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Franquias impulsionam clínicas de odontologia

Demanda maior por serviços de dentista favorece expansão de consultórios. Modelo de franchising melhora gestão e lucratividade

  • Liana Suss
Jonny Santana, Marcelo Claure e Cristiano Wulff, da rede Dentare: gestão profissional. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Jonny Santana, Marcelo Claure e Cristiano Wulff, da rede Dentare: gestão profissional. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
 
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O crescimento da classe média brasileira na última década elevou a demanda por serviços odontológicos. Com mais dinheiro no bolso, a população passou a procurar mais o dentista e com frequência, ampliando um mercado até então restrito a consultórios particulares e profissionais autônomos. Este cenário se tornou ideal para a ascensão de um modelo de negócio ainda pouco explorado na odontologia: o franchising .

A franquia de clínicas dentárias vem crescendo no mesmo ritmo da busca do brasileiro por serviços de prevenção a problemas bucais e tratamentos estéticos, como aparelhos ortodônticos e clareamentos. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), atualmente existem 39 redes franqueadoras de odontologia (cinco no Paraná). Em 2014, o faturamento de franquias no segmento de estética, medicina e odontologia somou quase R$ 2,1 bilhões.

Segundo a diretora da ABF Sul, Fabiana Estrela, cada vez mais os profissionais da área procuram se diferenciar. “É preciso ter gestão, marketing e público-alvo definido. O dentista empreendedor que acumula conhecimento de gestão e sabe ensinar isso, vira franqueador. Com trabalho bem feito e valor justo, é possível continuar atuando e reproduzir isso em escala”, diz. Fabiana destaca que o franchising é a oportunidade de um dentista estender seu teto de lucratividade, que é limitado na atuação como autônomo.

Faturamento maior

Quando perceberam que o faturamento como autônomos ficava aquém do que almejavam, o dentista Fernando Massi e sócios criaram em 2004, em Londrina, a rede Ortodontic Center, hoje com 160 unidades. Em 2015, a rede prevê um faturamento em torno de R$ 120 milhões.

“A união da classe é a única forma de se ganhar dinheiro com odontologia. Nosso trabalho é mudar o hábito da população com relação aos serviços da área”, diz Massi. A meta é chegar a 3 mil unidades até 2022.

Experiência

Além de absorver a grande quantidade de profissionais formados a cada ano, que apostam na credibilidade de uma marca para atrair seus primeiros pacientes, as franquias também são uma oportunidade para dentistas mais experientes, que escolhem converter suas clínicas para se atualizar e aumentar o rendimento.

Esse é o perfil de franqueado almejado pela Ortoplan, de Foz do Iguaçu. Focada em atendimento especializado para classes B e C, a rede deve chegar a cem unidades até o fim do ano, 25 delas no Paraná. A Ortoplan oferece a possibilidade de um lucro superior a R$ 100 mil para o franqueado. Com unidades até no Paraguai, a empresa planeja entrar em outros países do Mercosul nos próximos anos.

“Buscamos profissionais com mais de 15 anos de experiência, que viram uma limitação e buscam não só capacitação clínica, mas administrativa. Garantimos que da porta da sua sala para fora, é nossa responsabilidade”, diz o dentista Faisal Ismail, fundador da rede.

Conselho recomenda atenção na escolha da rede franqueadora

Apesar de reconhecer que o franchising é uma forma rápida de o profissional entrar no mercado e obter retorno do investimento, o Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR) vê com ressalvas o modelo de franquia aplicado à área.

Sobretudo no caso de franqueadores sem conhecimento da área odontológica e que acabam por infringir a ética da profissão. “Esses empresários são verdadeiros recrutadores de clientes. Eles criam uma marca e cedem seu uso, realizam publicidade totalmente irregular e alguns sequer prestam assistência aos seus franqueados”, diz o dentista Claudenir Rossato, presidente da Comissão de Ética do CRO-PR.

Ele menciona como desvantagem também a falta de autonomia do franqueado em divulgar seu nome, escolher fornecedores e controlar a gestão do próprio negócio.

Atos ilícitos

Segundo ele, os franqueados acabam tendo que responder por atos ilícitos realizados pela franquia e podem ser penalizados em processos por infração ao Código de Ética perante o conselho. Por isso, antes de optar por uma franquia, o CRO recomenda uma análise criteriosa que vai da marca e do tempo de mercado ao contrato, planejamento e assistência do franqueador. (LS)

“Antes as pessoas conheciam os dentistas, agora conhecem as marcas”

Para profissionais com bom conhecimento técnico mas pouca experiência na área administrativa, a franquia aparece como um facilitador, já que fornece um modelo padronizado de gestão, além de conseguir preços mais competitivos pela compra em escala. Foi o que motivou a criação da rede curitibana Dentare, há 12 anos. Sobrecarregados com dez clínicas sob sua gestão, os dentistas e sócios Marcelo Claure e Cristiano Wulff optaram pelo franchising.

“As pessoas estão procurando profissionalizar a gestão. Nossos melhores dentistas se tornaram franqueados e hoje, com apoio da franquia, ganham como profissionais da área e como empresários, com um lucro de até 25% sobre o faturamento bruto”, destaca Claure. Prestes a alcançar 20 unidades, a Dentare deve dobrar de tamanho nos próximos dois anos.

“Antes as pessoas conheciam os dentistas, agora conhecem as marcas. Por isso, é preciso aliar o conhecimento em gestão ao serviço de qualidade, além de monitorar os franqueados para manter o padrão”, explica Johnny Santana, diretor de marketing da Dentare e consultor da área. Ele aponta a franquia como um investimento seguro para cenários de crise, como o que vive o brasil. “Com suporte e visão de mercado, os empresários se fortalecem em grupo.” (LS)

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