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Neste domingo, o influenciador Lito Sousa – do canal Aviões e Músicas – publicou um vídeo em que ele aparece fazendo um pedido para ser incluído em tratamentos experimentais para a doença de Creutzfeldt-Jakob, um raro distúrbio neurodegenerativo e que costuma avançar rapidamente. Lito foi diagnosticado com a doença dias atrás, e está internado no Hospital Albert Einstein. O pedido de Lito, que se oferece como voluntário para testes com possíveis tratamentos, foi endereçado à Universidade Harvard, à empresa farmacêutica Ionis, o Instituto Broad e a Mayo Clinic. As instituições conduzem atualmente dois estudos que poderiam resultar em possíveis terapias para a doença, atualmente incurável.
Mila Seidl, esposa de Lito, já havia afirmado que ele entrou em uma lista de espera para o tratamento experimental da Universidade Harvard. “A gente já recebeu uma resposta de Harvard, acho que há dois dias atrás, que eles estão fechados no momento e vão abrir para admissão de novos pacientes em 20 de outubro. Então a gente está na lista de espera”, afirmou Mila em vídeo publicado no Instagram, segundo informações do portal G1. O casal, no entanto, tem pressa. “O que preciso agora é incluir ele rápido, porque essa é uma doença progressivamente rápida. De ontem [sexta] para hoje [sábado], ele já perdeu um pouco mais da visão”, afirmou a esposa de Lito, segundo o jornal O Globo.
Enquanto aguardam a oportunidade de participar do estudo da universidade norte-americana, Lito e Mila procuram outras alternativas de tratamento, já conseguiram autorização para o home care e estão preparando a casa para receber o influenciador. “Para o começo da semana a gente deve, eu vou tentar ir hoje para casa para dar uma olhada, para a gente adaptar as coisas”, acrescentou Mila, também de acordo com o G1. Até o momento, Lito apresenta apenas a deterioração na parte motora, o que é um início incomum para portadores da doença de Creutzfeldt-Jakob. O neurologista Felipe Schmidt afirmou ao canal GloboNews que normalmente a doença afeta de início a parte cognitiva, e não a motora. Mila afirmou que Lito segue totalmente lúcido. “[A cabeça está] tão íntegra que o médico orientou que ele aproveitasse essa janela, que a gente não sabe de quanto tempo é, para falar, para planejar, para aproveitar”, afirmou a esposa do influenciador.
Tratamento de Harvard usa “RNA de interferência” para reduzir quantidade de proteínas nocivas
A doença de Creutzfeldt-Jakob é causada por um acúmulo de príons (formas anormais de proteínas normalmente encontradas no organismo) no cérebro. Uma vez instalados, os príons não têm como ser combatidos pelo corpo e vão se espalhando – no caso da doença de Creutzfeldt-Jakob, os príons deixam o cérebro com um aspecto esponjoso, e só a necropsia é capaz de confirmar de forma incontestável o diagnóstico, que em vida é classificado como possível ou provável a partir dos resultados de exames neurológicos. Foi o que aconteceu com Lito, que estava se tratando de um câncer de próstata quando começou a apresentar perda de controle no braço e na mão esquerda.
Segundo o jornal O Globo, o tratamento experimental em teste na Universidade Harvard consiste em inserir um chamado “RNA de interferência”, que teria a capacidade de cortar o RNA mensageiro que envia às células as instruções para a produção dos príons, reduzindo sua quantidade no cérebro. “A proteína é o problema aqui, mas é difícil atingi-la uma vez que ela está lá, então queremos subir e atingir a molécula de RNA que produz a proteína”, afirmou em comunicado Eric Minikel, de Harvard, o principal investigador do estudo, citado pelo jornal carioca.
Os testes com animais reduziram em 49% a quantidade de príons em camundongos e prolongou em 64% o tempo de sobrevivência das cobaias, após uma única dose. Os estudos com humanos envolverão 15 pacientes, que receberão uma dose de RNA de interferência. Novos pacientes – recrutados a partir da lista de espera em que Lito foi incluído – receberão doses maiores, segundo O Globo. Outros 15 participantes formarão o grupo de controle, e não receberão o tratamento. Espera-se que os testes estejam concluídos em agosto de 2029.
Uma outra terapia, também pesquisada por Harvard e pelo Instituto Broad, consiste em edição genética para mudar o gene responsável pela produção dos príons. Em camundongos, essa estratégia baixou pela metade a quantidade de proteínas no cérebro e prolongou a vida dos animais em 52%. Os testes com humanos ainda não começaram, e devem levar alguns anos até serem iniciados. Uma das pesquisadores, Sonia Vallabh, é esposa de Minikel, perdeu a mãe para uma doença priônica e também foi diagnosticada com uma doença semelhante.




