
As montadoras produziram 40% menos, as madeireiras cortaram a produção em 33%, os fabricantes de máquinas reduziram o ritmo em quase 30%. Outros cinco segmentos da indústria também encolheram. E, ainda assim, o Paraná conseguiu elevar sua produção industrial em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2008 feito único entre as 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento médio registrado no mês, de 1,5%, teve como principal responsável a indústria de edição e impressão, que cresceu 185% sobre fevereiro de 2008 ou seja, praticamente triplicou a produção. O IBGE atribuiu esse crescimento ao aumento das encomendas governamentais de livros didáticos, por causa do início do ano letivo.
Em relação a janeiro, a indústria do Paraná também cresceu (5,7%), mas, no acumulado do primeiro bimestre, a produção ficou 3,5% abaixo da apurada nos dois primeiros meses de 2008. Um número que não chega a ser tão ruim, se comparado à retração média nacional de 17%. "Somente o Paraná conseguiu uma recuperação da produção industrial para os níveis de setembro de 2008, praticamente neutralizando o contágio [da crise internacional]", afirmou, em relatório, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
O problema é que esses bons resultados foram causados quase que somente pelas gráficas, que respondem por 2% da produção industrial do estado. Em 2009, apenas outros três segmentos exibiram crescimento digno de nota o de bebidas, que avançou 12,9%, o de minerais não-metálicos (+6%) e o de produtos químicos (+4,8%). Os segmentos de borracha e plástico e papel e celulose "empataram" com 2008, e todos os demais se retraíram.
Explosão
A produção acumulada pela indústria gráfica nos 12 meses anteriores a fevereiro foi 60% maior que em igual período anterior. Nenhum outro segmento da indústria paranaense chega perto disso, e as concorrentes de outros estados também ficam muito atrás em 12 meses, as gráficas de todo o país cresceram pouco menos de 1%.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) no Paraná, Sidney Paciornik, há dois motivos para essa expansão. O primeiro, estrutural, seria a modernização do parque gráfico do estado. "As empresas investiram em máquinas importadas quando o dólar esteve mais favorável, ganharam escala e, com isso, abocanharam a maior fatia das encomendas governamentais." Em segundo lugar, estaria um fator conjuntural: a reforma ortográfica. "As publicações estão sendo atualizadas, desde os materiais didáticos até os dicionários. Ainda há um bom tempo para a indústria se adaptar à reforma, mas a tendência do segmento é se antecipar."
A Posigraf, do Grupo Positivo, não quis comentar os números, por discordar da metodologia do IBGE. De todo modo, empresários do segmento dizem que a expansão da indústria de edição do estado está intimamente ligada à Posigraf que tem o maior parque gráfico do país e imprime, entre outros produtos, o Dicionário Aurélio.



