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Confira dúvidas esclarecidas pelos painelistas Lucas Dezordi, professor de Macroeconomia e Política Monetária da Universidade Positivo, e Gustavo Selig, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Se houver uma bolha, quais são os primeiros sintomas a serem percebidos? (Cristiane e Pedro Monçores, empresários)

A principal característica de uma bolha é a alta de um valor acima do preço real do mercado, que desrespeita a relação oferta/demanda. O que preocupa os economistas, explica Dezordi, é quando a alta é influenciada por financiamento, praticando preços irreais. Já uma alta de valores é equilibrada naturalmente pelo mercado.

A valorização excessiva dos últimos anos pode ser caracterizada como bolha? (Gianne Vieira, dentista)

Segundo Dezordi, não há bolha imobiliária no Brasil, e sim um boom potencializado pelo aumento de financiamentos e dos salários, que reflete no preço dos imóveis. Sua previsão é de que os reajustes se estabilizem entre 10% e 14% ao ano. Selig aponta que o setor equivale a menos de 15% do PIB do país, enquanto nos EUA e na Europa – estes, sim, com bolha – apresentavam um valor de aproximadamente 90% do PIB. Outra característica da crise norte-americana foi a sobrevalorização de hipotecas, financiando um imóvel para investir em outro sem quitá-lo, o que não ocorre por aqui.

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A alta valorização dos imóveis deve se manter na região central e também nos bairros nobres de Curitiba pelos próximos anos. Já em locais mais afastados do centro da cidade, os preços podem até sofrer desvalorização. Esta possibilidade foi levantada durante um debate promovido pela Gazeta do Povo na ExpoMoney, feira de investimentos pessoais que termina nesta quarta-feira em Curitiba.

Segundo Gustavo Selig, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) e um dos participantes do painel, a valorização nos locais nobres não será a mesma dos últimos anos – de até 30% por período –, mas ainda terá valores representativos. "Podemos dizer que será algo acima dos 10%", afirmou. De acordo com o outro painelista, o economista-chefe da Inva Capital, Lucas Dezordi, este crescimento nos preços deve seguir a valorização dos Certificados de Depósito Interbancário (CDIs), e pode rondar até os 14% anuais.

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No outro sentido, os bairros afastados do centro e também aqueles que concentram imóveis com valores mais baixos poderão passar por uma depreciação real. "Neste locais, falamos em crescimento de preços aos níveis da inflação ou ainda menores que isso", afirmou Selig, da Ademi. A variação de preços seria em torno de 5%, segundo ele.

Bolha

Com esse cenário, os especialistas descartam a possibilidade de uma bolha imobiliária curitibana. Ainda na opinião do dirigente da Ademi, a cidade tem certo espaço para preços maiores. "É o mesmo caso de Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador, onde a estabilização dos preços ainda vai levar alguns anos", afirmou ele. O oposto ocorre em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, onde, segundo o professor Dezordi, os preços são exagerados. Segundo ele, esses mercados contam com uma possibilidade mais real de depreciação em prazos médios.

Outro sinal que descaracterizaria um quadro de bolha é a saúde do sistema bancário brasileiro. Segundo Dezordi, um estouro nos preços e, consequentemente, no mercado imobiliário teria sinais na atividade do sistema financeiro nacional. "Se houvesse uma bolha imobiliária no Brasil, a Caixa, o Banco do Brasil e o Itaú estariam quebrando. Mas, ao contrário, eles estão muito bem", lembra Dezordi.

Serviço:ExpoMoney: Palestras a partir das 14 horas desta quarta-feira, na ExpoUnimed (Rua Pedro Parigot de Souza, 5.300), Curitiba. Entrada gratuita. Mais informações no site www.expomoney.com.br

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