Navio com 4,5 mil toneladas do produto chegou na quarta-feira em Paranaguá. Situação deve se normalizar em breve| Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo

Brasil

Produto está em falta em outros quatro estados

A Associação Brasileira das Revendedoras de Gás GLP (Abragás) informou que há falta de gás de cozinha também em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, o problema se deve à manutenção de uma refinaria em São José dos Campos (SP). "Não queremos causar pânico aos consumidores, mas estamos racionando sim o GLP em alguns lugares. Quem estava acostumado a comprar três, quatro botijões está levando só um", afirmou José Luis Rocha, presidente da entidade. De acordo com a Abragás, cerca de 95% dos lares brasileiros usam GLP.

Petrobras

A estatal afirmou que o suprimento de GLP em São Paulo e no Paraná será normalizado com a chegada do produto importado nesta semana, conforme previsto no plano de suprimento apresentado às companhias distribuidoras e à ANP.

A estatal não comentou sobre o abastecimento nos outros estados. Questionada, a empresa também não explicou porque a parada programada para manutenção na refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos (SP), provocou a falta de gás de cozinha.

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As distribuidoras e revendedoras de Curitiba ficaram sem gás GLP (de cozinha) ontem. A Sebastião Paiva Distribuidora, localizada no bairro Santa Quitéria, não conseguiu atender as 32 revendedoras e nem os clientes finais. "Hoje todos que atendemos ficaram na mão", relata a gerente, Vanessa Gonçalves Taiza.

A empresa, que carregava 1,2 mil botijões por dia na Liquigás, em Araucária, não conseguiu carregar nenhum ontem. "Eles disseram que estavam tendo problemas com a Repar", conta. A distribuidora, segundo Vanessa, terá queda de 40% no faturamento deste mês por causa da falta de gás

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Na Liquigás Edson, no bairro Hauer, a situação foi semelhante. "Normalmente as distribuidoras entregam 30 a 40 botijões, mas agora estão deixando apenas 15", diz o proprietário, Edson Luiz Vieira. Ele percebeu essa mudança na semana passada. "Ainda não chegou a faltar, mas acredito que, se continuar assim, não conseguirei atender a todos", fala.

A revendedora Ultragaz do Bairro Alto, que geralmente recebe 30 botijões por dia, recebeu apenas 11 ontem. "A distribuidora disse que estava dando um pouco para cada um", diz a proprietária, Solange Pereira dos Santos, que recebeu ligações de concorrentes de outras regiões atrás de gás. "Eu disse que não podia fornecer, pois não tinha o suficiente nem para mim", conta.

O problema na distribuição de gás ocorreu porque a Petrobras estaria fornecendo apenas 70% da demanda total das seis distribuidoras do estado. O presidente do Sindicato dos Revenderes de Gás do Paraná, José Luiz Rocha, confirmou a falha no fornecimento, mas acredita que a situação deve se normalizar na semana que vem.

"Um navio, com 4,5 mil toneladas de gás, chegou ao Porto de Paraná na quarta-feira, às 16 horas", diz. As companhias, segundo ele, vão começar a recebê-lo hoje. "Pode ser que demore para chegar a algumas empresas porque existe uma fila."

Rocha falou que a falta de gás foi decorrente do inverno prolongado do Sul, que provocou o aumento do consumo de gás, e da manutenção da Refinaria de São José dos Campos, que estava produzindo apenas um quarto de sua capacidade. "Tudo isso afetou, mesmo que de forma indireta, mas agora está tudo sob controle. A população pode ficar calma."

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A Petrobras não quis comentar o assunto.