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Contas públicas

Durigan nega descontrole das contas públicas mesmo com pacotão eleitoral de Lula

Dario Durigan
Ministro da Fazenda diz que governo já está fazendo ajuste fiscal com bloqueio do orçamento e cortes orçamentários. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou nesta quinta-feira (6) que o crescimento da dívida pública brasileira preocupa, mas negou que o país enfrente um cenário de descontrole fiscal. A declaração ocorre em meio ao avanço do endividamento durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e após o lançamento de um conjunto de medidas econômicas de forte apelo eleitoral que já supera R$ 280 bilhões em estímulos.

Durigan reconheceu que a projeção da dívida para os próximos anos exige atenção, mas sustentou que o governo vem adotando medidas para melhorar o equilíbrio das contas públicas.

“O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas”, declarou em entrevista à GloboNews.

Segundo o ministro, o governo tem promovido bloqueios, cortes orçamentários e ações voltadas ao cumprimento das metas fiscais, embora as contas públicas ainda permaneçam no vermelho. Para Dario Durigan, os resultados obtidos até agora demonstram um compromisso da equipe econômica com o ajuste fiscal e passam longe de um cenário de crise nas finanças do país.

As declarações ocorrem enquanto o governo coloca em prática um pacote de medidas econômicas voltado principalmente às famílias de baixa e média renda com vistas à eleição de outubro. São mais de 15 iniciativas como desonerações tributárias, ampliação de subsídios e facilitação de crédito.

Apesar dos recursos bilionários destinados às famílias, o endividamento dos brasileiros bateu recorde em julho e chegou a 82% de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados mais cedo. A inadimplência alcança 29,8%.

Dificuldade para rolar a dívida

Durigan também admitiu dificuldades relacionadas à chamada rolagem da dívida pública, processo em que novos títulos são emitidos para quitar os que estão vencendo. Nos últimos meses, o Tesouro Nacional enfrentou maior resistência para vender papéis com juros reais próximos de 8% ao ano, nível considerado elevado pelo mercado.

Entre os fatores apontados por analistas para essa dificuldade estão o aumento dos gastos públicos e o crescimento do endividamento, que elevam a percepção de risco entre investidores. Mesmo assim, o ministro voltou a negar um quadro de crise fiscal e afirmou que o principal desafio está em reduzir os juros por meio do fortalecimento da política fiscal.

“Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento”, afirmou.

Para o ministro, como o governo tem influência direta sobre a política fiscal, o objetivo é reforçar esse aspecto para reduzir os custos do financiamento da dívida.

O ministro reconheceu que a situação das contas públicas influencia o nível dos juros no Brasil, atualmente em 14% ao ano, mas destacou que fatores internacionais também pesam sobre esse cenário. Entre eles, citou conflitos militares, possíveis choques no preço do petróleo, o comportamento dos juros nos Estados Unidos e a incerteza típica de períodos eleitorais.

“O arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição”, afirmou.

Ao concluir, Durigan disse que o compromisso da equipe econômica é adotar todas as medidas possíveis para melhorar o cenário fiscal e reduzir os juros, ressaltando que “juro machuca muito a economia, não só o governo”.

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