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Comércio exterior

Mais exportações brasileiras vão para poucos países

53% das exportações brasileiras foram para cinco países no ano passado. Em 2009, grupo respondia por 41,7% dos negócios

  • Vandré Kramer
Movimento de navios no porto de Navegantes (SC) | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Movimento de navios no porto de Navegantes (SC) Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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As exportações brasileiras estão ficando mais concentradas em poucos destinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os cinco maiores mercados para os produtos brasileiros - China, Estados Unidos, Argentina, Holanda e Chile- foram responsáveis por 53,1% da pauta brasileira de exportações em 2018. 

 Um ano antes esse percentual era de 48,9%. E, em 2009, essa participação correspondia a 41,7%. Nos últimos cinco anos, essa concentração vem aumentando. E, no ano passado, atingiu o maior pico em dez anos.  

 Um dos principais responsáveis por esse aumento na concentração foi a expansão nas vendas de commodities para a China. No ano passado, as exportações para a segunda maior economia mundial tiveram um crescimento de 35,2%. O total de negócios atingiu US$ 64,2 bilhões. 

 A guerra comercial entre os EUA e a China, respectivamente o maior produtor e o maior consumidor mundial de soja, acentuou a importância da oleaginosa na pauta de exportações do Brasil para a segunda maior economia mundial. Em 2018, passou a representar 13,83% do total vendido no exterior, contra os 11,8% de 2017. 

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 Outro fator que impactou negativamente para o Brasil foi a entrada com vigor dos produtos chineses na América do Sul nos últimos anos. Isto acabou tirando mercado na região, afirma Diego Bonomo, gerente de assuntos internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). As exportações brasileiras para a região, em 2018, foram de US$ 35,2 bilhões, 7,94% a menos do que há dez anos.  “O único lugar em que o Brasil ganhou participação de mercado foi na Guiana.” 

Dificuldade para exportar

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destaca que o país tem uma imensa dificuldade para exportar. “Se o Brasil não reduzir esse custo, uma das soluções vai ser rezar em mandarim”, diz ele, referindo-se ao crescimento das exportações de matérias-primas para a China. 

 Segundo Castro, é preciso investir na reforma previdenciária, na tributária, facilitar investimentos privados em infraestrutura e reduzir a burocracia. Um ranking do Banco Mundial mostra que entre 190 países, o Brasil é 106º em facilidade para o comércio exterior. E a Heritage Foundation mostra que o país é moderadamente livre quanto à questões comerciais. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil tinha, em 30 de junho, 634 barreiras não tarifárias. 

 Um segundo passo, segundo o presidente da AEB, para o Brasil diversificar mercados é o estabelecimento de acordos bilaterais. “É importante, mas não essencial no momento, porque o Brasil não teria como se beneficiar devido aos custos internos que tem.” 

 Mas, segundo Bonomo, a maior presença de mercadorias brasileiras no exterior não depende só de incentivos ou de reformas por parte do governo. “Nossa cultura empresarial é pouco avessa ao risco no mercado externo. A internacionalização precisa fazer parte da estratégia de negócio das empresas.”

Concentração e aumento nas vendas de commodities

O aumento na concentração de mercado veio acompanhado de um crescimento nas vendas de commodities. “São mercadorias que o Brasil não tem poder de controle, ou seja, não define o preço”, diz Castro, da AEB. No ano passado, as exportações de soja cresceram 29,1% e as de minério de ferro, 5,3%. 

 Ele ressalta que a importância de produtos industrializados na pauta de exportações vem perdendo força, mesmo entre tradicionais compradores, como os Estados Unidos. No ano passado, dos dez produtos mais exportados para a maior economia mundial, apenas três eram de alto valor agregado: turbinas a gás; aviões e escavadeiras. 

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Outro país em que está havendo queda nas exportações de produtos manufaturados é a Argentina. A justificativa é a crise econômica no país que deve fazer com que a economia de lá se retraia 2,6% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

 No ano passado, as exportações de carros - o principal produto de exportação para lá - caíram 23,3%; as de máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, 27,7% e as de artigos plásticos, 11,2%. E diante do cenário negativo projetado para a economia do país vizinho, a tendência é de que os maus números se repitam em 2019. Apenas as vendas externas de veículos para lá despencaram 59,5% no comparativo dos primeiros meses de 2018 e 2019. 

Culpa do custo Brasil 

Castro atribui a retração nas exportações dos manufaturados ao custo Brasil. Dados do Secex mostram que a importância deles caiu na pauta de exportações. Em 2005, eles representavam 59% do total dos produtos brasileiros comercializados no exterior. No ano passado, esse percentual tinha caído para 40%. 

 Um estudo feito no ano passado pelo técnico Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que “os últimos dez anos foram muito ruins para as exportações de bens industrializados, com redução no quantum exportado e do market share generalizada, seja em termos de setores, produtos ou países de destino.” 

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O estudo aponta que, em 2009, o market share dos produtos industrializados brasileiros no mercado internacional era de 0,99%. Em 2016, essa participação caiu para 0,77%, de acordo com o levantamento de Ribeiro. 

 “O custo Brasil também criou um viés anti-exportação”, diz Diego Bonomo, gerente executivo de assuntos internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo ele, isto acaba estimulando o empresário a ficar concentrado no mercado interno. 

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