Eike Batista caminha na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: cenário para o grupo X é bastante complicado| Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Folhapress

R$ 2,26

O dólar fechou em alta pelo segundo dia ontem, puxado principalmente pelas preocupações com o início do corte nos estímulos econômicos dos EUA antes de dezembro deste ano, a tensão política em Portugal – que a agrava a insegurança em relação à Europa – e o menor crescimento chinês.

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Crise da OGX ameaça todo o grupo

Leia mais na matéria de Cintia Junges e Vitor Santana

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, fechou ontem em queda de 0,41%, aos 45.044 pontos, pressionado pela baixa de mais de 13% dos papéis da OGX, empresa de petróleo de Eike Batista. Apesar de pequena, a queda foi a quarta seguida, o que fez a bolsa brasileira renovar sua menor pontuação desde 22 de abril de 2009, quando ficou em 44.888 pontos.

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"O dia foi instável devido ao clima de cautela no exterior e com investidores aproveitando para investir em papéis ‘baratos’ na bolsa nacional", disse Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora. As ações da OGX tiveram a maior queda do Ibovespa no dia, de 13,33%, para R$ 0,39. Como representam mais de 5% do índice, esses papéis têm forte influência no desempenho do mercado brasileiro.

Segundo a BM&FBovespa, os negócios com esses papéis foram interrompidos quatro vezes ao longo do dia para a realização de leilões, na tentativa de amenizar a queda da cotação.

As ações mais negociadas da Petrobras, que caíram fortemente na terça-feira por causa da contaminação do cenário para a OGX, reagiram e fecharam em alta de 3,31%, para R$ 15,90. "Os cenários são bem diferentes para ambas as empresas. Não sabemos dizer se a OGX vai estar produzindo daqui a um ano. A Petrobras, no entanto, sabemos que continuará sendo uma das maiores do setor, apesar da interferência política", diz Luana Helsinger, analista do GBM.

Outras empresas do grupo EBX tiveram desempenhos opostos. Os papéis da mineradora MMX subiram 17,27%, enquanto os da empresa de logística LLX tiveram ganho de 1,27%. Os papéis dos bancos credores do grupo EBX, que na terça tiveram fortes perdas, voltaram a cair ontem. As ações do Bradesco, por exemplo, caíram 0,81%, enquanto as do Itaú cederam 1,14%.

Sentido oposto

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Por outro lado, os papéis da varejista B2W lideraram os ganhos do Ibovespa, com um avanço "misterioso" de 27,85%, para R$ 8,63. "Há boatos no mercado de que a americana Amazon pode ter interesse na compra da B2W para entrar no mercado brasileiro. É preciso cautela, pois as ações da Lojas Americanas [controladora da B2W] não subiram, o que deveria acontecer se isso fosse verdade", disse Galdi.

Perspectivas

Para Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora, a tendência continua negativa para o Ibovespa devido a fatores externos, como a indefinição sobre o início do corte nos estímulos nos Estados Unidos.