baixa intensidade, pois o mercado já "precificou" essa decisão.

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O dólar comercial, utilizado no comércio exterior, teve desvalorização de 3,24% ontem, para R$ 2,353. Foi a maior queda diária desde 23 de setembro de 2011. O movimento acompanhou a valorização das principais moedas internacionais em relação ao dólar hoje, e foi intensificado pela reação positiva dos investidores ao plano do Banco Central, anunciado na noite de quinta-feira, em que a autoridade injetará US$ 54,5 bilhões no mercado de câmbio até o final do ano.

O real foi a a moeda que mais se valorizou, dentre as 24 principais moedas de países emergentes. Apenas três dessas moedas perderam valor em relação ao dólar: a lira turca, o peso argentino e o novo sol, do Peru.

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O mercado avaliou positivamente o plano do Banco Central, que prevê a realização de leilões de swap cambial tradicionais, que equivalem a compra de dólares no mercado futuro, de segunda a quinta-feira, com oferta de US$ 500 milhões em contratos por dia, até dezembro. A autoridade monetária já tem feito esses leilões com frequência no mercado para tentar conter a alta da moeda americana.

O anúncio do programa de prazo mais longo, que começou ontem, ajuda a dar previsibilidade aos investidores a respeito das intervenções. Às sextas-feiras, o BC oferecerá US$ 1 bilhão por meio de linhas de crédito em dólar com compromisso de recompra – outro mecanismo usado para empurrar as cotações para baixo. Nesses leilões, o BC coloca no mercado, no momento da operação, determinada quantia em dólares com a garantia de recomprá-la após alguns meses, independentemente do valor que a moeda vai ter.

Na avaliação de especialistas, o plano do BC é positivo, mas não impedirá que o dólar continue subindo no médio prazo. Isso porque a perspectiva de que investimentos estrangeiros nos mercados emergentes deverão voltar aos Estados Unidos diante da melhora econômica naquele país vai continuar pressionando as moedas internacionais, que perdem valor diante do dólar.