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Empresário de diálogo

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  • 23/07/2011 21:06
Edson Campagnolo, da Fiep Independente | Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Edson Campagnolo, da Fiep Independente| Foto: Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo

De Barros para Campagnolo

A verdadeira renovação na Fiep só se dará com a mudança das pessoas que conduzem a entidade. Como você vê esta renovação, que é tão desejada pelos sindicatos?

Em mudança de diretoria são normais ajustes, que serão feitos com muita responsabilidade. No sistema Fiep temos colaboradores comprometidos e precisamos valorizar este ativo. A oxigenação da entidade se faz com a troca do presidente, é natural. Mas não há como deixar de falar que a gestão do Rodrigo [Rocha Loures, atual presidente da Fiep] teve avanços significativos, que os sindicatos reconhecem. A presidência da Fiep não é um mandato político e sim da indústria do Paraná. Percorri todas as regiões do estado, escutando empresários e presidentes de sindicatos. Percebi que nossa entidade tem atendido grande parte de seus anseios. As novas demandas que apresentaram foram incluídas em nosso plano de gestão: fim da reeleição, apoio institucional aos sindicatos que já recebem auxílio jurídico, sindical.

A decisão de Edson Campagnolo de participar da eleição da Fiep ocorreu em dezembro passado. Na ocasião, o atual presidente Rodrigo Rocha Loures procurava um nome nas bases da entidade para dar continuidade ao trabalho. ?Meu nome foi lembrado. Isso foi uma grande honra e me colocou nesta disputa?, afirma. Na opinião do candidato, o fato de ser um industrial há 33 anos, ter ocupado a presidência da Associação Comercial de Capanema, a presidência do Sindicato do Vestuário do Paraná e, atualmente, ser vice-presidente da federação o capacitam para o cargo. ?Considero-me preparado porque sou das bases industriais, estou por dentro das necessidades das pequenas e grandes indústrias e o meu interesse é defender o setor.? Veja a opinião dele sobre as questões ligadas à Fiep:

Confira a entrevista com o candidato Edson Campagnolo

Orçamento de R$ 450 mi

De acordo com Campagnolo, grande parte deste recurso já tem destino certo. Em torno de R$ 430 milhões são destinados ao Sesi e Senai; o primeiro absorve 65% e o segundo, 35% do valor. ?Esse recurso é carimbado?, diz. Com o restante, o candidato planeja investir na ampliação e compra de novos equipamentos para as escolas e no fortalecimento da base sindical. ?O recurso livre será investido no suporte necessário aos sindicatos para fazer frente às suas demandas.?

Desafio da indústria

Um dos graves problemas do setor é a falta de infraestrutura, não só no Paraná, mas no Brasil. ?Esse bom momento da economia exige que os problemas de infraestrutura sejam resolvidos?, aponta Campagnolo. A solução estaria na criação de um banco de projetos, com orçamento de R$ 600 milhões a R$ 800 milhões, para viabilizar R$ 18 bilhões em investimentos em todos os modais no Paraná. O dinheiro seria viabilizado por meio de parcerias entre as entidades do Paraná e os governos estadual e federal. ?Se houver um consenso da diretoria, nós estamos dispostos a fazer um investimento.? A Federação seria uma espécie de agente motivador para buscar empresas e investimentos internacionais.

Guerra fiscal

Para Campagnolo, as reformas fiscal e tributária são questões prioritárias para o próximo presidente da Fiep e precisam ocorrer rapidamente. ?Se ocorrerem, vão colocar algum equilíbrio entre as regiões?, aponta. Ele ressalta que esse trabalho pode surtir mais efeito se realizado por um empresário. ?As questões de relacionamento do ambiente político devem ser feitas por um industrial. Nós sabemos as nossas dificuldades e quais os nossos anseios. Eu preencho todos os requisitos para transitar em qualquer gabinete de partido político?, afirma. Ainda segundo Campagnolo, uma entidade de classe não pode ser coordenada por um político de carreira para que a independência da instituição seja preservada. ?Eu refuto a tese de que uma entidade tem de ser presidida ou estar em um ambiente político favorável. Não sendo político, eu me sinto muito à vontade para fazer todas as cobranças necessárias para o setor?.

Política partidária

Para Campagnolo, a Fiep não deve interferir em eleições municipais nem estaduais. Sobre as acusações do uso da federação na última eleição para governador, o candidato nega qualquer hipótese. ?Posso adiantar que não houve uso de recursos da Fiep e o Rodrigo pai não facilitou a vida do Rodrigo filho ? vice na chapa de Osmar Dias. Inclusive, dentro da diretoria deveria haver mais cabos eleitorais do Beto do que do Osmar?, afirma. Campagnolo ainda ressalta que vê com bons olhos candidaturas de empresários. ?Se no meio empresarial houver candidatos, seria ótimo para fazer o contraponto.?

Financiamento

O candidato acredita que o diálogo é a solução para que a Fiep consiga mais recursos paras as empresas do estado. ?Existem linhas de crédito. O que está complicando o acesso é o fato de muitas empresas terem passivos?, diz. A alternativa seria a aproximação com uma cooperativa de crédito. ?Quero fazer um estudo de viabilidade com esse meio de crédito?.

Reeleição

?Essa foi a minha primeira bandeira.? Campagnolo quer o fim da reeleição na Federação. E, vai mais longe. Para ele, a reeleição deveria ser descartada da política brasileira. ?Esse exemplo eu quero transmitir para o ambiente político. A reeleição é desfavorável ao Brasil?, diz.

Votos

Diante da pergunta de quantos votos tem, Campganolo é rápido na resposta: 80 votos. De acordo com ele, 65 já haviam declarado apoio desde dezembro. Com a entrada de Carlos Walter na chapa Fiep Independente ? ele era candidato, mas desistiu ? outros 15 migraram para sua candidatura. ?Os meus cabos eleitorais são um pouco mais eficientes que os dele [Barros]. Os meus são industriais, sindicalistas, funcionários de empresas que sabem que as empresas têm de continuar na mão de empresários e a entidade na mão de representantes do setor. Na outra ponta, os cabos eleitorais do meu opositor são deputados, prefeitos e vereadores?, dispara.

Economia - Fiep - Edson Campagnolo

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