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Bovespa tem sétima alta seguida, no mais longo rali desde agosto

A Bovespa firmou sua sétima alta seguida nesta terça-feira (25), na mais longa sequência de ganhos em sete meses, com agentes financeiros afirmando que o rebaixamento da nota de crédito do Brasil, promovido pela Standard & Poors na véspera, já estava precificado.

O Ibovespa teve variação positiva de 0,3% a 48.180 pontos. A bolsa brasileira não emendava sete altas seguidas desde agosto do ano passado, quando teve uma sequência de nove dias no positivo. O giro financeiro do pregão foi de R$ 5,7 bilhões.

Participantes do mercado afirmaram que o rebaixamento do rating soberano do Brasil para "BBB-", ante "BBB", era esperado e estava em parte precificado. Além disso, a mudança da perspectiva da nota brasileira para "estável", ante negativa, trouxe certo alívio, pois indica que a S&P não deve fazer novo rebaixamento no curto prazo, garantindo ao país grau de investimento. "O mercado não precisou esperar a agência de rating para ir descontando o preço. Em outubro do ano passado, quando começou a fazer as projeções para 2014, já fez isso", disse o diretor técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt.

Ele acrescentou que a alta da bolsa nesta terça-feira foi um respiro do mercado, que entende que o alerta da S&P pode ser uma oportunidade para o governo brasileiro fazer mudanças na política fiscal. Analistas do Credit Suisse disseram não esperar uma mudança significativa nos preços, mas acrescentaram que a decisão pode impactar o custo de financiamento externo de várias companhias brasileiras, particularmente as estatais.

As ações preferenciais da Vale subiram 1,66% nesta terça-feira e deram a maior contribuição positiva ao Ibovespa, ainda repercutindo expectativas de que o governo chinês possa lançar medidas de estímulo à economia, e também em movimento de recuperação, disse o analista de renda variável João Pedro Brugger, da Leme Investimentos.

As preferenciais da Petrobras avançaram, mesmo após a empresa ter seu rating rebaixado para "BBB-" pela S&P na esteira do corte da nota da dívida soberana. Já a preferencial da Eletrobras, cuja nota também foi rebaixada, caiu 3,07%. A ação da produtora de carnes JBS recuou quase 5%, a baixa mais expressiva do Ibovespa. Na noite de segunda-feira, a companhia divulgou que seu lucro mais que dobrou no quarto trimestre, mas ficou aquém da expectativa média do mercado.

O dólar fechou em queda pela quarta sessão consecutiva nesta terça-feira (25), no menor nível em quatro meses, mesmo após o Brasil ser rebaixado pela Standard & Poor's na véspera, movimento que já era esperado pelos investidores e, por isso, já havia sido precificado. A baixa refletiu movimentos técnicos de correção no mercado doméstico e a depreciação da divisa norte-americana no exterior, depois de dados econômicos mais fortes do que o esperado sobre os Estados Unidos. A moeda norte-americana recuou 0,70%, a R$ 2,3062 na venda, menor nível desde 26 de novembro, quando ficou em R$ 2,2957. Na mínima do dia, bateu R$ 2,2989, a primeira vez que vai abaixo do patamar de R$ 2,30 também desde novembro passado. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,5 bilhão de dólares. "O pessoal está se perguntando: o que tem de ruim pela frente que não está no preço?... Não tem muitos motivos para ficar comprado", disse o operador de câmbio de um importante banco internacional. Após o fechamento dos mercados na véspera, a S&P cortou a classificação de crédito brasileira em um degrau, para "BBB-", faixa mais baixa da categoria grau de investimento e com perspectiva estável, citando a deterioração das contas públicas do país. "É como um aluno que já sabia que tinha ido mal na prova, mas ainda tinha alguma esperança. O 'downgrade' só confirmou o que já se esperava", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. Segundo analistas, a manutenção do grau de investimento também sugere que o recente quadro de ingresso de divisas no país não deve mudar. Apesar da reação calma dos mercados, vários analistas se mostraram céticos de que o dólar consiga se sustentar abaixo do nível de 2,30 reais. Segundo eles, cotações mais baratas poderiam desagradar o governo pois tendem a prejudicar as exportações. Além disso, alguns operadores acreditam que o Banco Central não deve rolar todos os swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares, que vencem na terça-feira que vem, o que deve impedir quedas mais expressivas. "É provável que haja mais dúvidas sobre as intenções do BC com relação à rolagem, o que pode, pelo menos, desacelerar a queda do dólar abaixo de 2,30 reais", escreveu o diretor administrativo de estratégia para mercados emergentes do Citi, Dirk Willer, em relatório, acrescentando acreditar que o BC deve deixar de rolar o equivalente a cerca de 2 bilhões de dólares. Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de 10 mil swaps em leilão para rolar os vencimentos em 1º de abril. No total, o BC já rolou pouco menos de 60 por cento do lote total que vence na semana que vem, que equivale a 10,148 bilhões de dólares. Ainda faltam cerca de 85 mil contratos para serem rolados e o BC tem apenas 4 dias úteis para fazê-lo. E, mantendo o atual ritmo de oferta, de até 10 mil swaps por leilão, seriam colocados apenas 40 mil. Mais cedo, o BC também deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de 4 mil swaps cambiais --equivalentes a venda futura de dólares--, todos com vencimento em 1º de dezembro, com volume equivalente a 198,0 milhões de dólares. A autoridade monetária também ofertou contratos para 1º de outubro, mas não vendeu nenhum. A queda do dólar nesta sessão refletiu ainda a depreciação da divisa dos EUA no exterior, depois de a confiança do consumidor norte-americano atingir a máxima em seis anos em março. O dado alimentou o apetite por risco no exterior, levando o dólar a depreciar-se em relação a outras moedas, como o peso mexicano.

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