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Sede do FMI, em Washington: fundo pôs à disposição dos países-membros quase US$ 250 bilhões para responder à crise financeira. | Tim Sloan/AFP
Sede do FMI, em Washington: fundo pôs à disposição dos países-membros quase US$ 250 bilhões para responder à crise financeira.| Foto: Tim Sloan/AFP

Pílulas de nervosismo

Notícias que marcaram os mercados globais nesta sexta-feira.

Apelo

O presidente dos EUA, George W. Bush, disse pela manhã que o sistema financeiro americano não está isolado do resto do mundo e destacou as reuniões que ocorrem neste fim de semana entre o governo americano e representantes do G7 (grupo dos sete países mais ricos) e do G20 (grupo de países emergentes liderado pelo Brasil), nas quais espera que sejam coordenadas ações diante da crise.

No Sol nascente

A Bolsa de Tóquio fechou em forte baixa, com o índice Nikkei 225 caindo 9,6% e encerrando a sessão no seu nível mais baixo em cinco anos. Desde o início desta semana, o índice cedeu 24% de seu valor. Ampliando o sentimento de crise no mercado, a seguradora Yamato Life Insurance entrou com um pedido de recuperação judicial, no primeiro exemplo de uma companhia japonesa a cair devido à crise das hipotecas de segunda linha (subprime).

Investimentos tóxicos

Depois de Sadia e Aracruz, ontem foi a vez de o Grupo Votorantim divulgar prejuízos com operações financeiras de alto risco, apelidadas no mercado de derivativos tóxicos ou "tarja preta". O grupo de Antonio Ermírio de Moraes informou ter contabilizado um prejuízo de R$ 2,2 bilhões apenas para eliminar a exposição financeira da empresa às oscilações do câmbio.

Os ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-7, grupo de países mais industrializados do mundo, disseram na noite de ontem que vão adotar ações urgentes e excepcionais para lidar com o aperto no crédito global e que vão usar todos os instrumentos disponíveis para proteger instituições financeiras importantes do colapso.

O projeto prevê a adoção de "todas as medidas necessárias para desbloquear o crédito e os mercados monetários" para que os bancos tenham amplo acesso a dinheiro novo, tanto público quanto privado. O grupo de países também se compromete a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário – onde a crise se originou – e destaca a necessidade de se restabelecer a confiança no setor bancário. O anúncio foi feito ontem, depois da reunião ocorrida no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

A recapitalização dos bancos é essencial para a restauração da confiança nos mercados financeiros, havia dito no dia anterior o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

Detalhes

Os ministros do G-7 resumiram seus novos compromissos num comunicado com cinco itens: 1) usar todos os meios disponíveis para apoiar sistematicamente as instituições financeiras importantes e impedir sua falência; 2) fazer o necessário para descongelar os mercados monetários e de crédito e garantir amplo acesso dos bancos e outras instituições aos fundos necessários; 3) garantir que os bancos e outros intermediários importantes, na medida do possível, possam levantar capital de fontes públicas e privadas, em volume suficiente para restabelecer a confiança e para continuarem emprestando a empresas e famílias; 4) oferecer garantias aos depositantes; 5) agir para restabelecer o mercado secundário de hipotecas e outros ativos securitizados.

Os ministros comprometeram-se a tomar os cuidados necessários para proteger os contribuintes e evitar danos a outros países. Anunciaram, também, a disposição de usar os instrumentos macroeconômicos adequados, a apoiar o socorro do FMI aos países abalados pela crise e a trabalhar pela reforma do sistema financeiro.

Ampla intervenção

As decisões dos ministros coincidem com as principais sugestões apresentadas nesta semana por Strauss-Kahn e outros altos funcionários do FMI. Até a quinta-feira, a maioria dos governos da União Européia rejeitava intervenções mais amplas que aquelas empreendidas pelos bancos centrais.

"A turbulência nos mercados é um evento global", disse o secretário de Tesouro dos EUA, Henry Paulson, depois da reunião, ao justificar as decisões. A situação, segundo ele, impõe medidas cooperativas a autoridades financeiras e monetárias de todo o mundo. Além das autoridades americanas, compõem o G-7 os ministros de Finanças e presidentes de BCs de Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.

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