Na foto, Sarah Lazaretti (à dir) e a filha, Marina, a grande inspiração da Alergoshop.| Foto: /

A necessidade é a mãe da invenção. No caso da empresária Sarah Lazaretti, a máxima valeu. Há pouco mais de duas décadas, ela transformou as noites mal dormidas e o sofrimento da filha com alergias em negócio. Sua marca, a Alergoshop, surgiu como uma lojinha que importava produtos já disponíveis no exterior, mas que eram raros de se encontrar no Brasil. Hoje é uma rede com produtos próprios e investimento em pesquisa. E que em breve deve se lançar no mercado externo.

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Sarah conta que a filha, Marina, ainda era bebê quando surgiram os primeiros sinais de asma e broncoespasmo. Fruto de alergias respiratórias. Com dois anos e meio, mais ou menos, veio a dermatite, alergia na pele. “Era muito desgastante, ela dormia mal. Tinha que acordar de madrugada para dar banhinho morno, pôr hidratante. Porque a criança não dorme”.

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Os médicos tentavam ajudar. Diziam: “mãe, tem que comprar hidratante hipoalergênico, shampoo, capa anti-ácaro”. Mas onde comprar? “Eu vi num congresso em Atlanta”, teria dito um deles, referindo-se à capital do estado da Geórgia, nos EUA, distante sete mil quilômetros de São Paulo.

Até aí, a vontade de adquirir os produtos era uma demanda pessoal. Mas Sarah começou a perceber um nicho de mercado em conversa com a sua irmã (e hoje sócia) Julinha. Bióloga, ela na época fazia especialização em imunologia. E contou que muitos médicos também reclamavam da falta de produtos antialérgicos que pudessem indicar para seus pacientes.

A primeira Alergoshop era uma lojinha em Pinheiros, com capas de travesseiro antiácaros e alguns cosméticos hipoalergênicos. Foi aberta em dezembro de 1993. Nestes quase 25 anos, o negócio cresceu. Hoje são três lojas próprias e 12 franqueadas, além do e-commerce. Os produtos também são distribuídos para estabelecimentos especializadas, como farmácias de manipulação e lojas de cosméticos.

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Combater a alergia em diferentes frentes

Além de ampliar o número de lojas, a Alergoshop investiu, nestes anos, em diversificar sua gama de produtos. As capas de travesseiro e de colchão seguem como destaque. Hoje são de fabricação própria. Há também umidificadores e purificadores, para aliviar alguns incômodos causados pela alergia.

Há, ainda, toda uma linha de produtos periféricos. Cuja necessidade poderia passar despercebida ao olhar dos não alérgicos. Mas que fazem toda a diferença. Caso de produtos de limpeza, óleos para o rosto e corpo, maquiagens, esmalte, semijoias. Tem até coletor menstrual hipoalergênico.

Nos produtos que exigem algum tipo de manipulação, a tática é retirar ou substituir as substâncias com maior probabilidade de serem alergênicas. Os esmaltes, por exemplo, são livres de sete substâncias. Produtos hipoalergênicos de marcas comuns em geral são livres de apenas três (7free e 3free são as nomenclaturas técnicas).

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Futuros alérgicos são um mercado em potencial

Boa parte da linha de cosméticos e de produtos de beleza da Alergoshop é livre de crueldade animal. Muitos são veganos, ou seja, feitos sem nenhum componente de origem animal. O que permite à marca atingir um nicho de mercado que tem se popularizado, com a internet: a de pessoas que se preocupam com a composição daquilo que passam na pele.

O que faz bastante sentido, do ponto de vista científico. A Alergoshop trabalha com dados de que, hoje, 30% da população têm algum tipo de alergia. Em 10 anos, pode chegar a 50%. A principal causa dessa escalada seria o uso indiscriminado de corantes e conservantes, seja na comida, em produtos para pele, cabelo. Em tudo.

“Quanto mais você usa os produtos, a chance de você se sensibilizar a alguma matéria prima vai ficar grande. Com esse uso imenso de produtos, isso [a chance de pessoas terem alergia] aumenta muito”, pondera Sarah Lazaretti, que tem sua origem profissional na área de saúde (ela era enfermeira obstetra, antes de virar empresária).

Especialistas ainda quebram a cabeça para explicar a origem da alergia. Mas uma das respostas mais populares é a chamada “hipótese da higiene”. A ideia de que o estilo de vida moderno, asséptico, diminuiu a exposição de muita gente a micro-organismos. O sistema imunológico, que já não precisa trabalhar tanto, fica confuso ao ver uma substância comum, e reage de forma desproporcional para combatê-la. É a alergia. Considerando que a população tende a se concentrar cada vez mais nas grandes cidades - e que o uso de substâncias só tende a crescer - a chance de uma escalada no número de alérgicos se confirmar é grande.

Expansão

Não é bem uma boa notícia. Mas é uma avenida para os negócios. Para 2017, a tática de expansão da Alergoshop se divide em duas. No setor de franquias, a meta é chegar a 50 loja até o final do ano. A estimativa é de que o investimento inicial para abrir uma unidade gira em torno de R$ 161.165,00, segundo informações da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

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Em paralelo, a empresa se prepara para lançar no setor de exportação. Talvez para o Canadá (onde a filha de Sarah, Marina, aquela mesma das alergias, vive hoje), ou para a América Latina, para começar “perto de casa”.

A empresa também estudo o lançamento de novos produtos, como um protetor solar fator 60 (o que é vendido hoje é número 30). Outro foco é em desenvolver mais produtos da linha infantil, que hoje conta com shampoo e condicionar (“João e Maia”).