A Gerdau espera que o consumo de aços longos no Brasil na segunda metade de 2013 cresça sobre o primeiro semestre e avalia que o ambiente de preços do insumo usado na construção civil se mantenha relativamente estável no país, apesar da desvalorização do real. "A perspectiva é de algum crescimento. Trabalhávamos no início do ano com números de aumento de 3 a 4 por cento no consumo em 2013", disse o presidente-executivo da segunda maior produtora de aços longos do mundo, André Gerdau Johannpeter, a analistas, após resultado da empresa melhor que o esperado para o segundo trimestre.

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"Como isso não aconteceu no primeiro semestre, esperamos que tenha uma retomada abaixo disso no segundo semestre", afirmou. Segundo o diretor financeiro da Gerdau, André Pires, os preços de vergalhão no Brasil estão 13 por cento mais caros que os valores internacionais e o cenário para o segundo semestre é de estabilidade nesta relação, conhecida também como "prêmio". "O prêmio deve flutuar entre 10 e 15 por cento nos próximos meses", disse Pires. Na semana passada, a produtora de aços planos Usiminas previu estabilidade nos preços no terceiro trimestre.

"Não dá para dizer ainda que a desvalorização do real veio para ficar", afirmou Pires. A queda da moeda foi usada como argumento pelo setor siderúrgico para justificar reajustes de preços durante a primeira metade do ano.

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Sobre a área de aços especiais, usados pela indústria automotiva, Johannpeter estimou que crescimento nas vendas de veículos novos do primeiro semestre no país deve perder força na segunda metade do ano.

Resultado melhor

Mais cedo, a Gerdau divulgou lucro líquido de 401 milhões de reais no segundo trimestre, queda anual de 27 por cento, mas acima das previsões de analistas. O desempenho foi puxado por foco de vendas domésticas, mais rentáveis, e reduções de custos.

O resultado puxava as ações da companhia para uma alta acima de 4 por cento, às 16h48h, enquanto o Ibovespa tinha ganho de 2 por cento. "Acreditamos que o destaque seja a melhoria de margens nas operações no Brasil após aumento nas vendas domésticas e redução de exportações", disseram analistas do Espírito Santo Investment Bank em relatório sobre o balanço da siderúrgica.

A alta acontecia apesar do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter afirmado nesta tarde que o governo não vai renovar o aumento do imposto de importação decidido no final de 2012. Porém, disse Johannpeter, apenas um produto da Gerdau, o fio-máquina, havia sido beneficiado pela medida, por isso o impacto nas contas da companhia "não deve ser muito grande".

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Referência

Segundo Pires, a margem Ebitda da operação brasileira, que passou de 15,8 por cento um ano antes para 20 por cento no final de junho, é uma referência para os próximos trimestres, diante do início de produção de aços planos e aumento de produção de minério de ferro no país.

O executivo afirmou ainda que vê espaço para a Gerdau continuar reduzindo necessidade de capital de giro no segundo semestre e que o ciclo financeiro da companhia deve ficar abaixo de 80 dias, o que deve apoiar a redução de custos da companhia.

A Gerdau não tem entre as principais prioridades aumentar retornos a investidores, mas reduzir seu endividamento. "A geração adicional de caixa está servindo para reduzir o endividamento e alavancagem (...) O principal objetivo é trabalhar com níveis de alavancagem menores".

No segundo trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda da Gerdau foi de 3,1 vezes, crescendo ante nível de 2,5 vezes de um ano antes, mas ligeiramente menor que patamar de 3,2 vezes dos três primeiros meses de 2013.

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A Gerdau manteve plano de investimento de 8,5 bilhões de reais para o período de 2013-17, apesar de incertezas sobre o cenário econômico mundial e crescimento econômico mais lento que o esperado no Brasil.

Planos

Os investimentos incluem instalação de laminadores de aços planos na usina de Ouro Branco (MG). Os equipamentos começam a produzir bobinas a quente na próxima semana, marcando a entrada da Gerdau no segmento hoje disputado ferrenhamente por Usiminas, ArcelorMittal e CSN.

A expectativa inicial de vendas de 200 mil toneladas de aços planos da Gerdau neste ano foi revista para entre 150 mil e 160 mil toneladas, após atrasos no início da operação dos novos equipamentos na usina mineira. Já a produção de chapas grossas, outro insumo produzido pela Usiminas, deve começar em 2015, disse Johannpeter.

Ele disse ainda que a Gerdau não tem interesse em uma eventual aquisição, sozinha ou com parceiros, do Porto do Sudeste, importante ativo da mineradora MMX que está sendo construído em Itaguaí, no Rio de Janeiro. "Não estamos estudando nada", disse o executivo. Ele disse, porém, que a Gerdau acompanha o desenvolvimento do porto como uma das alternativas logísticas para escoamento da sua produção de minério. A analistas, ele lembrou que a empresa trabalha em projeto de construção de terminal exportador próprio.

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