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Os 400 trabalhadores da FrisMoldu Car, metalúrgica que produz frisos e molduras para carros, em São Bernardo do Campo, no ABC estão de braços cruzados desde quarta-feira passada em protesto às irregularidades trabalhistas que a empresa comete há pelo menos dez anos.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entre os principais problemas estão o atraso nos salários, trabalhadores com quatro férias vencidas, falta de recolhimento do INSS, e cerca de 100 funcionários que foram demitidos sem receber as verbas rescisórias. Muitos funcionários pagam vale-transporte do bolso, já que seu salário está atrasado.

Para piorar a situação, a General Motors do Brasil, uma das maiores clientes da Fris Moldu Car, retirou seu ferramental da fábrica na semana passada, devido aos problemas pelos quais a Fris atravessa, que incluem penhora de bens da metalúrgica. De acordo com representantes do sindicato, a iniciativa da General Motors já compromete 50% da produção da Fris Moldu Car.

— Os funcionários estão em uma situação delicada, pois não têm estímulo para trabalhar. Mas também estão apavorados com a hipótese de ser demitidos — conta.

Um sindicalista, que preferiu não se identificar, disse que após a retirada do material da General Motors, a empresa demonstrou a intenção de demitir trabalhadores.

— Mas todo mundo sabe que quem sai, não recebe nada. E não adianta fazer acordo — afirma.

O membro do sindicato credita os problemas da Fris à má administração. Segundo ele, a empresa passou pelas mãos de vários donos, que tiraram dinheiro e não investiram.

— A situação chegou ao limite — diz.

No próximo dia 19, haverá julgamento do dissídio coletivo da greve da Fris no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP). A GM é citada no processo, pois nunca cobrou soluções para os problemas da Fris.

Ao ligar para a Fris, a mensagem é de que o telefone está "temporariamente desligado". Já a General Motors informa que o caso está "sub judice", e que se reserva o direito de não comentá-lo.

O atual presidente da República chegou a trabalhar na Fris Moldu Car. Luiz Inácio Lula da Silva entrou na metalúrgica de São Bernardo do Campo, após se formar torneiro mecânico pelo Senai em 1963.

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