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No Brasil, o HSBC só continuará operando para atender grandes corporações, segundo comunicado. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
No Brasil, o HSBC só continuará operando para atender grandes corporações, segundo comunicado.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O HSBC Holdings, o maior banco da Europa, anunciou nesta terça-feira (9) um plano estratégico para restaurar os lucros e o crescimento até 2017. Para isso, vai encerrar suas atividades no Brasil e na Turquia, o que reduzirá seus custos em entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões, e eliminar quase 50 mil postos de trabalho em todo o mundo.

Bancários protestam

Em protesto contra eventuais demissões, funcionários do HSBC fecharam as sedes administrativas da empresa em Curitiba, sede nacional da instituição. Faixas foram estendidas em frente aos quatro escritórios, onde trabalham cerca de 8 mil pessoas. “Qualquer que seja a solução dada, a sede não pode ser mudada” e “Responsabilidade social não se faz com demissão” eram algumas das frases. Um terceiro cartaz ironizou o slogan do banco: “HSBC, no Brasil e no mundo, enganando você”. O Sindicato dos Bancários de Curitiba teme que a venda encerre as atividades administrativas na cidade e quer que o impacto das demissões de 8 mil pessoas seja o menor possível. “Estão todos muito apreensivos. O banco não comunica o que vai realmente fazer”, diz a sindicalista Cristiane Zacarias, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro.

Adeus do HSBC reduzirá opções de crédito

  • rio de janeiro

A decisão do HSBC de vender suas operações no país deve reduzir as opções dos clientes, que deverão ter ainda menos poder de escolha na hora de contrair crédito. De acordo com analistas, o mais provável é a venda para o Bradesco ou para um banco já em operação no Brasil, gerando maior concentração no setor. Isto deve levar a demissões e, no longo prazo, ao fechamento de agências.

O economista da consultoria Lopes Filho & Associados João Augusto Salles avalia que num primeiro momento haverá prejuízo para o cliente. “É muito poder nas mãos dos bancos e isso pode se refletir nas tarifas. O banco ficará com mais poder de barganha para elevar suas tarifas. Mas há outra corrente de pensamento, que é a da busca por eficiência. A concentração bancária sobe, mas a eficiência dos bancos também. Isso pode ser repassado ao consumidor. Num primeiro momento a concentração bancária será nociva, mas, conforme o banco absorver completamente o HSBC, ele ganhará eficiência e poderá repassar isso.” Para Salles, este processo levaria pelo menos dois anos para se concretizar.

O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, por sua vez, avalia que os ganhos para os correntistas serão nulos. “Infelizmente esse mundo ideal da concorrência entre bancos não tem acontecido. Os bancos públicos tentaram fazer este papel [de conceder crédito mais barato], mas não estão fazendo mais. Não acho que vai ter benefício para o cliente.”

O professor de economia do Ibmec Alexandre Espírito Santo afirma que embora o cliente fique com menos opção de crédito, o sistema financeiro brasileiro deverá ser fortalecido com a operação. “O sistema bancário brasileiro funciona meio cartelizado, mas muitos dos que criticam isso não olham o outro lado. Por causa desta concentração, o nosso sistema é muito sólido.”

De acordo com a instituição, 25 mil empregos serão cortados na venda de suas operações no Brasil e na Turquia. Não está claro ainda o prazo de encerramento de atividades nos dois países tampouco as datas das demissões. No caso do Brasil, o HSBC só continuará funcionando para grandes corporações. De 20 mil a 25 mil vagas em tempo integral, ou 10% da força de trabalho, serão cortadas no restante do mundo. Só no Reino Unido, 8 mil postos serão fechados.

“Reconhecemos que o mundo mudou e precisamos mudar com ele”, disse o diretor-presidente Stuart Gulliver. “Estou confiante que nossas ações vão permitir atingir nossas previsões de crescimento e aumentar o valor para os nossos acionistas.” O plano de corte terá um custo de US$ 4 bilhões a US$ 4,5 bilhões até 2017, segundo o comunicado do HSBC.

Fontes próximas à negociação afirmaram à agência Bloomberg que o Bradesco deve desembolsar entre US$ 3,2 bilhões e US$ 4 bilhões pela unidade brasileira do HSBC, que não é rentável – em 2014, teve um prejuízo de R$ 441 milhões – e tem 853 agências no país. De acordo com o analista do Deutesche Bank Tito Labarta, a unidade brasileira está avaliada entre US$ 3,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões.

O Bradesco estaria disposto a pagar em dinheiro, segundo as fontes. Além disso, o Bradesco teria mais facilidade de integrar os ativos e de obter aprovação do governo do que um banco estrangeiro como o Santander, que também fez uma oferta. O espanhol Santander é o segundo banco com maior probabilidade de comprar o HSBC.

A compra, no entanto, não seria suficiente para o Bradesco passar o Itaú Unibanco em ativos. O HSBC é o sétimo maior banco do país em ativos, segundo dados dos balanços dos bancos. O Bradesco passaria a ter R$ 1,18 trilhão em ativos comparado com R$ 1,3 trilhão do Itaú. O Banco do Brasil é maior do país, com R$ 1,54 trilhão.

O Itaú também fez uma oferta, mas teria menos interesse por já ter o maior valor de mercado no Brasil.

Banco garante que nada muda para os clientes

  • são paulo

Os clientes do HSBC podem ficar tranquilos em relação à continuidade dos serviços e do atendimento no Brasil, se a filial for vendida. Bradesco, Itaú e Santander, os três bancos que disputam o HSBC no país, têm uma longa experiência em aquisições e posterior incorporação das instituições e de clientes. Todos os serviços e preços são estabelecidos em contratos, que vem junto com o banco comprado.

Normalmente, o cliente terá de se adaptar a novo número de agência e conta. Mas a mudança leva um tempo e tem um período relativamente longo para todos se adaptarem. Em alguns casos, o cliente pode ser transferido para uma agência vizinha.

Essa prática, no entanto, ocorreu em raríssimos casos nas últimas fusões bancárias porque a maioria das agências já trabalhavam com capacidade máxima e tinham dificuldade para receber novos cientes.

A única dúvida diz respeito à continuidade de facilidades que o HSBC oferece aos clientes em suas viagens, estadias e eventuais mudanças para o exterior. Como atua praticamente em todo o mundo, o banco tem pacotes mais vantajosos de tarifas e serviços a esses clientes do que os demais bancos brasileiros.

Também não deverá ter mudanças imediatas para os cerca de 25 mil funcionários do banco, especialmente na rede de agências que já tem quadro bastante enxuto. As maiores alterações, se forem confirmadas, serão nas áreas administrativas e de back-office, devido à fusão com o banco comprador.

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