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Joachim Klement

Marrocos sela fracasso de modelo matemático que projetava Holanda campeã da Copa do Mundo

Marrocos e Holanda Copa do Mundo
Torcedor comemora classificação de Marrocos em partida que eliminou Holanda (Países Baixos) da Copa do Mundo de 2026. Modelo matemático criado pelo economista Joachim Klement previa Holanda campeã (Foto: EFE/EPA/JALAL MORCHIDI)

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Considerado um “guru” das Copas do Mundo após cravar o campeão das três últimas edições do Mundial, o economista Joachim Klement quebrou sua série de acertos com a competição deste ano. A Holanda (Países Baixos), que, segundo seu modelo matemático, teria a maior chance de levantar a taça, foi eliminada por Marrocos na noite desta segunda-feira (29).

Antes, outras projeções do alemão já não haviam se concretizado. Em uma delas, ele previu que o Japão eliminaria o Brasil no primeiro jogo do mata-mata.

“Sr. Joachim Klement, favor tentar na próxima Copa”, escreveu Neymar em postagem nas redes sociais após a partida.

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O modelo matemático de Klement previa ainda que a Alemanha cairia nas oitavas de final, mas a seleção tetracampeã acabou sendo eliminada diante do Paraguai, em disputa nos pênaltis, também nesta segunda-feira.

Embora tenha superado diversos outros modelos que tentam prever resultados da Copa do Mundo, o próprio economista sempre admitiu que o acaso é fator preponderante no futebol.

Depois de acertar sua primeira previsão, em 2014, quando apontou que seu país, a Alemanha, venceria a Copa do Mundo realizada no Brasil, ele quis refazer o exercício em 2018 acreditando que demonstraria que o acerto foi uma casualidade.

Sua previsão, no entanto, foi certeira novamente com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022. A sequência de acertos o alçou ao título de guru.

“Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, contou à BBC, alertando seus leitores a considerarem seus resultados com cautela.

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Modelo de economista leva em conta futebol, economia e até meteorologia

O modelo estatístico que desenvolveu reúne futebol, economia e meteorologia. Para o economista, o sucesso no futebol depende de fatores que vão muito além das quatro linhas.

O primeiro pilar do modelo é o PIB per capita. Klement argumenta que o sucesso exige infraestrutura: estádios modernos e centros de treinamento de ponta para lapidar o talento bruto. Contudo, ele identifica um ponto de saturação. Países excessivamente ricos podem sofrer uma queda na produtividade esportiva, pois o leque de opções de lazer para os jovens — como os videogames — compete diretamente com o tempo dedicado ao treino nos gramados.

O segundo fator é o tamanho da população, mas com uma ressalva: a massa crítica só importa se o futebol for uma “religião” nacional. É por isso que, apesar de suas enormes populações, China e Índia permanecem irrelevantes no cenário mundial. Já nações sul-americanas e europeias, onde cada criança cresce com uma bola nos pés, maximizam seu capital humano.

O terceiro elemento, o mais curioso, é a temperatura média. O modelo de Klement sugere que a temperatura ideal para a prática do futebol de alto nível é de 14°C, característica comum na Europa e em partes da América do Sul.

Por fim, Klement utiliza o ranking da Fifa como um termômetro da força atual das seleções, ao qual adiciona ainda a sorte. Ele admite que 45% do resultado de um jogo de futebol é determinado pelo acaso. Em um torneio curto e eliminatório, um gol contra ou uma decisão arbitral podem destruir o modelo mais sofisticado.

Bancos apostam em Espanha e França

Enquanto Joachim Klement apostava nos Países Baixos, instituições financeiras de peso utilizam metodologias que apontam cenários diferentes.

Segundo o Bank of America, a grande favorita ao título da Copa do Mundo de 2026 é a França, projetada para vencer a Espanha na final. O levantamento foi feito cruzando dados, inteligência artificial e opiniões de 65 analistas. Além do título, o estudo apontou que o país terá Kylian Mbappé como artilheiro.

As projeções do banco francês Natixis também colocam a seleção francesa no topo, com 26,2% de chance de título, seguida de perto pela Espanha, com 24,6%.

O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, utiliza um sistema baseado principalmente na classificação Elo — originalmente criada para o xadrez — para simular as probabilidades.

A Espanha é, nesse caso, a grande favorita, com 26% de chance de conquistar o título, impulsionada por um momento técnico superior. A França aparece em segundo lugar, com 19%.

Os cálculos do conglomerado italiano UniCredit priorizam a cultura do futebol e a capacidade de gerar jovens talentos. Para os analistas, a Argentina quebrará essa escrita e conquistará o bicampeonato consecutivo, vencendo a França em uma reedição da final de 2022.

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