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Uma das polêmicas da vez na área de negócios é o chamado empreendedorismo de palco. O termo refere-se a pessoas que vivem de dar cursos e palestras sobre como criar e gerir o próprio negócio, mas que não possuem trajetória consolidada no mercado que valide seus discursos.

A crítica é que elas utilizam uma linguagem motivacional que não reflete o dia a dia de quem administra uma empresa.

Na opinião de Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor no Brasil, os evangelizadores (pessoas que transmitem os valores do empreendedorismo) são importantes, pois ajudam a colocar a sociedade em contato com o tema. O perigo é quando caem na linha autoajuda: “Quando você vende só o lado do sucesso do empreendedorismo, você está contribuindo para uma idealização do tema que pode levar desavisados a empreender sem conhecer os riscos”.

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O discurso de autoajuda, porém, não é escolhido por acaso. Conteúdos motivacionais, que incentivam as pessoas a saírem da sua zona de conforto, fazem muito sucesso e garantem uma legião de fãs aos empreendedores de palco. São cursos, palestras, livros, e-books, posts em redes sociais, presenças em eventos e consultorias que ajudam a movimentar a indústria do empreendedorismo.

O questionamento entre especialistas é se os conteúdos apresentados realmente ajudam as pessoas a construírem empresas de sucesso. Cada caso deve ser analisado isoladamente, mas o diretor da Endeavor afirma que, com a ascensão do empreendedorismo, surgiram diversas referências fracas, ou seja, pessoas que não possuem empresas de sucesso ou que entendem pouco de gestão e se autopromovem como gurus.

“É muito comum empreendedores inflarem números e reproduzem histórias para aumentar seu grau de exposição. É a profecia autorrealizada, mas quando você vai verificar, a história não é bem essa”, diz Seabra. Ele orienta elevar o grau de criticidade sobre o que se ouve e checar se as histórias são verdadeiras.

Em artigo no site Projeto Draft, o empresário Bob Wollheim afirma que os empreendedores de palco utilizam de discursos simplificados. E orienta: “busque conhecer o outro lado que não o apenas motivacional” – para ele, o mundo dos negócios fora dos palcos é muito mais duro e cruel.

Sem rótulo

Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up, e Murilo Gun, comediante e empresário, foram chamados de gurus de auditório. Bel Pesce, conhecida como “A menina do Vale”, também é citada como empreendedora de palco.

Ela afirma, porém, que o segmento de comunicação tem uma barreira de entrada pequena, mas que só se mantém quem traz resultados. “Quem for a qualquer programa meu, sabe que eu falo o quanto as coisas são difíceis ou quanto é preciso trabalhar.”

Gun também refuta o rótulo. Explica que começou a carreira aos 13 anos, fundou uma empresa especializada em internet, foi sócio de outras e hoje se dedica a carreira de palestrante e comediante, num negócio milionário.

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