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Em uma decisão que agrava ainda mais a crise da Varig, a BR Distribuidora informou ontem que não tem a intenção de negociar um período de carência que garantiria o fornecimento de combustíveis para a empresa aérea nos próximos meses e afastaria a possibilidade de sua paralisação no curto prazo. A informação foi divulgada por um dos advogados da BR, Márcio Lobianco Couto, que esteve reunido com o juiz da 8.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, responsável por analisar o plano de recuperação da companhia aérea.

Com o caixa "limitado", o presidente da Varig, Marcelo Bottini, afirmou que a empresa precisaria de uma linha de crédito de US$ 200 milhões dos fornecedores para continuar a voar até o fim da baixa temporada do setor turístico. Desse total, credores estatais, como a BR Distribuidora e a Infraero (empresa que administra os aeroportos), entrariam com US$ 70 milhões.

Segundo o advogado, entretanto, o alargamento do prazo defendido pela diretoria e pelos trabalhadores da empresa aérea só ocorrerá por determinação judicial – ou seja, caso a Justiça mande a BR Distribuidora manter o fornecimento.

"O contrato [de fornecimento com a Varig] expirou em dezembro. Não há nenhum lastro contratual ou legal para que esse pedido [de carência] tenha êxito. Essa medida é eminentemente política. Caberia aos órgãos competentes essa determinação. Havendo ordem judicial, a ordem se cumpre", afirmou o advogado.

A Varig tem dívidas de R$ 58 milhões com a BR Distribuidora acumuladas antes da aprovação de seu plano de recuperação judicial, no ano passado. A partir desse momento, o pagamento do combustível passou a ser à vista.

O advogado afirmou que o que preocupa a estatal são os débitos correntes. "Com a Varig pagando, a BR fornece combustível de maneira fácil. A questão do débito pretérito é objeto do plano de recuperação. Não nos preocupa o débito pretérito, mas nos preocupa o débito corrente. Há notícias de que a Varig não teria condições de fazer o pagamento corrente", afirmou. Segundo o juiz da 8.ª Vara, a Varig, apesar de manter negociações com fornecedores, ainda não formalizou um pedido de carência à Justiça. O governo também já descartou dar socorro financeiro à Varig.

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