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Usina elétrica a carvão na China: poluição e uso de recursos hídricos. | JOHANNES EISELE/AFP
Usina elétrica a carvão na China: poluição e uso de recursos hídricos.| Foto: JOHANNES EISELE/AFP

O conjunto de todas as centrais de carvão do planeta consomem uma quantidade de água equivalente a 1 bilhão de pessoas, afirmou nesta terça-feira o Greenpeace em um relatório, que denuncia um setor já criticado por sua emissão de carbono.

A ONG alertou contra a multiplicação de centrais, responsáveis por exercer uma enorme pressão sobre as principais bacias hidrográficas do mundo e sobre as populações que vivem em suas imediações.

No relatório intitulado “A grande apropriação da água: como a indústria do carvão está agravando a crise global da água”, divulgado em Hong Kong, a ONG ambiental convoca os governos a reduzir drasticamente sua dependência desta energia fóssil.

“Ao decidir continuar fazendo grandes investimentos no setor de carvão para alimentar suas economias nas próximas décadas, os governos dirigirão o mundo a um futuro onde a rivalidade por recursos hídricos escassos será ainda mais desesperada”, afirma o documento.

Para elaborar este relatório, o Greenpeace estudou os dados de 8.359 centrais de carvão em todo o mundo, com informações de outras 2.600 unidades em fase de projeto.

A organização explica que quase todas as etapas do ciclo utiliza água, de sua extração a sua purificação, passando pelo tratamento de resíduos. “Segundo nossos cálculos, apenas as centrais existentes já consomem 19 bilhões de metros cúbicos de água doce no mundo todos os anos”, afirma o documento.

“Isso significa que, a cada ano, as 8.359 centrais de carvão do mundo consomem um volume de água suficiente para responder às necessidades básicas de mais de um bilhão de pessoas”.

Mais de 40% das centrais existentes ou em projeto se encontram em zonas de uma grande variabilidade hidrológica.

O Greenpeace cita a China, a Índia e a Turquia como os países com maior número de centrais ou de projeto de construção, em zonas com escassez de água.

“Os responsáveis não são conscientes das quantidades de água utilizada” por este tipo de instalações, disse à AFP um funcionário de alto escalão da ONG, Harry Lammi.

Os governos que persistem no carvão também colocam em risco sua economia e a ordem pública ao conceder o uso destas reservas de água à indústria, em vez de direcioná-las à população, considera a organização não governamental.

As energias fósseis, entre elas o carvão, produzem três quartos das emissões de gás de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.

Em um relatório de 2015, as Nações Unidas estimaram que, se a gestão da água não for modificada, “em 2030 o planeta enfrentará um déficit global de 40%”.

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