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Ao completar um mês, a crise dos mercados financeiros deu uma trégua na última sexta-feira. O discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, sinalizou aos investidores que o governo dos Estados Unidos (EUA) pode intervir para evitar que a economia "real" seja prejudicada pelos problemas do crédito imobiliário. Apesar do alívio, o vaivém das bolsas não dá indícios de que a tempestade passou e que o mercado terá dias tranqüilos pela frente. Caso o cenário se agrave, o Brasil pode ser prejudicado a partir do ano que vem – e o brasileiro, antes alheio à depressão das bolsas, pode começar a sentir no bolso seus efeitos, que incluem inflação, aumento da taxa de juros e, conseqüentemente, desaceleração do crescimento.

Economistas são quase unânimes em dizer que a possibilidade de que o Brasil seja prejudicado pelos calotes nos EUA é remota, e dependeria da coincidência de uma série de fatores negativos. Mas reconhecem que, um mês depois do "estouro" da bolha imobiliária, o mercado ainda não tem a dimensão exata do problema – e a crise, de início classificada como passageira, ainda pode seguir em frente. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que as turbulências poderão afetar o crescimento brasileiro em 2008, embora avalie que o impacto será mínimo e não vai tirar o país de uma rota de crescimento sustentável.

O temor de que o nervosismo das bolsas se espalhe para o setor produtivo e o consumo dos EUA ainda persiste. Tanto que o Fed deixou de dar ênfase apenas ao controle da inflação e agora fala em ajudar as famílias que estão com dificuldade em pagar o financiamento de suas casas. Se os norte-americanos reduzirem o consumo – como sugeriu uma pesquisa divulgada na semana passada, que apavorou investidores –, o crescimento dos EUA deve ser menor do que se esperava. Em vez de o Produto Interno Bruto (PIB) subir 2%, a expansão deve ficar em 1,5%, segundo as últimas estimativas.

Embora os EUA respondam por um terço da economia global, esse avanço mais fraco não chega a ser uma tragédia: como a forte expansão da China pode contrabalancear os problemas norte-americanos, o crescimento global tende a sofrer apenas arranhões – e o brasileiro esquecerá a crise antes mesmo de vê-la chegar perto. Para isso, terá de torcer para que a economia dos EUA não apresente sinais mais evidentes de uma recessão. Leia abaixo o que pode ocorrer por aqui caso a crise ganhe contornos mais graves e abrangentes.

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