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Pedro Joanir Zonta, presidente do Condor: investimento de R$ 80 milhões e crescimento de 20% em 2010 | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Pedro Joanir Zonta, presidente do Condor: investimento de R$ 80 milhões e crescimento de 20% em 2010| Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo

Projetos

Shoppings voltam a investir

O setor de shopping centers também trabalha a todo vapor. Depois de adiar alguns projetos durante a crise, as empresas estão retomando os investimentos. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prevê incremento de 12% nas vendas, que devem ultrapassar R$ 79 bilhões em faturamento. Estão previstas 15 inaugurações em grandes capitais e nas cidades do interior.

No Paraná, os principais projetos de 2010 são do ParkShoppingBarigüi, que está aplicando R$ 56 milhões para expandir o empreendimento com mais 88 lojas, e a do shopping Catuaí Maringá, que inaugura em novembro, com recursos de R$ 180 milhões e a criação de 2,5 mil empregos. Com previsão de crescer 20% em 2010, o grupo, dono do Catuaí Londrina, adiou por um ano o empreendimento em Maringá em função da crise. "As grandes âncoras tiraram um pouco o pé do acelerador. Mas agora os investimentos voltaram com força", diz Alfredo Khouri, diretor do grupo. A empresa pretende abrir mais dois shoppings – em Londrina e Cascavel – nos próximos dois anos. De acordo com Khouri, o mercado passou por transformações desde o início da década de 1990, quando foi aberto o Catuaí Londrina. "Naquela época, a maior parte do nosso público era formado pelas classes de maior renda. Hoje a classe C já tem uma participação equivalente à da B", afirma. (CR)

Com o consumo em alta, redes de supermercados, shopping centers e lojas de eletroeletrônicos e de material de construção estão acelerando os investimentos em 2010. As principais redes de varejo no Paraná deverão investir cerca de R$ 500 milhões em ampliações, novas lojas e reformas até o fim do ano para dar conta do aumento da demanda, segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo. Estima-se que sejam gerados cerca de 4 mil empregos com os projetos.

No embalo do crédito e da evolução do emprego formal e da massa salarial, o comércio deve registrar recorde de vendas em 2010 e superar o avanço de 2007, o melhor até agora da série histórica iniciada em 2001. Naquele ano, as vendas do varejo cresceram 9,6%, segundo o IBGE.

A projeção para 2010 é que as vendas aumentem entre 10% e 11%, segundo Luiz Goes, analista senior da GS&MD Gouvêa de Souza, consultoria especializada em varejo. "O setor atravessou bem a crise a partir do fim de 2008 e agora reforça investimentos para aproveitar o bom momento. Será um dos melhores anos para o varejo", acrescenta.

Para o consultor da Federação do Comércio do Paraná (Fe­­co­­mércio) Vamberto Santana, o aquecimento de alguns setores da economia, como a construção civil, tem ajudado a elevar o valor dos salários. Além disso, no segundo semestre, várias categorias de peso devem conseguir reajuste real nas negociações salariais, o que deve colocar mais dinheiro em circulação na economia.

O consumo está sendo puxado também pelo aumento do poder de compra das classes C e D. "Essa população já compra as mesmas coisas que a classe B, a diferença é que ela paga em mais parcelas. Se a classe média alta adquire uma tevê de plasma em quatro vezes, a classe C paga em 12, 15 vezes", diz Marcio Pauliki, superintendente da MM Mercado Móveis. Maior rede de eletroeletrônicos do estado, a empresa tem 80% dos clientes nas classes C e D. Para esse ano está programada a abertura de 25 lojas no Paraná e Santa Catarina, com investimentos de cerca de R$ 10 milhões. Com previsão de crescimento de 40% em 2010, a empresa deve encerrar o ano com 140 lojas.

Dos cerca de R$ 2 bilhões que o Walmart programou para o Brasil em 2010, R$ 77,5 milhões já estão confirmados para o Pa­­raná – entre reforma e abertura de cinco novas lojas. Ao todo serão gerados 725 empregos. Do total de recursos, cerca de 10% vão para as que serão abertas na região metropolitana de Curitiba (Lapa e Pinhais) da bandeira Todo Dia, voltada para as classes D e E.

O Condor, por sua vez, está investindo R$ 80 milhões na abertura de três novas lojas – Fazenda Rio Grande, Cajuru e Água Verde – e na reforma de outras duas. Com previsão de crescer 20% em 2010, a rede de supermercados parananense deve fechar o ano com receita de R$ 1,7 bilhão. "Não apenas mais pessoas estão comprando, mas quem já compra está aumentando o seu ticket médio. Produtos como laticínios, congelados e de higiene e limpeza ganharam espaço nos carrinhos da população de menor poder aquisitivo", diz o presidente da empesa, Pedro Joanir Zonta.

O crédito voltou e com prazos mais longos, o que tem estimulado não apenas as compras de móveis e eletroeletrônicos, mas também de material de construção. Metade das vendas da rede de lojas de produtos para construção Balaroti, com atuação no Paraná e Santa Catarina, é a prazo, segundo Eduardo Balarotti, diretor de marketing e vendas. Neste ano o grupo já abriu uma loja em Ponta Grossa e se prepara para inaugurar mais uma em Pinhais, nos próximos dias, e outra no Pinheirinho. O setor também vem contando com a ajuda da redução do IPI, que foi renovada até o fim do ano. "Considerando as novas lojas, devemos crescer 10% em 2010", afirma.

Novos concorrentes

O aumento do consumo está atraindo também novas empresas de varejo para o Paraná. Segunda maior rede de eletromóveis do México, com faturamento de R$ 6 bilhões, a Coppel desembarcou no Brasil em abril, com a abertura de uma loja em Curitiba, e deve abrir mais duas lojas na região metropolitana. Estimativas de mercado dão conta que os recursos aplicados pelo grupo mexicano devem chegar perto de R$ 120 milhões. Além da Coppel, a brasileira Etna, do varejo de móveis e artigos para casa, inaugura sua loja em outubro em Curitiba, e a francesa Decathlon, de materiais esportivos, abriu em maio a sua unidade na capital.

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