Ana Brum, diretora técnica do Centro Brasil Design: visão do design como custo e falta de políticas públicas são entraves do setor.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Pequenos negócios e profissionais autônomos que usam a criatividade para desenvolver produtos e serviços estão organizando ações e grupos na capital paranaense para se fortalecer cada vez mais.

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Mapeamento feito pela Agência Curitiba de Desenvolvimento em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação revela que a cidade tem hoje 19.263 empresas formais de economia criativa.

Elas geram 22 mil empregos com carteira assinada, das quais 3,8 mil pessoas trabalham exclusivamente com seus potenciais de inovação. O estudo divulgado neste ano foi elaborado com dados de 2014.

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INFOGRÁFICO: Veja um mapeamento da economia criativa no Brasil e em Curitiba

Diferentemente da economia tradicional, o segmento criativo foca em talentos individuais para criar valor, estando fortemente vinculado às características regionais ou locais.

Segundo o mapeamento, são 12 atividades presentes em Curitiba: propaganda, arquitetura, artes e antiguidades, artesanato, design, moda, filme e vídeo, software de lazer, artes performáticas, edição, jogos de computador e televisão e rádio.

Utilidade e singularidade das coisas

Artigo de Patrizia Bittencourt Pereira, consultora especialista em economia criativa do Paraná em Rede (Redec)

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Entre os nichos, o que recebe maior atenção da prefeitura é o audiovisual, pois tem mais potencial de desenvolvimento econômico ao alimentar a economia associada a outros segmentos produtivos.

Os demais ainda carecem de políticas de fomento e buscam através de iniciativas próprias ganhar notoriedade. Os casos mais bem sucedidos são os de design e de moda.

Com atuação desde 1999, o Centro Brasil Design (CBD) conecta empresas e designers, o que contribui para que o design ganhe força como atividade econômica. Além disso, promove seminários e workshops de capitação.

São 1.500 empresas cadastradas e mais de 400 escritórios de design que usam os serviços prestados pelo centro.

Na área de moda, a ação mais recente para valorizar a atividade foi a 1.ª Amostra de Moda Autoral de Curitiba realizada no mês passado, que reuniu nove marcas.

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O evento recebeu cerca de 3 mil pessoas durante os três dias de desfiles. Os desfiles foram coordenados pelo Instituto de Moda do Paraná (IMOP) que, desde 2014, faz encontros com os mais de 50 proprietários de ateliês presentes na capital para identificar as demandas do setor.

Já o audiovisual conta com um grupo chamado Gemac (Grupo Estratégico do Mercado Audiovisual de Curitiba), que reúne nove entidades públicas e privadas.

O objetivo do grupo é alinhar os projetos que antes estavam dispersos para tornar a cidade referência em produção audiovisual. As ações vão desde a capacitação de pessoas até a busca por investimento.

José Marcos Novak, criador da marca de bolsas MNovak. 

Ateliê produz bolsas artesanais em parceria com cooperativas

O arquiteto José Marcos Novak começou a criar bolsas artesanais em 2006 através do trabalho voluntário em uma comunidade carente de Curitiba. No local, dava aulas para uma cooperativa de costureiras que produziam bolsas manualmente a partir de resíduos e materiais de refundo vindo da indústria têxtil e do vestuário.

Após o contato com essas profissionais, Novak decidiu abrir o próprio ateliê no centro da capital. Até hoje, utiliza a mão de obra artesanal de cooperativas de Curitiba e Guarapuava para confeccionar seus produtos. São cerca de dez profissionais que prestam serviços para a MNovak. Antes, eram 30. “É difícil encontrar profissionais, porque os cursos tradicionais preparam costureiras para a indústria. Além disso, há muito rotatividade”, explica.

Por mês, a confecção produz em torno de 60 peças. Segundo o proprietário, em alguns períodos do ano não há vendas. Para tentar driblar a crise, investe em promoções e faz eventos de moda no espaço. Também participou da 1ª Amostra de Moda Autoral de Curitiba.

O dinheiro para manter o negócio funcionando vem da outra profissão de Novak, a de professor universitário. “Faço isso porque gosto e acredito que o trabalho autoral está ganhando mais visibilidade mundialmente.”

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Segmentos enfrentam dificuldades para consolidar negócios

Como as ações para fortalecimento da economia criativa são recentes, os segmentos ainda possuem várias demandas para que, de fato, consigam alcançar a sustentabilidade dos seus negócios. A área de moda autoral, por exemplo, busca mão de obra qualificada e visibilidade. “O ideal seria ter um espaço para abrigar os ateliês e tornar esse lugar um ponto turístico”, afirma Paulo Martins, presidente do IMOP. Outro ponto é a questão dos fornecedores. Como os ateliês não compram em alta quantidade, pagam mais caro pela matéria-prima. “Os custos diminuiriam se houvesse uma cooperativa de compras”, completa.

Já o design sofre com a falta de políticas públicas que coloquem a atividade como diretriz de governo. Outra barreira é a visão do design como custo. “O design vem para trazer mais valor ao produto. A competividade do produto regional é diferente com o investimento em design”, afirma Ana Brum, diretora técnica do Centro Brasil Design.

Na área do audiovisual, a demanda é por investimentos. Segundo a vice-presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná, Diana Moro, os empresários locais preferem investir em produtos do eixo Rio-São Paulo ao invés de colocar dinheiro em produções paranaenses. A mesma percepção tem Andréia Kaláboa, sócia da GP7. “As produtoras estão sempre trabalhando com poucos recursos financeiros, ou seja, sem capital de giro.”

Entre os vários segmentos da economia criativa, outra reivindicação é a falta de dados. Sem informações, não é possível traçar políticas de fomento, muito menos medir o impacto no Produto Interno Bruto (PIB). A presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, Gina Paladino, afirma que é difícil ter um mapeamento completo, porque há muitos profissionais informais. Ainda neste ano deve ser lançado outro estudo com números mais atualizados do setor.

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