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Os pesquisadores Bruno Miyawaki e Thiago Carvalho de Mello: primeiros experimentos com as algas microscópicas já começaram. | Divulgação/LACTEC
Os pesquisadores Bruno Miyawaki e Thiago Carvalho de Mello: primeiros experimentos com as algas microscópicas já começaram.| Foto: Divulgação/LACTEC

Uma equipe de pesquisadores do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento) desenvolve, em parceria com a Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), uma tecnologia envolvendo microalgas capazes de captar 50% do gás carbônico (CO2) e 40% do nitrogênio (NOx) do total das emissões geradas e emitidas à atmosfera pela termelétrica.

A tecnologia prevê melhoramentos em eficiência das algas microscópicas, que seriam cultivadas nas chaminés da usina e absorveriam parte dos compostos prejudiciais à qualidade do ar, emitidos quando a estrutura entra em operação. Duas turbinas são movidas a gás e a terceira pelo vapor recuperado das primeiras.

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“É da natureza das algas se alimentarem de CO2 e NOx. Fixadas no local de passagem dos gases, elas encontram um ambiente ideal para se desenvolver e, com o tempo, garantir uma capacidade ainda maior de absorção dos componentes”, explica o engenheiro químico e pesquisador do LACTEC, Thiago Carvalho de Mello.

O projeto é inédito no Brasil e incentivado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em quatro anos, R$ 6 milhões devem ser investidos nas etapas de pesquisas, testes e homologação da novidade. Os recursos são provenientes da própria UEGA.

Desde 2000, empresas do setor de energia elétrica são obrigadas por lei a aplicar um percentual da Receita Operacional Líquida (ROL) em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Outros três projetos para reduzir falhas nos equipamentos da usina, utilizar mais água de reuso nos processos e consumir menos gás natural durante a geração de energia devem ser desenvolvidos nos próximos anos, com investimentos totais na ordem de R$ 26 milhões.

Trabalhos iniciados

O laboratório para o desenvolvimento da tecnologia já foi construído no LACTEC e está em fase de finalização. Em breve, com a chegada dos equipamentos necessários, os pesquisadores darão início à etapa de criação de um protótipo que simula as condições que as algas encontrarão nas chaminés. Para formar as culturas testadas em laboratório, as microalgas serão retiradas de lagos, rios e ambientes úmidos de Curitiba. Espécies internacionais e de outros estados brasileiros também devem ser investigadas e comparadas.

Ganho de mercado

Além dos benefícios ao meio ambiente, o projeto também pode conquistar o mercado mundial e gerar receita. Conforme as algas cumprem a tarefa de captação de gás carbônico e nitrogênio, vão sendo substituídas por outras mais novas.

As antigas, por sua vez, ainda têm uma última função: contribuir para a criação de biomassa que pode ser comercializada e utilizada na produção de óleos, ração animal e outros insumos.

“Ainda não sabemos ao certo a porção de poluentes que a usina pode deixar de emitir, mas as expectativas são positivas. Quando atingir o nível de maturidade adequado, o projeto pode ser replicado em outras termelétricas e gerar vantagens ainda mais significativas”, comenta Flávio Chiesa, diretor técnico da UEGA.

UEGA

Com potência máxima de 460 megawatts/hora, a Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA) é a quinta maior termelétrica do Brasil em termos de capacidade instalada. É capaz de abastecer todo o Paraná e ainda exportar energia às regiões Sul e Sudeste. Como boa parte das termelétricas do país, funciona apenas em momentos emergenciais, quando os reservatórios das usinas hidrelétricas são insuficientes para atender a demanda do país. Por conta da carência de chuvas, desde 2013 a UEGA tem funcionado praticamente sem interrupções. Em 2014, por exemplo, operou em 11 meses do ano e, em 2015, em oito. Este ano, mais chuvoso até o momento, a usina foi acionada apenas em janeiro.

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