| Foto: Jose Cruz

Recessão de mais de 3%: já vimos esse filme antes. Mais especificamente, em 1990. Naquele ano, o PIB do país encolheu 4,3%, pior resultado da História, na estreia de Fernando Collor de Mello na presidência. Os números da economia são parecidos, mas o Brasil e o mundo daquela época eram bem diferentes. Febre da lambada, moda sertaneja e o fenômeno Pantanal estão entre alguns fatos marcantes do ano da outra grande crise brasileira.

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O brasileiro começou o ano cheio de esperança, embalado pela promessa de que Collor controlaria a inflação. Em fevereiro, recém-empossado, o então presidente disse que tinha uma “bala na agulha” e “boa pontaria” para derrubar os preços. Não foi bem assim. Em junho, a ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello admitiu que o país havia mergulhado “em uma síndrome inflacionária”.

Os sonhos do país também fracassaram nos gramados. No Mundial da Itália, com um país sedento por títulos, a seleção caiu nas oitavas de final. E justamente para a Argentina. A Alemanha levou a taça, garantindo o tricampeonado. O tetra viria anos depois, na Copa realizada em um certo país tropical. Melhor nem lembrar dessa parte.

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Para compensar a decepção no futebol, o brasileiro se orgulhou de um de seus maiores ídolos, nas pistas. Na Fórmula 1, Ayrton Senna voava baixo em 1990 e, naquela ano, deu o troco no arquirrival Alain Prost — que havia derrotado o brasileiro no ano anterior — e garantiu seu bicampeonato em Suzuka, no Japão.

E se o Plano Collor fracassou no combate aos preços, foi marcado pela entrada dos importados no país. Carros e motos de luxo, como a Kawasaki, viraram sonho de consumo. E antes de sonharmos em coisas como um iPhone, chique era ter telefone no carro e laptops pesadões, que mais pareciam calculadoras.

Na TV, Regina Duarte reinava como a “Rainha da Sucata”, a novela das oito que, ao som de Sidney Magal, consagrou a febre da lambada no país. Em 1990, o ritmo quente até virou tema de filme. O questionável “A dança proibida” foi lançado naquele ano.

Na batalha da audiência, o sucesso da Globo brigava de igual para igual com outro fenômeno, Pantanal. Com a assinatura de Jayme Monjardim, a obra cativou o público com imagens incríveis da natureza mato-grossense e cenas quentes protagonizadas por Cristiane Oliveira, a Juma Marruá.

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Nas rádios, foi o ano em que o sertanejo estourou, com “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó estourava as paradas de sucesso. A cultura caipira ditou moda, principalmente os cabelos inconfundíveis da dupla. A trilha sonora daquele ano foi marcada ainda pelas estreias nos cinemas: sucessos como Ghost e Uma linda mulher chegaram às telonas em 1990. Isso para não falar da lambada, que virou “a dança proibida” no filme de qualidade questionável lançado há 26 anos.

E, por falar em música, a nota triste de 1990 foi o adeus a Cazuza, morto em julho, vítima de Aids.

Entre semelhanças e diferenças, há quem diga que a crise que passou é muito diferente da atual, Se, naquela época, o desafio era lidar com a dívida externa, hoje o governo tem pela frente a tarefa de equilibrar as contas públicas.