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Restruturação

Dino fala em “exemplos horrendos” de fraudes e quer projeção de caixa da CVM em 2027

Após ouvir sobre crise, ministro transformou ação contra taxa de fiscalização em processo de restruturação da CVM.
Após ouvir sobre crise, ministro transformou ação contra taxa de fiscalização em processo de restruturação da CVM. (Foto: Victor Piemonte/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, nesta quinta-feira (30), que o governo federal preste informações sobre as contas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por fiscalizar o mercado de capitais no país. No despacho, o ministro fala em "exemplos horrendos" de fraudes e alega que o reforço financeiro é necessário para combater as "falcatruas" do setor.

"O exercício da jurisdição criminal neste STF e em outros Tribunais a cada dia revela mais exemplos horrendos de utilização de fundos e outros produtos para a abjeta perpetração de graves crimes envolvendo bilhões de reais. Tais delitos e as organizações criminosas que os perpetram não podem continuar ocultos e protegidos em 'camadas' de falcatruas no mercado de capitais", afirma.

A ação foi protocolada em março de 2025 pelo partido Novo contra um aumento e modificação no cálculo da Taxa de Fiscalização dos Mercados
de Títulos e Valores Mobiliários (TFMTVM) promovido em 2022. Dino, então, promoveu uma audiência pública em que foi revelada a asfixia financeira do órgão, que passa por redução dos recursos disponíveis enquanto o mercado de capitais só cresce. Outras autoridades também apontaram que o enfraquecimento da CVM fortalecia a infiltração das facções no mercado.

Com isso, Dino determinou que a receita obtida com a taxa deveria ficar na própria CVM, com exceção de 30% da Desvinculação de Receitas da União (DRU), prevista na Constituição para assegurar a liberdade do Executivo de destinar os recursos.

A restruturação deve ser feita por meio de dois mecanismos: um plano emergencial e um plano complementar de médio prazo. É nesse segundo que a atual decisão foca. Com ela, o documento precisa responder a três perguntas sobre as contas de 2027:

  • Quanto a União estima que a CVM arrecadará com a taxa de fiscalização?
  • Quanto o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) separou para a CVM?
  • Quanto custará para que a CVM mantenha sua fiscalização?

O governo promete instituir um fórum de diálogo entre a CVM e o Banco Central (BC), além de nomear novos inspetores, pagar horas extras, integrar bases de dados e modernizar o sistema de análise.

Leia o despacho na íntegra.

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