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Para entender

Empresários argentinos aceleram compra de empresas brasileiras

Ajuste fiscal, estabilização cambial e juros reais negativos melhoraram significativamente condições financeiras de argentinos (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

Investidores da Argentina estão aproveitando a estabilidade econômica de seu país para adquirir companhias brasileiras em diversos setores. Esse movimento inverte uma lógica histórica de décadas e coloca o Brasil como o principal destino do capital vizinho. A mudança ocorre enquanto empresas no Brasil enfrentam juros altos e dificuldades financeiras, tornando-se alvos atrativos.

O que causou essa mudança no fluxo de investimentos entre os dois países

A virada nos negócios aconteceu devido à estabilização econômica promovida pelo governo de Javier Milei. Anteriormente, a Argentina sofria com inflação extrema e falta de crédito, o que impedia investimentos fora. Agora, com o ajuste das contas públicas e a redução da volatilidade do peso, os empresários argentinos ganharam previsibilidade para planejar passos de longo prazo. Enquanto isso, no Brasil, a taxa Selic elevada encarece as dívidas das empresas locais, forçando muitas a venderem operações ou entrarem em recuperação judicial, o que gera oportunidades de compra.

Como os juros argentinos podem ser considerados mais baratos que os brasileiros

Embora a taxa nominal de juros na Argentina seja de 29%, ela é menor do que a inflação de lá, que está em 33,8%. Isso cria o chamado 'juro real negativo', o que na prática significa que o custo do dinheiro é baixo para quem investe. No Brasil, ocorre o oposto: os juros estão em 14% com uma inflação de 4,4%, resultando em juros reais de 9,15%. Esse cenário torna o crédito brasileiro um dos mais caros do mundo, dificultando a expansão das empresas nacionais e facilitando a entrada de investidores estrangeiros que possuem capital mais barato à disposição.

Quais são as principais vantagens competitivas do mercado brasileiro para os vizinhos

Além do fato de os ativos brasileiros estarem 'baratos' em termos relativos, o Brasil oferece uma escala de consumo imensa, com 213 milhões de habitantes — um mercado quatro vezes e meia maior que o argentino. Outro ponto crucial é a diversificação de riscos; ao investir aqui, o empresário reduz sua dependência exclusiva da economia doméstica argentina. Fatores como a proximidade cultural, as regras do Mercosul e cadeias produtivas que já são conectadas facilitam a integração dos novos donos, diminuindo drasticamente o tempo necessário para aprender a operar no Brasil.

Quais setores e empresários estão liderando essas aquisições no Brasil

A família Mindlin é um grande símbolo desse movimento, liderando a reestruturação da gigante do cimento InterCement e adquirindo ativos da fintech Warren. No setor farmacêutico, o laboratório Elea comprou a Cellera Farma, em uma operação que pode chegar a US$ 300 milhões. O agronegócio também é destaque, com o grupo GDM expandindo sua atuação em genética de sementes. Outras transações relevantes ocorreram na siderurgia, com a Ternium assumindo o controle da Usiminas, e na biotecnologia animal, mostrando que o interesse argentino abrange áreas estratégicas da economia.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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