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A inflação oficial do Brasil desacelerou para 0,16% em junho, mas a conta de luz e as passagens aéreas continuaram pesando no bolso dos brasileiros de acordo com dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (10). O aumento dos custos de energia e transporte ocorre em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, que mantém pressão sobre os mercados e eleva os gastos em diversos setores.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou abaixo dos 0,58% registrados em maio. No acumulado do ano, a inflação soma 3,36%, enquanto, em 12 meses, está em 4,64%.
O grupo Habitação teve o maior impacto no resultado de junho, com um aumento de 1,53% no custo da energia elétrica residencial. Este item voltou a ser o principal fator individual de pressão sobre a inflação, influenciada pela bandeira tarifária amarela – um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos – e por reajustes aplicados em várias cidades do país, entre elas Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Os transportes também contribuíram para manter os preços em alta, com uma disparada de 7,12% nos preços das passagens aéreas dispararam 7,12% no mês. Por outro lado, os combustíveis registraram queda no etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).
O aumento da inflação só não foi maior no período por conta da queda dos alimentos, com um recuo de 0,24% nos preços do grupo de Alimentação e Bebidas. A redução foi puxado pelos preços menores do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).
As refeições e lanches consumidos fora de casa também tiveram aumentos mais moderados em junho, de 0,15% e 0,13%, respectivamente. O resultado ajudou a aliviar parte da pressão sobre o orçamento das famílias.
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Entre as capitais pesquisadas pelo IBGE, Brasília registrou a maior inflação do país, de 0,52%, impulsionada pela alta das passagens aéreas e da gasolina. Já Recife apresentou deflação de 0,04%, beneficiada pela queda nos preços do tomate e dos combustíveis.
A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e o fim do cessar-fogo, no entanto, voltaram a acender o alerta no mercado internacional de petróleo. Nos últimos dias, os preços da commodity dispararam após novas ameaças e ataques na região, reacendendo o temor de interrupções no fornecimento de energia e de uma nova onda de alta nos combustíveis.
Para o Brasil, uma nova disparada do petróleo pode dificultar a trajetória de desaceleração da inflação observada nos últimos meses. Embora gasolina e diesel tenham registrado queda em junho, uma alta prolongada das cotações internacionais tende a aumentar as pressões sobre os preços dos combustíveis, das passagens aéreas e de outros produtos e serviços.








