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Mercado financeiro

Empresas sem histórico longo de lucros encontram aceitação em IPOs

Investidores aplicaram quase R$ 640 milhões na recém-criada Multiplus Fidelidade, apostando que ela terá capacidade de aumentar sua geração de caixa

  • PorGuido Orgis
  • 06/02/2010 21:04
Diretores da Multipus Fidelidade, na sexta-feira, dando início às negociações das ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) |
Diretores da Multipus Fidelidade, na sexta-feira, dando início às negociações das ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)| Foto:

Bons ventos

Novatas aproveitam onda de otimismo

A entrada de empresas novatas na bolsa geralmente ocorre em momentos de otimismo nos mercados, quando os investidores estão dispostos a assumir o risco de aplicar em um negócio novo, mesmo que sem histórico. No Brasil, a última onda de IPOs antes da crise trouxe alguns casos desse tipo. Além das empresas de Eike Batista, entraram no mercado outras companhias sem muito o que mostrar – como o fundo de investimento do setor de turismo Invest Tur, a BrasilAgro e a Brasil Ecodiesel. Como o processo é cercado de cuidados, com muitas exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o IPO dificilmente atrai amadores. O último evento que arranhou a imagem do processo foi em 2006, quando a empresa de tecnologia Govoip foi suspensa pela autarquia após espalhar que abriria o capital antes mesmo de ter um prospecto registrado. A CVM foi criada após uma onda de IPOs especulativos no início da década de 70 – e que ficou marcada por micos como a curitibana Cromagem Tarumã, que nunca deu retorno algum aos investidores. Um dia, por brincadeira, os veteranos do mercado inventaram o IPO da Merposa (uma redução de M... em pó S.A.), que aguçou o interesse dos novatos. (GO)

Na sexta-feira, o mercado de ações brasileiro teve o segundo lançamento de papéis do ano, da Multiplus Fidelidade. Chama atenção um fato pouco comum na bolsa: os investidores colocaram quase R$ 640 milhões para comprar 25% de uma empresa que não tem histórico longo de faturamento e lucro. Eles apostaram na ideia de que o negócio de comprar e vender pontos de programas de milhagem é promissor – tanto que a companhia foi avaliada em R$ 2,5 bilhões em seu lançamento, mais da metade do valor da sua criadora, a TAM.

A aplicação em ações de empresas que são só uma promessa faz parte da tradição dos mercados dos Estados Unidos e da Inglaterra, onde é comum que empreendedores com uma boa ideia na cabeça e pouco dinheiro no bolso recorram a IPOs (sigla que designa o lançamento inicial de papéis) para se capitalizarem. Esse tipo de aplicação é procurado por investidores com muito apetite por risco e tende a se proliferar em momentos de otimismo exagerado nos mercados – quando qualquer lançamento é comprado por preços que muitas vezes se mostram absurdos no longo prazo.

"O principal problema desse tipo de IPO é que fica muito difícil avaliar o que se está comprando. Sem um histórico muito sólido de geração de caixa e de lucratividade, o investidor passa a olhar para a capacidade de a empresa tirar o que promete do papel", diz Rodrigo Panin, especialista na avaliação de companhias e sócio da consultoria V2Finance. "No fundo, o investimento é um voto de confiança na qualidade dos gestores."

O caso da Multiplus se encaixa nesse perfil. A firma é fruto do desmembramento do programa de fidelidade da TAM e tem por trás o cacife dos executivos da companhia aérea. A ideia de expandir o negócio foi inspirada no caso bem-sucedido da Air Canada e tem potencial para crescer. Os resultados apresentados no prospecto do IPO, porém, ainda são modestos. Com 6,3 milhões de pessoas cadastradas, o programa teve um faturamento estimado de R$ 687 milhões nos primeiros nove meses de 2008 – o lucro foi de R$ 95 milhões.

Ao avaliarem a companhia em R$ 2,5 bilhões, os investidores acreditam que rapidamente ela vai aumentar a geração de caixa – hoje ela precisaria de 20 anos de lucros para pagar o investimento de R$ 16 por ação, enquanto a média do mercado é de 13 anos. Para dar um retorno, a Multiplus terá de expandir seu negócio, o pouco palpável comércio de pontos. A empresa fatura quando vende pontos às empresas parceiras, que os entregam a seus clientes fiéis. Quando é feito um resgate (para a compra de uma passagem aérea, por exemplo), a Multiplus gasta parte do que recebeu. O lucro está na diferença entre pontos vendidos e resgatados.

Modelo Eike

O mais notório caso de lançamento de empresas sem histórico de balanços é o do empresário Eike Batista. Sua empresa de petróleo, a OGX, levantou mais de R$ 6 bilhões em um IPO em junho de 2008 sem nunca ter tirado um barril de petróleo da terra. Ela tinha em mãos apenas concessões para a exploração em blocos com bom potencial – comprados com dinheiro do próprio Batista e de outros investidores. Nos últimos 12 meses, a companhia foi um dos destaques da Bovespa, com valorização de mais de 200%. Hoje, seu valor de mercado é de R$ 120 bilhões. Nada mal se comparada à tradicional Petrobras, que vale R$ 350 bilhões.

"O Eike Batista faz um marketing muito bom de suas empresas. Por enquanto, é a sua marca que está sendo vendida", diz o economista Alexandre Assaf Neto, professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). "Os investidores entram com a perspectiva de um ganho futuro. Se eles precificam corretamente ou não o risco, vamos ver com o tempo."

O modelo de Eike Batista está presente em diversas áreas da economia. Estão na bolsa a MMX, do setor de mineração, a LLX, de logística, e está para ser aberta a OSX, um estaleiro que, por enquanto, é apenas um projeto. Na bolsa, o desempenho desses papéis é invejável – com destaque para a LLX, que subiu mais de 400% e que no início tinha como maiores ativos concessões para a construção de portos. A OSX, que está com o processo de IPO em andamento, tem a intenção de construir um estaleiro em Santa Catarina em parceria com a coreana Hyundai.

"Não é ruim a entrada de projetos na bolsa, mas esse tipo de IPO é mais para investidores de grande porte", diz Wesley Ferreira, professor do Estação Business School e sócio da Acal Consultoria. Ele destaca que diversos IPOs recentes, mesmo que de companhias com longo histórico, decepcionaram quem pensava em aplicar no curto prazo. "Quando o negócio ainda é só uma ideia, o risco é ainda maior. Nesses casos a recomendação é mergulhar no prospecto para entender muito bem o negócio."

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