Assim como no comércio tradicional, as lojas de roupas usadas vêem seu faturamento despencar nos primeiros meses do ano. Com um agravante: as liquidações. "A concorrência com as lojas populares é normalmente um problema para nós. Hoje existem muitas, vendendo roupa muito barata", diz a proprietária do Brechó Londres, Maristela Almeida. "Nesta época, como elas estão em promoção, nosso movimento cai ainda mais."
Há 10 anos no segmento de roupas usadas, o comerciante Fábio de Souza Silva, proprietário da Veste Bem Roupas Seminovas, diz que há pelos menos dois ou três anos o mercado vem perdendo espaço. "Não é mais como antigamente. Nas lojas de novos, tem roupa nova muito barata, para quem não leva em consideração a qualidade."
Como o preço baixo não é mais capaz de encher de clientes as lojas de usados, a alternativa encontrada pelos empresários do setor foi buscar outros diferenciais. Maristela, por exemplo, diz que dá preferência para a compra de roupas de marcas famosas, que custam caro nas lojas. "O preço varia muito, mas em geral é menos da metade do preço da peça nova. Uma calça jeans da Ellus, que custa mais de R$ 200 na loja, eu vendo aqui por menos de R$ 100", diz a comerciante.
A gerente do brechó Petrukio, Leni Pereira Viana, acredita que a "originalidade" dos produtos que vende faz o sucesso do negócio. A loja é especializada em roupas de couro e vende peças usadas e de ponta-de-estoque. "Há pessoas que nos procuram e nem pensam no preço. Compram porque há peças muito diferentes, que só encontram aqui", diz.
Os produtos mais procurados são as jaquetas. Um peça que é vendida nova por cerca de R$ 350 pode ser encontrada no brechó por até R$ 80, garante Leni. "Já vi um casaco igual ao que vendemos aqui por R$ 400 sendo vendido no shopping por R$ 2 mil", compara. (CS)







