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Gasto com juro leva 7% do PIB, diz Ipea

De acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, despesa com pagamento da dívida é improdutiva e concentradora de renda

Gastos públicos com pagamento de juros |
Gastos públicos com pagamento de juros (Foto: )

Nos últimos sete anos, a soma das despesas com saúde, educação e investimentos diretos não chegou à metade dos gastos da União com o pagamento de juros da dívida pública. Entre 2000 e 2007, o endividamento público consumiu R$ 1,267 trilhão – cerca de 7% ao ano em média do total do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Ao mesmo tempo, os gastos totais com saúde, educação e investimentos diretos ficaram em R$ 554,6 bilhões, de acordo com o estudo sobre evolução da renda divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No total, as despesas com juros representam 4 vezes o valor do orçamento da União em gastos com saúde, 8 vezes os gastos com educação e 13 vezes os investimentos entre 2000 e 2007.

O Ipea destaca o desempenho do governo em termos de aumento da arrecadação, ao mesmo tempo em que questiona a qualidade do gasto público com o pagamento de juros, por considerá-lo improdutivo. "[O pagamento de juros] não gera emprego tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores" diz o estudo. O instituto considera que a prática contribui para concentrar ainda mais a renda nacional, ao remunerar um pequeno grupo de detentores de títulos financeiros.

Para o economista Raul Veloso, o estudo falha ao comparar o gasto com juros com outros tipos de despesas. "O pagamento de juros da dívida é assunto de política monetária, já os gastos do orçamento são de natureza fiscal. Não se pode comparar coisas de naturezas diferentes", afirma o economista, desqualificando as conclusões do Ipea.

Já o professor de Ciências Contábeis e mestre em Administração pela Universidade Nacional de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, acredita que é preciso desmistificar a defesa de quem diz que o juro real no Brasil não é tão elevado. "A política de juros brasileira é contrária ao que é praticado em todo o resto do mundo. É necessário rediscutir no plano teórico a manutenção e a eficácia deste instrumento de política monetária", avalia Piscitelli, que diz não acreditar na eficácia da taxa de juros como política de controle econômico. "Falta coragem política para inverter essa lógica. O quadro é dramático pois não se altera ao longo do tempo. Vivemos sempre com a ameaça de que as taxas de juros podem subir ainda mais", diz.

Na avaliação do presidente do Ipea, Márcio Pochmann, a recuperação da renda do trabalhador e a diminuição dos níveis de desigualdade do Brasil verificada nos últimos anos podem ser comprometidas com os efeitos da crise, somados à diminuição da atividade econômica resultante da elevada taxa de juros. Como saída, Pochmann aponta a redução na taxa de juros e o aumento dos investimentos sociais do governo.

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