Os economistas reunidos em debate ontem no Corecon: falta de investimento do governo em logística prejudicará agronegócio| Foto: Divulgação

Nem otimistas, nem pessimistas. Os economistas reunidos em um debate ontem no Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) foram bastante críticos e cautelosos em suas projeções para o desenvolvimento do Paraná e do Brasil em 2010.

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Por mais que as estimativas oficiais projetem para o próximo ano um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro próximo de 5%, isso não será significativo o bastante, na opinião de Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do curso de Economia da FAE Centro Universitário. "A base de crescimento de 2009, tomada como parâmetro, não vai ser alta, portanto evoluir em cima disso não é grande coisa. É pouco para se falar em retomada de um ciclo", diz Lourenço.

Em 2010, segundo o economista, o Brasil estará envolto em um cenário sombrio por conta da desvalorização do dólar e da lenta recuperação internacional, o que prejudica as exportações nacionais. E como as taxas de juros continuarão altas, os investimentos externos não devem aumentar. "Em 2010, ano de eleições, o governo vai aumentar seus gastos e manter a política de valorização do salário mínimo. É isso que vai ancorar o nosso crescimento", acredita.

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Já o consultor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Luiz Antônio Fayet afirmou que agronegócio ficará comprometido em 2010 com o déficit de investimentos do governo em setores logísticos. "Sem expandir e aperfeiçoar hidrovias, rodovias e portos, não há como exportarmos produtos a preços competitivos, assim não conseguiremos crescer a taxas elevadas", disse Fayet. Emprego

Na avaliação do economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado de trabalho terá boas perspectivas em 2010. "A renda do trabalhador continua a crescer e as taxas de desemprego voltam a cair, atingindo índices de 2004", afirmou. Ele estima que o Paraná fechará 2009 com um saldo positivo de 70 mil empregos, e poderá chegar a 110 mil em 2010, retomando índices de 2008. Apesar disso, ele aponta que a taxa de informalidade no mercado de trabalho, em torno de 44,3%, deve continuar alta.

Setor financeiro

Para o economista Leonardo Deeke Boguszewski, da Paraná Banco - Asset Management, que preferiu não fazer comentários sobre o futuro do mercado financeiro, o número de investidores comuns na bolsa de valores continuará a crescer em 2010.