
Brasília - A inadimplência subiu em julho pelo oitavo mês seguido e chegou ao nível recorde de 5,9%, de acordo com o relatório de crédito do Banco Central divulgado ontem. Antes da piora na crise financeira, estava em 4%.
Considerando apenas as empresas, a inadimplência também registrou a oitava alta seguida, de 3,4% para 3,8%. Em setembro do ano passado, estava em 1,6%. Em relação às pessoas físicas, a taxa ficou estável pelo terceiro mês, no nível recorde de 8,6% dos empréstimos do sistema bancário.
São considerados inadimplentes os empréstimos com atraso superior a 90 dias. Isso significa que o indicador ainda reflete os efeitos da crise internacional de crédito, que provocou alta dos juros e redução dos empréstimos.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, repetiu avaliação feita no mês passado de que a inadimplência nas empresas deve cair nos próximos meses.
Segundo ele, essa avaliação é respaldada pela perspectiva de queda dos atrasos inferiores a 90 dias. Segundo o BC, 2,3% dos empréstimos para empresas estavam com atraso de até três meses em julho, mesmo patamar de junho e abaixo de maio, quando a parcela era de 2,7%.
Para Lopes, o nível recorde de calotes é explicado como um resultado de movimentos pontuais, principalmente em alguns empréstimos para empresas. O chefe do BC diz que tem pesado o aumento dos atrasos nos descontos de duplicatas e conta garantida, duas das mais comuns operações de crédito entre as pessoas jurídicas, sobretudo entre as de menor porte.
Juros
A taxa de inadimplência continuou subindo em julho, apesar da queda nos juros bancários. Segundo o BC, a taxa geral de juros caiu pelo oitavo mês seguido, de 36,6% em junho para 36% ao ano em julho. Trata-se da menor taxa desde dezembro de 2007 (33,8% ao ano).
O relatório mostrou ainda queda tanto nos juros para pessoas físicas (de 45,6% para 44,9% a.a.) como jurídicas (de 27,4% para 26,7% a.a.).
Também houve queda no spread bancário, a diferença entre a taxa de captação dos bancos e os juros cobrados nos empréstimos para os clientes. Segundo o BC, o spread caiu de 27,2 pontos porcentuais para 26,8 pontos no mês passado. A taxa, porém, ainda está acima da registrada em setembro (26,4 p.p.), época do agravamento da crise.
Apesar da queda nos juros ao consumidor, a taxa do cheque especial voltou a subir e chegou a 167,3% ao ano, depois da queda registrada no mês anterior junho registrou taxa de 167%. O crédito pessoal caiu de 45,6% para 44,8% ao ano. Na aquisição de veículos, ficou estável em 26,9% ao ano.
Crédito
O volume de operações de crédito cresceu novamente em julho e bateu novos recordes. O estoque total de dinheiro emprestado cresceu 2,6% no mês e chegou ao valor inédito de R$ 1,311 trilhão. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 20,8%.
Segundo o BC, o aumento do crédito em julho foi influenciado pela operação de empréstimo de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Petrobras.
Houve crescimento de 7,8% no mês para o crédito direcionado, que inclui os financiamentos habitacionais e rurais, entre outros. O crédito com recursos livres teve expansão de 0,4%.
O número também foi recorde na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas, passando de 43,9% em junho para 45% no mês passado. Esse indicador apresenta crescimento há 18 meses seguidos.
Esse resultado levou o BC a rever a previsão para o nível de crédito no fim do ano de 45% para 47%.
Em relação aos novos empréstimos, as concessões acumuladas no mês ficaram praticamente estáveis em relação ao mês anterior. Houve queda de 1,5% no crédito para as empresas e alta de 2,5% nos financiamentos para o consumidor.







