
Experimente ficar sem o controle remoto da televisão por algumas horas. Difícil? Esse é apenas um pequeno exemplo de como a tecnologia se entranhou na vida contemporânea. Existe uma infinidade de outros produtos que se tornaram essenciais. A pedido do Caderno de Informática, um grupo de usuários de diferentes perfis montou uma listinha com o que é indispensável hoje em dia. Eletrodomésticos banais, como tevê, geladeira e forno não entraram no ranking de 10 equipamentos que pode ser conferido nesta página.
O gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM, Cezar Taurion, como o próprio cargo indica, tem tudo a ver com o movimentado mundo das traquitanas indispensáveis, e ainda faz parte do grupo de pessoas que têm acesso constante às novidades. Ele é proveniente da geração analógica, que trabalhou com máquina de escrever e apresentava palestras com transparências e retroprojetor. Mas tentou imaginar como seria viver num mundo sem internet, YouTube, Google e celular, e se viu em apuros. Sua lista de sobrevivência inclui internet e seus derivados, como Google, YouTube, GoogleEarth, comércio eletrônico, e-mail, instant messaging, celular, computador e câmera digital. "Imagine tirar dezenas de fotos de algo trivial sem elas?" indaga.
O PC é, disparado, o item mais lembrado quando se trata de tecnologias indispensáveis. Afinal, diz a estudante Jéssica Machado, de 18 anos, sem ele não haveria rede mundial de computadores! Por conta dos vestibulares, Jéssica cita como indispensáveis Google, Wikipedia e sites de vestibulares. É claro que, mesmo com o concurso para entrar na universidade à porta, ela tem necessidade de conversar. Assim, outros eleitos são Orkut, MSN e sites de jogos como o www.neopets.com. A lista não poderia deixar de ter a velha amiga televisão, presente em mais de 90% das casas brasileiras. "Se tivesse nascido antigamente, certamente não me sentiria tão ligada à tevê, mas ela se faz essencial, tanto do ponto de vista do entretenimento quanto do informativo", diz Jéssica, que também elege como prioridade o celular. "Principalmente quando não sei direções, mas também para me comunicar", cita.
Para a professora Rosane Azeredo, a tecnologia é aliada na produção de planos de aula para tanto, ela elege a família Office como prioridade. Mas ela não poderia ficar sem os sites de relacionamento. Para encontrar os amigos e membros desgarrados da família, Rosane considera o Orkut indispensável . "Também não ficaria sem o e-mail", diz, assumindo também sua imorredoura paixão por DVD e controle-remoto.
Um campeão de público e crítica
O celular é um campeão de popularidade, não há como negar. Desde que foi usado pela primeira vez (no Brasil, isto ocorreu em 1990), a telefonia móvel tornou-se aliada e senhora da era da informação. O país tem hoje mais de 110 milhões de linhas ativas, ou quase 100 milhões de consumidores fiéis de aparelhos que ajudam a falar, mandar mensagens de texto e de imagens e, agora, a acessar a internet, organizar tarefas, armazenar contatos. E, em breve, servirão para assistir a vídeos pesados e instalar uma série de aplicativos que chegarão com as redes de terceira geração (3G).
O Brasil está, agora, em plena época de renovação deste parque tecnológico, ou seja, quem comprou aparelhos mais simples já está correndo atrás de modelos mais modernos, coloridos e dotados de câmeras digitais ou tocadores de MP3, a grande vedete. Espera-se para o início de 2008 a implantação da tecnologia 3G no país.
A história da telefonia móvel é dividida por gerações. A primeira (1G) era a analógica; a segunda (2G), já digital; a intermediária 2,5G, com maiores velocidades e mais capacidade de transmissão de dados e voz, agora feita por transmissão de pacotes e não mais por comutação de circuitos. Vem então a terceira geração, com muito mais velocidade, o que permitirá até a exibição em tempo real de programas de tevê.
Da 2.ª Guerra em diante, saltos na evolução do PC
O computador é uma escolha meio óbvia para a lista dos equipamentos indispensáveis hoje em dia. Mas é esse consenso em torno de sua importância que justifica sua inclusão nesta página. Como citar internet, sistemas operacionais e softwares de edição de textos sem falar daquele que é a mola propulsora de tudo isso? O aparelho é tão necessário que, somente este ano, os brasileiros devem comprar pelo menos 10 milhões de PCs.
Durante os séculos, inúmeros modelos de máquinas foram sendo desenvolvidos, mas foi só durante a Segunda Guerra Mundial que nasceram os computadores da maneira como os conhecemos hoje. Na época, a Marinha americana, juntamente com a Universidade de Harvard, desenvolveu o Mark I, projeto do professor Howard Aiken. Ele ocupava 120 metros quadrados e era capaz de multiplicar dois números de dez dígitos em três segundos.
Ao mesmo tempo, o exército americano desenvolvia um projeto mais poderoso, o Electronic Numeric Integrator and Calculator (Eniac), computador de válvulas capaz de fazer 500 multiplicações por segundo. Dali em diante, foram nascendo modelos cada vez mais eficientes e, claro, mais rápidos. Até que surgiu a computação pessoal: em agosto de 1981, a IBM apresentou ao mundo o primeiro PC, de arquitetura aberta, o que permitiu uma padronização que até hoje dita as regras do mercado. Ter dentro da mesma carcaça peças de marcas diferentes, compatíveis entre si, foi o marco de uma história de sucesso.
O melhor amigo do zapeador
O primeiro controle foi desenvolvido pela companhia norte-americana Zenith Radio Corporation no início dos anos 50 e era ligado ao televisor através de um fio. Em 1955, a mesma empresa anunciou a criação de um aparelho semelhante, só que sem fio. Foi só em 1977, no entanto, que o infravermelho foi criado, pelo conglomerado International Telephone & Telegraph (ITT). Nascia, definitivamente, o formato de controle remoto conhecido hoje em dia, aquele que talvez seja o melhor amigo de quem não desgruda da tevê.
Hoje, existem inúmeros modelos de controles remotos universais e aparelhos celulares e PDAs que trazem a tecnologia incorporada, podendo, assim, comandar televisores, DVDs, condicionadores de ar e até computadores.
Memória é essencial no mundo eletrônico
A memória digital pode ser de qualquer formato: DVD, CD, pen drive, cartão, disco rígido... O uso que se faz dela, no entanto, é o mesmo: armazenar informações. Ficar sem memória em um mundo cada vez mais dependente das informações trocadas via meios eletrônicos é inviável. É por isso que o backup, tão propalado e tão esquecido, é tão importante. Sem ele, milhares ou milhões de textos, imagens, planilhas, vídeos e sons ficam sob risco iminente de desaparecer sem deixar vestígios.
Hoje, são muito comuns os pen drives, chavezinhas de memória flash que também são usados como MP3 players. Outro segmento que cresce muito é o de cartões de memória, usados em celulares e câmeras fotográficas. Eles ficam cada vez menores, mas sua capacidade cresce em progressão geométrica.
Foto digital aposenta filmes e câmeras analógicas
Estão à venda no mercado brasileiro, em larga escala, modelos de câmeras com mais de 8 megapixels de resolução e zoom óptico (o verdadeiro) de várias vezes, sendo o mais comum o de 3x. Os fabricantes, no entanto, já investem em melhores interfaces, em lentes de mais qualidade e, claro, em carcaças cada vez menores e estáveis, e em tempos de resposta (tempo do disparo até a captura da imagem) cada vez mais curtos. Assim, a fotografia analógica fica cada vez mais obsoleta, enquanto a digital torna-se mais comum, abrindo caminho para outro mercado que só cresce: o de mídias de armazenamento, principalmente os cartões de memória.







